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Archive for abril, 2019

30
abr

Gabriel Carpes: a fotografia do luto

O fotógrafo brasileiro Gabriel Carpes nasceu no estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, onde continua vivendo e trabalhando como fotógrafo freelancer. O artista é um dos seis fotógrafos brasileiros nomeados para o Joop Swart Masterclass, organizado pela World Press Photo em 2018.
Formado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Gabriel já teve exibições no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) e participou de festivais “Encontros da Imagem” na cidade de Braga em Portugal, e no Festival de Foto de Belfast na cidade de Belfast na Irlanda do Norte.
Devido a sua formação, Gabriel possui uma página de seu site totalmente dedicada a arquitetura, a qual possui diversas fotos de construções e de interiores de apartamentos e casas. Seu interesse surgiu durante a faculdade, quando começou a capturar fotos como maneira de estudo e logo o interesse em fotografar passou o da arquitetura. Gabriel conta com o trabalho “Faltam Mil Anos de Histórias”, onde o mesmo mostra duas visões opostas. A primeira expõe em fotos, a dificuldade do senegalês Moussa, o qual veio para o Brasil tentar achar um emprego para ajudar a sua família e eventualmente, voltar para casa. A segunda, Gabriel mostra um grupo que se reúne todos os domingos pedindo uma intervenção militar para remover políticos corruptos, estabilizar o país e assegurar novas eleições sem nenhum candidato antigo.

Moussa

Foto: Gabriel Carpes, “Faltam mil anos de história”

Amante do Iluminismo e do Pop Art, Gabriel se inspira em muitos artistas seja pelos temas que eles abordam ou pela estética que usam. O próprio define suas fotografias como melancólicas. “Moonlight é um dos filmes mais lindos que já vi, adoro Alec Soth, Luigi Ghrri, Paul Graham. Por muito tempo eu me inspirava em street photography do tipo que o Bruce Davidson ou Joel Meyerowitz fazem” diz Gabriel.

A sua obra de mais sucesso “Somos Felizes Juntos” é uma série sobre felicidade, luto e família. No projeto, Gabriel registra sua família enquanto se reuniam em comemorações e feriados, os quais eram eventos um tanto quanto especiais, pois foram os únicos os quais passaram juntos após a morte de seu pai. Segundo Gabriel “A felicidade é presente em nossas comemorações em família. São nossas viagens em grupo, festas de formatura ou momentos antes de sairmos para jantar. Eu fotografei tudo focando nos momentos mais felizes, mas a vida após a morte de alguém próximo é estranha. Por trás de todos os momentos alegres é possível notar uma tristeza que paira no ambiente. Foi assim que vivemos com o luto. ”

Foto: Gabriel Carpes, “Somos Felizes Juntos”

“A ideia do ‘Somos Felizes Juntos’ surgiu depois de eu ter um volume grande de fotografias da minha família. Uma amiga minha chamada Laís Pontes olhou o material e falou que ali poderia existir um trabalho. Eu comecei a editar a partir disso e tentar ver qual era a narrativa que eu estava criando”
diz Gabriel.

Foto: “Somos felizes juntos”

Quando perguntado sobre o que a fotografia representa para ele, Gabriel responde: “Fotografia para mim representa uma maneira de expressar ideias e sentimentos de uma maneira que eu não conseguiria com palavras. É um meio de comunicação”. O artista ainda tem o sonho de publicar um livro.

Foto:”Somos felizes juntos”

Foto: “Somos felizes juntos”

Texto por Thomaz Simões Pires.



23
abr

Da fotografia à literatura: a perspectiva de Cláudia Andujar sobre a tribo Ianomâmi

Divulgação: Uol

Cláudia Andujar teve uma vida bastante tensa e agitada. Em 1931, nasceu na Suíça. Pouco tempo mais tarde, a sueca perdeu o pai, judeu, em um campo de concentração. Como se não fosse o bastante, a jovem menina acabou perdendo a maior parte de sua família na Segunda Guerra Mundial. Por esse motivo, Cláudia se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em humanidades na Hunter College e, mais tarde, trabalhou como intérprete na Organização das Nações Unidas (ONU). Lá, casou-se com Julio Andujar, refugiado da Guerra Civil Espanhola, mas acabou se divorciando poucos meses depois. Apesar disso, Cláudia resolveu manter o sobrenome do casamento para começar uma vida nova sem os tormentos da guerra.

