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Archive for abril, 2017

28
abr

Chernobyl 30 anos depois, por Quintina Valero


Entre abril de 2015 e março de 2016, a fotógrafa espanhola Quintina Valero percorreu a região de Narodychi, na Ucrânia, uma das mais afetadas pela explosão da usina nuclear de Chernobyl em 1986. Localizada 50 quilômetros a sudoeste do local do acidente, estima-se que a área teve cerca de 100 mil pessoas contaminadas pela radiação – em torno de 20 mil delas, crianças.

A tragédia maior se deve, segundo o relato da fotógrafa, ao enorme atraso na evacuação da população de Narodychi, que teria acontecido somente cinco anos após o acidente. Além da falha e consequente retardo na verificação dos níveis de radiação, as remoções teriam sido mal organizadas, deixando muitas pessoas para trás.

Há, no entanto, aqueles que acabaram retornando às localidades, seja pelo desejo de voltar a seus lares, pela descrença nos perigos da radiação ou pela necessidade de abandonar regiões em conflito para onde tinham se deslocado após o acidente. Também por falta de opção, muitos dos moradores acabam consumindo os alimentos que plantam no solo contaminado, aumentando os riscos em relação à saúde.

O cenário encontrado pela fotógrafa é de uma região abandonada. O atendimento médico é deficitário, sendo complementado com o apoio de órgãos internacionais. Doenças cardiovasculares, problemas no sistema imunológico e mortes por câncer atingem números alarmantes. Dramas que acabam se tornando parte de uma rotina desesperadora.

Quintina Valero estudou finanças e em 2001 se mudou para Londres, onde estudou fotojornalismo na London College of Communication. Suas séries retratam populações em situações de precariedade, muitas delas tematizando a questão da migração na Europa. Valero também já investigou a vida de ciganos nos Bálcãs e em países como Jordânia, França, Espanha e Inglaterra. A fotógrafa já exibiu seu trabalho em diversos países europeus.

 

 

 

25
abr

Yingting Shih: abstrações da natureza

Florestas que parecem tempestades, gotas d’água que lembram pérolas, troncos que parecem vistas aéreas de cidade. Tais associações, entre outras muitas possíveis, se dão ao contemplarmos as imagens do fotógrafo taiwanês Yingting Shih, na série Revelations of Nature [Revelações da natureza]. A série nos apresenta paisagens e outros elementos da natureza de modo surpreendente, explorando as possibilidades da linguagem fotográfica.

“Revelações da natureza é um projeto dedicado a ver a natureza de uma perspectiva totalmente diferente. Para mim, a fotografia proporciona infinitas revelações criativas sobre a vida cotidiana – um modo de descobrir vistas despercebidas, no entanto, belas da natureza”, comenta o fotógrafo.

Ao utilizar o preto e branco, a série reforça ainda mais seu caráter abstrato, afastando-se de uma fácil identificação sobre seus contextos. Shih joga com a escala das tomadas, seja se aproximando ou se distanciando dos espaços, e assim flerta com o desenho ao reforçar linhas e padrões gráficos. Novos mundos que se desvelam a partir dos movimentos do fotógrafo.

Nascido em Taiwan, em 1974, Yingting Shih vive atualmente na província de Taoyuan (Taiwan). É doutor em Comunicação – Jornalismo pela Universidade Nacional Chengchi e desde 2011 participa de festivais e concursos de fotografia, acumulando diversos prêmios.

 

18
abr

Jakob Schnetz: o universo absurdo das grandes feiras de negócios

 

Todo ano são realizadas em torno de 170 feiras nacionais de negócios na Alemanha, das quais participam cerca de 175 mil expositores que atraem milhões de pessoas das áreas mais variadas. De armas a animais de estimação, passando por artigos de luxo e beleza e chegando a inovações tecnológicas, todos esses itens são produtos que movimentam bilhões de euros somente na Alemanha. Esse universo é o foco do fotógrafo Jakob Schnetz na série Trade Fair [Feira de negócios].

 

 

 

O fotógrafo visitou feiras em cidades como Hannover, Berlim e Dusseldorf, no período de 2012 a 2014, com um olhar voltado a instantes que nos mostram algo em comum entre os eventos. Um certo clima absurdo que perpassa os espaços e que acaba fazendo com que todas as feiras se pareçam em alguma medida – e de fato, Schnetz não parece se interessar tanto pelo que está sendo negociado, e sim no entorno dos estandes.

 

 

 

As imagens por vezes apresentam um mundo que parece saído de um filme de ficção científica. Em outras, o que vemos é o humor do fotógrafo revelando detalhes que botam em xeque a racionalidade e assepsia dos locais onde são realizadas as feiras. Como se Schnetz insistisse em mostrar o que há de humano por trás de números e cifras. Um teatro que desaparece junto com os produtos expostos tão logo se encerram os eventos.

 

 

 

Nascido em 1991 em Freiburg, Alemanha, Jakob Schnetz estudou jornalismo na Universidade de Artes Aplicadas e Ciências de Hannover e em Tomsk, na Sibéria. Colabora com diversos jornais e revistas alemães e já ganhou prêmios como o German Youth Photo Prize com a série Trade Fair.