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Archive for abril, 2019

23
abr

Da fotografia à literatura: a perspectiva de Cláudia Andujar sobre a tribo Ianomâmi

Divulgação: Uol

Cláudia Andujar teve uma vida bastante tensa e agitada. Em 1931, nasceu na Suíça. Pouco tempo mais tarde, a sueca perdeu o pai, judeu, em um campo de concentração. Como se não fosse o bastante, a jovem menina acabou perdendo a maior parte de sua família na Segunda Guerra Mundial. Por esse motivo, Cláudia se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em humanidades na Hunter College e, mais tarde, trabalhou como intérprete na Organização das Nações Unidas (ONU). Lá, casou-se com Julio Andujar, refugiado da Guerra Civil Espanhola, mas acabou se divorciando poucos meses depois. Apesar disso, Cláudia resolveu manter o sobrenome do casamento para começar uma vida nova sem os tormentos da guerra.

Anos mais tarde decide se mudar para o Brasil, onde já vivia sua mãe. Dessa forma, teve a possibilidade de naturalizar-se brasileira e, a partir daí, Cláudia passa a desenvolver sua vida como fotógrafa, direcionada para a área do fotojornalismo. Não muito tempo depois de iniciar a carreira, recebeu a proposta de fotografar para a revista Realidade, que, na época, estava fazendo um especial sobre a Amazônia. Sua tarefa para a revista seria fotografar a tribo indígena dos Ianomâmi, bastante isolada das demais tribos da região. Nesse projeto, Cláudia alavancou sua vida profissional, ganhando reconhecimento após o trabalho.

Foto: Cláudia Andujar

Contudo, o projeto enquadrou-se em algumas práticas irregulares de leis de regulamentação territorial e, por isso, em 1978, Cláudia foi expulsa da região da tribo por ordem da FUNAI. Após o ocorrido, a fotógrafa viaja para São Paulo onde desenvolve estudos e grupos para a preservação da tribo Ianomâmi, o que culminou na criação na ONG Comissão pela Criação do Parque Ianomâmi, projeto que levou à demarcação das terras da tribo, oficializada em 1992.

Foto: Cláudia Andujar

Conforme a luta pelos direitos indígenas se intensificava, Cláudia diminuía sua participação na fotografia. No entanto, deixou uma vasta contribuição na literatura, publicando mais de dez livros – entre os quais Yanomami: A Casa, A Floresta, O Invisível (1998) e Amazônia (1978) – e também no cinema, com o lançamento do documentário Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami (1972).

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

Foto: Cláudia Andujar

 

16
abr

A vida vista às lentes de Ian Brown

Dos mais de 2 milhões de habitantes da cidade de Toronto, no Canadá, uma personalidade chama atenção: Ian Bown, o fotógrafo que sobreviveu ao câncer logo na sua juventude, com dezenove anos de idade, e que hoje trabalha com o projeto Dignitas na África Oriental.

Foto: Ian Brown Photography

Ian sempre dedicou sua carreira para a condição humana, sobretudo a das pessoas menos favorecidas.

Para retratar a vida indigna de diversas famílias, Brown não mede esforços. Durante um trabalho na Colômbia, pela ONG Médicos Sem Fronteiras, o fotógrafo acabou sendo baleado durante uma guerra civil. Toda sua bagagem de experiências acaba sendo refletida em suas fotografias – que receberam espaço em veículos como The New York Times e Washington Post.

Foto: Ian Brown – American Dreams

Além disso, Ian também trabalha com projetos dentro dos Estados Unidos, como o American Dreams. O programa consiste em fotografar moradores de todos os cantos dos Estados Unidos e, em seguida, cada fotografado deve entregar à equipe uma carta feita à mão explicando qualquer que seja seu ‘’sonho americano’’.