Anos mais tarde decide se mudar para o Brasil, onde já vivia sua mãe. Dessa forma, teve a possibilidade de naturalizar-se brasileira e, a partir daí, Cláudia passa a desenvolver sua vida como fotógrafa, direcionada para a área do fotojornalismo. Não muito tempo depois de iniciar a carreira, recebeu a proposta de fotografar para a revista Realidade, que, na época, estava fazendo um especial sobre a Amazônia. Sua tarefa para a revista seria fotografar a tribo indígena dos Ianomâmi, bastante isolada das demais tribos da região. Nesse projeto, Cláudia alavancou sua vida profissional, ganhando reconhecimento após o trabalho.

Foto: Cláudia Andujar

Contudo, o projeto enquadrou-se em algumas práticas irregulares de leis de regulamentação territorial e, por isso, em 1978, Cláudia foi expulsa da região da tribo por ordem da FUNAI. Após o ocorrido, a fotógrafa viaja para São Paulo onde desenvolve estudos e grupos para a preservação da tribo Ianomâmi, o que culminou na criação na ONG Comissão pela Criação do Parque Ianomâmi, projeto que levou à demarcação das terras da tribo, oficializada em 1992.

Foto: Cláudia Andujar

Conforme a luta pelos direitos indígenas se intensificava, Cláudia diminuía sua participação na fotografia. No entanto, deixou uma vasta contribuição na literatura, publicando mais de dez livros – entre os quais Yanomami: A Casa, A Floresta, O Invisível (1998) e Amazônia (1978) – e também no cinema, com o lançamento do documentário Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami (1972).

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

 Texto por Augusto Braga.

16
abr

A vida vista às lentes de Ian Brown

Dos mais de 2 milhões de habitantes da cidade de Toronto, no Canadá, uma personalidade chama atenção: Ian Bown, o fotógrafo que sobreviveu ao câncer logo na sua juventude, com dezenove anos de idade, e que hoje trabalha com o projeto Dignitas na África Oriental.

Foto: Ian Brown Photography

Ian sempre dedicou sua carreira para a condição humana, sobretudo a das pessoas menos favorecidas.

Para retratar a vida indigna de diversas famílias, Brown não mede esforços. Durante um trabalho na Colômbia, pela ONG Médicos Sem Fronteiras, o fotógrafo acabou sendo baleado durante uma guerra civil. Toda sua bagagem de experiências acaba sendo refletida em suas fotografias – que receberam espaço em veículos como The New York Times e Washington Post.

Foto: Ian Brown – American Dreams

Além disso, Ian também trabalha com projetos dentro dos Estados Unidos, como o American Dreams. O programa consiste em fotografar moradores de todos os cantos dos Estados Unidos e, em seguida, cada fotografado deve entregar à equipe uma carta feita à mão explicando qualquer que seja seu ‘’sonho americano’’.

Seguindo a mesma temática humanitária e social, o canadense se juntou ao projeto Dignitas, que atua na África Oriental. Essa organização capacita médicos e enfermeiros com a finalidade de trabalharem em locais sem infraestrutura nem recursos necessários para o atendimento hospitalar dos pacientes. Cuidando de pessoas sem distinção de idade ou gênero, os médicos do projeto tratam, sobretudo, pacientes com imunodeficiência adquirida (HIV). Nesse contexto, Ian se uniu à equipe para registrar a real condição dos habitantes da região.

Foto: Ian Brown – Dignitas

Trabalhando em diversas áreas insalubres e de conflito, o fotógrafo já foi condecorado com vários prêmios durante sua trajetória. Suas fotografias, por carregarem muita sinceridade, profundidade e emoção, chamam a atenção e destacam Ian Brown no meio de outros profissionais do ramo.

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Texto por Augusto Braga.