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Archive for fevereiro, 2017

24
fev

Os retratos de Hellen van Meene

 

 

Estranhamento, intimidade, beleza, flagrante e encenação se misturam nos retratos da fotógrafa holandesa Hellen van Meene. Sua produção se concentra em retratos de crianças e adolescentes, evocando mistérios de seus retratados. O uso meticuloso da luz natural é uma das principais características de seu trabalho.

 

 

 

 

Ao mesmo tempo que as imagens revelam certo rigor na composição, percebe-se que a fotógrafa conquista a intimidade de seus personagens – em sua maioria, garotas. Revelam-se as mudanças de fisionomia, a vulnerabilidade e a potência subjetiva das fotografadas, em retratos que fazem aflorar a curiosidade sobre como vivem, o que pensam e sentem as meninas de van Meene.

 

 

 

 

Um detalhe biográfico curioso da fotógrafa é que, já estudando em Amsterdã, ela retorna a sua cidade natal (Alkmaar, Holanda) para desenvolver seus primeiros trabalhos – não à toa, o local onde passou a infância e a adolescência. Para van Meene, há algo de realmente especial nos anos finais da infância e no período da adolescência. Ao observar os personagens da fotógrafa, é como se nos conectássemos de novo com camadas da personalidade que se ocultam durante a vida adulta.

 

 

 

 

 

As fotos de Hellen van Meene (Alkmar, Holanda, 1972) participam de exposições desde 1996 e fazem parte do acervo de instituições como o Guggenheim e o MoMA de Nova York. Ela vive em Heinoo (Holanda) e atualmente dedica-se também a outras abordagens além dos retratos de adolescentes.

 

21
fev

Ina Schoenenburg: um mergulho no entorno familiar

 

 

Ao longo de cinco anos, a fotógrafa alemã Ina Schoenenburg dedicou-se a fotografar as pessoas de seu entorno familiar mais próximo – suas relações com a filha e com seus pais. As imagens, no entanto, escapam de uma descrição de sua rotina diária. Ina busca uma abordagem que de alguma maneira dê conta da subjetividade presente no seu olhar, que possa trazer à tona algo de mais íntimo dessa convivência.

 

 

 

 

 

“Uma história que nos fala de ser e se tornar adulto; sobre proximidade e distância em nossa família; sobre as aspirações, ansiedades enterradas, tensões não ditas – e claro, sobre o estranho e único amor que os pais sentem pelos filhos e vice-versa”, conta a fotógrafa. São esses aspectos dificilmente representáveis que orientam o ensaio.

 

 

 

 

 

Em meio ao desenvolvimento da série, a memória e a reflexão sobre raízes familiares ganha um papel central. “A família está profundamente arraigada dentro de nós, por vezes, mais do que gostaríamos. Na companhia de familiares você recorda de onde veio e relembra os dias tranquilos da infância. Mas você também pode se lembrar de conflitos e da falta de entendimento”, conta Ina.

 

 

 

 

 

Nascida em 1979, em Berlim, onde vive e trabalha, Schoenenburg tem formações em arquitetura e fotografia, realizadas ao longo dos anos 2000. Desde 2013, participa de exposições individuais e coletivas com seu trabalho, que explora um envolvimento íntimo com quem é retratado, além de um interesse pelas paisagens rurais da Alemanha.

 

 

 

 

 

14
fev

Josh White e os subterrâneos de Seul

 

 

O olhar de um canadense em meio às multidões da capital sul-coreana. O fotógrafo Josh White (também conhecido como JT White) fez uma mudança repentina em sua vida: abandonou o curso de direito e foi dar aulas de inglês para crianças em Seul. Com a fotografia, encontrou uma maneira de se conectar com as pessoas e a cultura de sua nova residência.

 

 

 

 

 

Seguindo a tradição da street photography, as fotografias em preto e branco mostram fragmentos do dia a dia da cidade e dão indícios da postura do fotógrafo nas capturas. Revela-se a imersão de White no cotidiano de Seul, em busca de instantes que sugerem momentos de intimidade e de solidão na rotina agitada da metrópole.

 

 

 

 

 

Em entrevistas, o fotógrafo conta que seu interesse em fotografar os personagens anônimos de Seul nasceu da experiência incômoda de ser estrangeiro num país totalmente diferente de sua terra natal. Segundo conta, com sua câmera, White passou a entender melhor o lugar onde vivia e a se conectar mais com as pessoas ao seu redor. Junto a isso, encontrou uma linguagem para se expressar e para traduzir sua experiência em contato com uma nova e surpreendente realidade.

 

 

 

 

 

Josh White cresceu na ilha de Newfoundland, no leste do Canadá, onde foi jogador de hóquei na adolescência. Viveu um ano nos Estados Unidos, no estado de Winsconsin, e retornou ao Canadá para concluir o Ensino Médio. Iniciou a faculdade de direito e mais tarde foi viver na Coreia do Sul. Sua inspiração vem do desejo de contar histórias e dos encontros que a fotografia lhe propicia.