Seguindo a mesma temática humanitária e social, o canadense se juntou ao projeto Dignitas, que atua na África Oriental. Essa organização capacita médicos e enfermeiros com a finalidade de trabalharem em locais sem infraestrutura nem recursos necessários para o atendimento hospitalar dos pacientes. Cuidando de pessoas sem distinção de idade ou gênero, os médicos do projeto tratam, sobretudo, pacientes com imunodeficiência adquirida (HIV). Nesse contexto, Ian se uniu à equipe para registrar a real condição dos habitantes da região.

Foto: Ian Brown – Dignitas

Trabalhando em diversas áreas insalubres e de conflito, o fotógrafo já foi condecorado com vários prêmios durante sua trajetória. Suas fotografias, por carregarem muita sinceridade, profundidade e emoção, chamam a atenção e destacam Ian Brown no meio de outros profissionais do ramo.

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

Foto: Ian Brown – Dignitas

9
abr

As prisões sob a ótica de Michal Chelbin


Reprodução: Antero de Alda

“Eu prefiro uma imagem que apresenta mais questões do que respostas”. Assim Michal Chelbin resume suas próprias obras. Nascida em Israel, no ano de 1974, a fotógrafa vive desde 2006 em Nova Iorque.

Seu interesse pela fotografia começou aos 15 anos de idade quando entrou no departamento de fotografia de sua escola em seu país de origem. Formada na Wizo Academia de Educação e Design, na cidade de Haifa, Israel, Michal sempre quis “criar sua própria imagem” e conseguiu com imagens que prendem a atenção e que causam questionamentos ao seu público. Seus trabalhos já foram exibidos nos Estados Unidos, na Galeria de Fotógrafos de Londres e no Museu de Arte de TelAviv. Sua primeira monografia chamase “Estranhamente familiar” e foi publicada na Primavera de 2008.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Estranhamente Familiar”

“Minhas imagens assumem a forma de retratos e se concentram em contrastes visuais. Acho que as pessoas são os assuntos perfeitos para eu investigar, pois possuem qualidades contrastantes que aparentemente não podem coexistir nelas como seres humanos. Eu gosto quando uma fotografia deixa um gosto de mistério ou tem alguns enigmas, para que nem tudo seja resolvido na imagem. Em outras palavras, prefiro uma imagem que apresente mais perguntas que respostas. Para mim, a imagem é como um portão para milhares de histórias possíveis, algumas atraentes e algumas perturbadoras.”

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Sua obra mais recente de sucesso chama-se “Veleiros e Gansos”. Michal passou cerca de seis anos percorrendo o Leste Europeu e explica o porquê: “Acho que parte do motivo pelo qual sou atraído por pessoas da antiga União Soviética é porque elas são cheias de contradições, difíceis por fora, mas quentes por dentro. Eles são muito determinados e disciplinados, especialmente as crianças, o que torna o trabalho do fotógrafo um pouco mais fácil. ”, conta a fotógrafa.

“Veleiros e Gansos” foi capturada em sete prisões espalhadas pela Ucrânia e na Rússia, e explora a sensação de se sentir preso e vigiado constantemente. O seu título se refere aos murais e aos fundos bucólicos e fantásticos que a fotógrafa encontrou durante seu deslocamento nas prisões em que visitou. Essas contradições da vida na prisão podem ser vistas em fotografias de mulheres vestindo uniformes floridos da prisão, assassinos trabalhando como cuidadores de crianças das mulheres recém chegadas às prisões femininas e em jovens garotas servindo ao lado de mulheres idosas.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

“No meu trabalho, tento criar um senso de mistério e narrativas multidimensionais. Nada é obviamente resolvido, e as perguntas aparecem para o espectador: quem é essa pessoa? Por que ele está vestido assim? O que significa estar trancado? É um ato humano? É justo? O que vemos quando olhamos para uma pessoa trancada? Nós o punimos com nossos olhos? Um assassino ainda parece um assassino? É humano ser fraco e assassino ao mesmo tempo? ”, completa a artista.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.

Foto: Michal Chelbin, do álbum “Veleiros e Gansos”.