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Archive for janeiro, 2018

25
jan

As alegorias e retratos de Julia Margaret Cameron

Não foi apenas para a economia e a política britânicas que a “Era Vitoriana” (1837 – 1901) foi sinônimo de prosperidade: a época também rendeu bons frutos no campo da cultura. Neste cenário, surgiu a obra de Julia Margaret Cameron (1815 – 1879).

Study of Beatrice Cenci, Model is May Prinsep, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Parting of Sir Lancelot and Queen Guinevere, 1874. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Kiss of Peace, 1869. Foto: Julia Margaret Cameron.

Cameron nasceu em 1815 em Calcutá, na Índia, onde seu pai, um oficial inglês da East India Company, levara a família à trabalho. Entre as irmãs, ela era considerada o “patinho feio” — mais tarde, Virgina Woolf a definiria como a talentosa dentre as três irmãs, no prefácio de sua primeira coleção de fotografias, publicada pela Hogarth Press em 1926.

The Red and White Roses, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Whisper of the Muse, G.F. Watts and children, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

Days At Freshwater, 1870. Foto: Julia Margaret Cameron.

Cameron foi educada na França, mas retornou à Índia para se casar com um jurista inglês. Em 1848, quando seu marido se aposentou, passou a morar na Inglaterra. Sua irmã Sarah Prinsep era proprietária de um estabelecimento frequentado por muitos dos mais importantes artistas e escritores da cena londrina, com quem Julia faria amizade.

The Day Spring, My Grandchild aged two years and three months, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

Love in Idleness, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

I Wait, 1872. Foto: Julia Margaret Cameron.

Por ser de família abastada, o envolvimento de Cameron com a fotografia foi sempre baseado no prazer, e não em outro tipo de necessidade. Ganhou sua primeira câmera já aos 48 anos, como presente de uma de suas filhas. Sua carreira decolou rápido. Em um ano, era membro das sociedades de fotografia inglesa e escocesa.

The Gardener's Daughter, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

King Lear allotting his Kingdom to his three daughters, 1872, by Julia Margaret Cameron

Sua relação com a nova ocupação era muitas vezes obsessiva, movida por um anseio de, nas palavras dela, prender toda a beleza que existe. Fazia com que seus modelos posassem por horas a fio enquanto ela laboriosamente revestia e expunha cada chapa. O resultado era pouco convencional: suas imagens tinham uma dose de subjetividade, forte apelo cênico e iluminação peculiar. A maior parte de suas fotografias se enquadra em duas categorias: retratos e alegorias encenadas, inspiradas em obras religiosas e literárias. As imagens que fez de seus amigos famosos, entre eles Charles Darwin, ajudaram a torná-la conhecida.

Charles Darwin, 1969. Foto: Julia Margaret Cameron.

Sir John Herschel with Cap, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

Julia Prinsep Stephen, sobrinha de Cameron, escreveu sua biografia, publicada na primeira edição do Dictionary of National Biography, em 1886. Stephen era, além do assunto favorito da fotógrafa, sua sobrinha e mãe de Virginia Woolf.

19
jan

A magia do fotojornalismo

Não há quem fique indiferente diante de uma fotografia forte. Um registro que conta alguma história do caótico cotidiano urbano – ou das mais violentas guerras – e ao mesmo tempo é plasticamente perfeito, consegue sensibilizar até mesmo quem não é fotógrafo. E é isso que move milhares de fotojornalistas ao redor do mundo diariamente. Com a intenção de reconhecer o trabalho desses profissionais, foi criado o World Press Photo, a principal premiação do fotojornalismo mundial. O evento, que teve sua 54ª edição realizada na Alemanha há poucos dias, é aberto a fotojornalistas, jornais, revistas e agências de notícia. A edição deste ano teve 5,691 participantes de 125 nacionalidades diferentes, e 108.059 imagens inscritas em 9 categorias: notícias locais, notícias em geral, pessoas, esportes, assuntos contemporâneos, cotidiano, retratos, arte e entretenimento e natureza . As melhores fotos de cada uma delas são escolhidas por um juri formado por 19 editores de fotografia, fotógrafos e representantes de agências de notícias de diferentes partes do mundo.

As fotografia vencedoras percorrem o mundo em uma exposição itinerante que visita mais de 100 cidades e 45 países. Além disso, elas são reunidas em um livro que é publicado anualmente em seis idiomas diferentes. O prêmio principal, chamado “A foto do Ano”, foi vencido pela jornalista sul-africana Jodi Bibier, que fotografou a afegã Aisha Bibi. O chocante retrato da jovem, que teve a o nariz e as orelhas mutiladas por não obedecer ao marido, foi capa da revista “Time”, tornando-se um símbolo da violência contra a mulher no Afeganistão.

