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Archive for setembro, 2018

28
set

Uma festa de seres desejantes, por Gui Mohallem

Retrato de Gui Mohallem

No interior dos Estados Unidos, uma celebração pagã – o Beltane, festividade celta realizada entre o equinócio da primavera e o solstício de verão, um marco para comemorar a fertilidade agropastoril. É nesse cenário que o fotógrafo mineiro Gui Mohallem concebe o ensaio Welcome home, com imagens prenhes de mistério e sensualidade.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

“Foi ao desenvolver a série que entendi pela primeira vez a importância da experiência para o meu trabalho. Isso obviamente já acontecia, mas ficou mais evidente, durante a produção da série, que as imagens nunca existiram como tese, mas eram resultado direto das experiências internas que aconteciam durante as vivências”, conta o fotógrafo.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

A localização do lugar onde ocorre a celebração não é revelada, tampouco são identificados seus participantes. Tal cumplicidade com o ritual é pontuada por Gabriel Bogossian no texto curatorial que acompanha as imagens: “Mohallem não mimetiza a festa como alguém que se disfarça e se mistura ao exotismo alheio; olha-a de dentro como um dos que festeja, e o faz com a câmera; nada está externo, portanto, nada é invasivo; ouvimos as vozes e o hálito dos outros festejantes, pois a imagem se torna uma feitiçaria, que nos traz de volta o mundo, com o frescor de uma primeira vez”.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

“As fotos aconteciam somente uma vez por ano, durante as celebrações do Beltane. Por isso, eu tinha o ano todo pra processar o que tinha vivido/fotografado”, relata o fotógrafo. A série transformou-se em uma publicação, financiada em grande parte pela venda de pôsteres – impressos em papel algodão – de uma das fotos que compõe o trabalho.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

Concluída a publicação, e já alguns anos distante das visitas à festividade, Mohallem compreende a série como uma “jornada rumo ao Outro”. Nesse percurso, conta o fotógrafo, é necessário “entender o outro como sujeito (nunca como objeto), entender os encontros como encontros de dois sujeitos, dois seres desejantes”.

21
set

Autorretratos de Polly Penrose

Retrato de Polly Penrose.

“Para mim, a beleza do que faço está no elemento do acaso. A locação, geralmente desconhecida, acrescenta algo às imagens.” O comentário de Polly Penrose oferece uma abordagem interessante para observamos os autorretratos que apresentamos no post de hoje. Ao contrário de outras fotografias suas em que objetos são cuidadosamente selecionados e o corpo da fotógrafa se revela quase como uma escultura, aqui a vemos inserida em ambientes mais caóticos.

Foto: Polly Penrose

Foto: Polly Penrose

“As locações são encontradas por meio de contatos pessoais. São casas que aguardam reforma, escritórios, apartamentos abandonados, jardins… Sempre carrego minha câmera caso surja alguma oportunidade de fotografar”, conta Polly em entrevista ao site Hunger TV.

Foto: Polly Penrose

Foto: Polly Penrose

A fotógrafa busca comunicar “atmosferas emocionais” em suas fotografias. “Cada imagem é uma resposta espontânea na qual emoções circunstanciais são capturadas em estado bruto”, diz.

Foto: Polly Penrose

Foto: Polly Penrose

Reflexos, transparências e enquadramentos dentro do plano da imagem aparecem com frequência, adicionando novas camadas às imagens. Outra característica é o modo como o corpo da fotógrafa se mimetiza com o entorno, em espaços tanto interiores como exteriores – aspecto que, somado à ocultação do rosto, valoriza ainda mais a composição dos enquadramentos.

Foto: Polly Penrose

Foto: Polly Penrose

14
set

Susan Burnstine: imprevisibilidade e intuição

 

 

A fotógrafa norte-americana Susan Burnstine cria em suas imagens uma atmosfera fantasmagórica por meio de movimentos borrados, figuras disformes e paisagens nebulosas. Para criar atmosferas oníricas, aposta na imprevisibilidade de câmeras caseiras que ela mesma constrói.

 

 

 

“A série atual explora a forma pela qual o passado permanece conosco, como sombras. Essas imagens capturam memórias fugidias, como se captadas pelo canto do olho, desaparecendo no momento em que nos viramos”, conta a fotógrafa.

 

 

 

O processo de captura é um aspecto fundamental do trabalho de Susan: ela criou, à mão, 21 câmeras analógicas. A estrutura dos equipamentos, somada à atuação das lentes, torna o trabalho imprevisível e tecnicamente desafiador.

 

 

 

“As câmeras são primeiramente feitas de plástico, com partes de equipamentos vintage e objetos caseiros aleatórios. As lentes são feitas de plástico e borracha”, explica a fotógrafa.

 

 

 

“Aprender a superar as limitações dos equipamentos me levou a confiar no meu instinto e na minha intuição – as mesmas ferramentas fundamentais para interpretar os sonhos”, diz Susan, relacionando as questões técnicas do trabalho ao caráter onírico das imagens.

 

 

 

Nascida em Chicago, Susan Burnstine trabalha atualmente em Los Angeles. Sua produção fotográfica já circulou por espaços de exposição e revistas de diversos países. Mais do que uma ferramenta para fotografar e interpretar sonhos, a intuição, para ela, é um recurso fundamental para “explorar o invisível”.