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Archive for dezembro, 2017

8
dez

Eric Schwabel, o homem-estúdio

Eric Schwabel e seu estúdio portátil, 2010.

Eric Schwabel possui uma carreira bem-sucedida como fotógrafo em Los Angeles, mas há cerca de dois anos seu nome começou a se multiplicar exponencialmente por blogs e sites mundo afora. É o efeito do projeto “Human Light Suit”, um mirabolante estúdio de fotografia portátil que Schwabel acopla ao próprio corpo com o objetivo de produzir retratos ao ar livre sem abrir mão do controle total sobre a luz. Os personagens que ele escolhe fotografar, por sua vez, são pelo menos tão estranhos quanto a sua invenção e compõem uma galeria curiosa de retratos.

Foto: Eric Schwabel

Foto: Eric Schwabel.

A ideia de Schwabel tomou forma pela primeira vez em 2010, no festival Burning Man. Todos os anos, durante uma semana, esse evento leva cerca de 50 mil pessoas para o meio do deserto de Black Rock, no estado de Nevada (EUA), e as desafia a expressarem-se da maneira que quiserem. As regras de conduta são quase inexistentes e a arte é um dos maiores ingredientes de sucesso do evento. Foi o comportamento e a maneira de se vestir dos frequentadores que motivou Schwabel, um frequentador assíduo, a conceber um equipamento capaz de retratar essa estranha comunidade com a qualidade de uma foto de estúdio. As pessoas, cada qual mais exuberante do que a outra, são fotografadas contra o branco da areia e o denso azul do céu do deserto. Apesar dos desafios de fotografar nesse contexto, Schwabel se declara bastante econômico na hora de retocar, preferindo se restringir ao balanço de cor e à saturação especificamente das fotos em closeup.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

O “Light suit” de Schwabel contém luzes, refletores, uma câmera digital de médio formato e grandes baterias recarregáveis através de energia solar que mantêm toda a estrutura funcionando. O equipamento costuma ser alugado com a ajuda de patrocinadores que contribuem através do site kickstarter.com. A arrecadação para a terceira edição do projeto já começou e se estende ate o dia 6 de agosto.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

1
dez

Cem anos de Harry Callahan

Autorretrato. Foto: Harry Callahan

Pesquisar o acervo de fotografias deixado pelo norte-americano Harry Callahan (1912-1999) é conhecer as pessoas e lugares que ele amava. A sua aguda sensibilidade combinada com o experimentalismo incessante garantiu que, durante uma carreira de mais de 50 anos, ele sempre tenha encontrado novas maneiras de explorar temas pessoais, transformando a sua própria família e as cidades onde viveu em imagens capazes de fascinar um grande público.

Foto: Harry Callahan.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Se estivesse vivo, Callahan estaria comemorando seu centenário em 2012. Autodidata, ele se tornou fotógrafo amador no final dos anos 1930, quando adquiriu uma câmera e se uniu ao fotoclube da empresa Chrysler Motors de Detroit, onde trabalhava. Em 1941, influenciado por uma palestra de Ansel Adams, decidiu assumir a fotografia como profissão. Nos anos seguintes, Callahan chamou a atenção de grandes mestres da geração anterior à sua: László Moholy-Nagy o convidou para ensinar fotografia no Institute of Design (ID), em Chicago, e Edward Steichen selecionou suas fotografias para várias mostras no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

A versatilidade de Callahan está ligada ao uso de diversas técnicas, como alto contraste, múltiplas exposições e desfocados. Além disso, ele trabalhou com filmes em preto e branco e colorido, em pequeno, médio e grande formato. Uma de suas práticas comuns era reduzir seu objeto a formas tão simples que este beirava a abstração, como se buscasse a essência visual das coisas. Seu objetivo, no entanto, estava mais próximo de descrever com o mínimo do que dissimular ou distorcer. O resultado, fotografias extremamente elegantes, atualmente está preservado em algumas das mais prestigiadas coleções de arte no mundo.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Como professor, atividade que exerceu por boa parte de sua vida, Callahan aconselhava os alunos a seguirem seu exemplo enfocando temas familiares a cada um. No seu caso, isso significava fotografar a própria esposa e filha, assim como as ruas de cidades em que viveu e paisagens de lugares para onde viajava seguidamente. Dentro desse repertório, a presença da esposa Eleanor é especialmente frequente. Ela aparece nua ou vestida, na privacidade da sua casa ou em praças, em rios ou em meio a vegetação de florestas. A intimidade e confiança entre Callahan e Eleanor transparece nas fotos, que acabam revelando a força da relação que unia os dois. Em muitas imagens, Callahan mostra Eleanor e a filha do casal, Barbara, como pequenas figuras numa extensa paisagem rural ou urbana.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

O crítico John Szarkowski aponta que a maestria de Callahan estava na maneira como, durante décadas, ele foi capaz de expandir o potencial de assuntos banais ou íntimos encontrando novas formas de olhar para eles. Szarkowski, que comandou o departamento de fotografia do MoMA por mais de 30 anos, acredita que Callahan foi capaz de cumprir essa façanha porque a fotografia não era apenas a sua resposta às cenas que via, mas o próprio meio pelo qual ele vivenciava o mundo. A lógica da câmera estava sempre presente no seu olhar.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.