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Posts from the ‘Cor’ Category

7
abr

A etnografia do insignificante de Manuel Franquelo

 

 

Uma investigação sobre o banal, o acúmulo, os cantos, os resíduos. A série Things in a Room: An Ethnography of the Insignificant [Coisas numa sala: uma etnografia do insignificante], do fotógrafo espanhol Manuel Franquelo, dedica atenção a seu estúdio, repleto de objetos acumulados ao longo dos últimos 30 anos.

 

 

 

 

Tempo, memória, inconsciente. Uma das principais influências do trabalho é o conceito de infra-ordinário do escritor francês Georges Perec, que se refere a tudo aquilo que de tão corriqueiro passa totalmente despercebido no dia a dia. A partir de reflexão semelhante, desde 2012 Franquelo fotografa seu estúdio, realizando mais tarde impressões de grandes dimensões. A série ganhou destaque nos últimos meses, sendo exposta na Michael Hoppen Gallery, em Londres.

 

 

 

 

Indo na contramão do instante decisivo, o fotógrafo diz que busca produzir imagens atemporais, numa espécie de inventário do banal. Além da sua atuação com fotografia e pintura, Franquelo tem em seu currículo a construção da impressora 3D Lucida, que imprime obras de arte com uma riqueza de detalhes que alcança os décimos de milímetro, segundo reportagem do jornal espanhol El País. Outra faceta do fotógrafo em sua relação e obsessão com as representações do real.

 

 

 

 

 

Nascido em Málaga, Espanha, em 1953, Manuel Franquelo ingressou no curso de engenharia de telecomunicações no início de sua vida adulta, mas depois de quatro anos foi estudar artes na Academia de Bellas Artes de San Fernando. Unindo conhecimentos e técnicas dessas formações, Franquelo desenvolve séries fotográficas hiper-reais e aperfeiçoa sua impressora 3D.

 

4
abr

Kristofer Dan-Bergman: retratos pós-conflitos na África

 

 

Ruanda, Burundi e Uganda são alguns dos países africanos que, nas últimas décadas, sofreram com graves conflitos, genocídios e migrações forçadas de milhares de pessoas. Na região, atuam instituições como a Global Good Fund, da qual o fotógrafo Kristofer Dan-Bergman é colaborador. Foi através dele que a ONG desenvolveu uma parceria com outra iniciativa, a Spark Micro Grants, que ajuda comunidades rurais pobres. Dessas articulações, nasceram as imagens que vemos no post de hoje.

 

 

 

 

Os retratos buscam restaurar – junto às demais propostas das entidades – um pouco da dignidade de pessoas que sofreram diversos traumas nos últimos anos. Dan-Bergman percorreu então diversos vilarejos do leste africano em busca dessas imagens, realizando também vídeos de entrevistas utilizados pela Spark Micro Grants para divulgar suas ações.

 

 

 

 

O fotógrafo conta que buscou apresentar seus personagens em meio à simplicidade de seus entornos, com todo o cuidado para não ser demasiadamente intrusivo. Os retratos escapam da dramatização excessiva, tampouco colocam os fotografados em posturas heroicas. Dan-Bergman parece querer mostrar que aquelas pessoas são gente, apenas, em busca de uma vida com o mínimo de condições para existir e voltar a sonhar.

 

 

 

 

Kristofer Dan-Bergman nasceu na Suécia e atualmente vive em Nova York. Já desenvolveu trabalhos de cunho social em países como Ruanda, Quênia e Camboja. Divide sua atuação também com projetos comerciais e pessoais, com exposições em diversas instituições.

28
mar

Katharina Fitz: transformações urbanas em Málaga, Espanha

 

 

O interesse pelas transformações arquitetônicas e sociais de Málaga, na Espanha, motivam a série Paracosmos da fotógrafa austríaca Katharina Fitz. Casas de dois vilarejos de pescadores – Pedregalejo e El Palo – compõem um importante patrimônio cultural da cidade e são retratadas nas imagens. O principal elemento que se revela nesse abordagem é a forma como Fitz interfere nas fotografias, alterando seu entorno.

 

 

 

 

No texto que acompanha a série, a fotógrafa narra que esses vilarejos se transformaram de forma drástica nos últimos anos, tornando-se um importante ponto turístico da região. O crescimento econômico, na visão de Fitz, veio acompanhado de uma perda do espírito comunitário do local, bem como de suas características arquitetônicas.

 

 

 

 

“A perda parcial do senso de comunidade de um vilarejo de pescadores que antes era efervescente é ilustrado pelo isolamento visual das casas. Essa abordagem foca a atenção dos espectadores no caráter único de cada edificação. As casas se transformam em protagonistas”, explica a fotógrafa. “Crio meu próprio paracosmos – um mundo vivo e artificial em combinação com um pano de fundo social e urbano”, completa.

 

 

 

 

Nascida em 1985, na Áustria, Katharina Fitz estudou cultura e língua espanhola na Universidade de Barcelona e fotografia no Instituto de Sant Ignasi de Sarria, também na capital catalã. Atualmente cursa o Master of Art in Fine Arts na Nottingham Trent University, no Reino Unido. Seu trabalho busca fazer uma crítica da relação humana com o espaço urbano, revelando estruturas, processos, transformações e problemas que fazem parte dessa interação.