Algumas fotos premiadas:

Foto de Daniel Berehulak retrata  vítimas da enchente no Paquistão. Venceu a categoria Notícias

Foto de Daniel Berehulak retrata vítimas da enchente no Paquistão. Venceu a categoria Notícias

Foto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria PessoasFoto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria Pessoas

Foto de Seamus Murphy retrata Julian Assange, fundador do WikiLeaks. 2º lugar na categoria Pessoas

Foto de  Mike Hutchings retrata o holandês Demy de Zeeuw sendo chutado no rosto pelo uruguaio Martin Caceres no jogo da semi-final da Copa do Mundo. Ganhou o 1º Lugar na categoria Esportes

Foto de Mike Hutchings retrata o holandês Demy de Zeeuw sendo chutado no rosto pelo uruguaio Martin Caceres no jogo da semi-final da Copa do Mundo. Ganhou o 1º Lugar na categoria Esportes

Foto de Joost van den Broek ganhou o 2º Prêmio com o retrato do marinheiro russo.

Foto de Joost van den Broek ganhou o 2º Prêmio com o retrato deste marinheiro russo

Foto de Corentin Fohlen, da Fedephoto, registra os conflitos em Bangkon, na Thailandia. Recebeu o 2º Prêmio de Notícias Locais

Foto de Corentin Fohlen, da Fedephoto, registra os conflitos em Bangkon, na Thailandia. Recebeu o 2º Prêmio na categoria Notícias Locais

Foto de Omar Feisal, feita em Mogadisíaco, na Somália, retrata homem carregando tubarão. Foi a vencedora da categoria Cotidiano

Foto de Omar Feisal, feita em Mogadisíaco, na Somália, retrata homem carregando tubarão. Foi a vencedora da categoria Cotidiano

12
jan

Baita Profissional traz Shanghai a Porto Alegre

Você já foi pra Shanghai? Fotografou a Torre Pérola Oriental, o impressionante sistema de trens e os coloridos luminosos à noite? Se fez isso, com certeza você chegou a cogitar – mesmo que por brincadeira – realizar uma exposição chamada Shanghai, não é? Pois o Baita Profissional, um coletivo formado por 15 fotógrafos que buscam criar trabalhos despojados, provocativos e bem humorados teve a mesma idéia, mas baseado em um proposta um tanto incomum.

A história toda teve origem quando Anderson Astor, um dos membros do coletivo e ex- aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, pediu a uma amiga trouxesse dos E.U.A alguns filmes, já que possui câmeras analógicas e o preço seria bem mais em conta. Só que no aeroporto o raio-x danificou grande parte dos rolos, deixando eles sem nenhuma chance de serem utilizados. Então Anderson buscou alternativas de baixo custo na internet e chegou até um filme preto e branco chinês de qualidade e marca completamente desconhecidos, chamado – veja só –  Shanghai GP3 100. A partir daí, na contra-mão da atualidade que nos cerca com tecnologia, ele sugeriu ao Baita Profissional que  deixasse as câmeras digitais de lado e seguisse o fio condutor do projeto: fotografar qualquer tema, desde que utilizando o filme Shanghai GP3 100 que, segundo Anderson, “É um filme mediano, vale para experimentação. Pra quem gosta de lomo, por exemplo, é uma boa alternativa devido ao baixo custo”

AndersonAstor

Crédito: Anderson Astor

O resultado é a exposição Shanghai, que teve sua primeira versão apresentada em 2010 na Usina do Gasômetro e também fez parte da programação do Canela Foto Workshops, em fevereiro deste ano. Pra quem perdeu – ou quer conferir de novo – Shanghai estará no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959) a partir de amanhã até o dia 28 de maio.

Crédito: Edy Kolts

Crédito: EdyKolts

Participam da amostra os Baita Profissionais: Anderson Astor (ex-aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Andréa Graiz, Carlos Stein, Eduardo Aigner, Edy Kolts (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Fábio Del Re, Fabrício Barreto, Fernando Schmitt, Guilherme Ko Freitag, Lucas Cuervo Moura, Marcelo Cúria, Paulo Backes, Ricardo Jaeger, Tamires Kopp, Ubirajara Machado e os fotógrafos convidados Ricardo “Kadão” Chaves (Editor de Fotografia do Jornal Zero Hora), Raul Krebs (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, Fotógrafo publicitário e ex-baterista) e Leopoldo Plentz (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul).

Crédito: Raul Krebs
Crédito: Raul Krebs

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Ricardo "Kadão" Chaves

Exposição Shanghai
Abertura: 01 de Abril de 2011, às 19h30
Local: Museu de Comunicação Hipólito José da Costa – Andradas, 959
Visitação: 02 de Abril a 28 de Maio de 2011, de terça à sábado, das 9hs às 18hs