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Archive for janeiro, 2017

31
jan

Sonja Hamad: mulheres curdas em luta por reconhecimento

 

 

Uma luta que vai muito além do contexto geopolítico. No Curdistão Sírio – região localizada no norte da Síria, também conhecida como Curdistão Ocidental –, mulheres lutam contra as incursões do Estado Islâmico e pela igualdade de gênero. A realidade das Unidades de Proteção Feminina da região é apresentada no ensaio Jin – Jiyan – Azadi [Mulheres – Vida – Liberdade], da fotógrafa síria Sonja Hamad.

 

 

 

 

Uma das combatentes, Tiyda, de 30 anos – uma das mais velhas retratadas, em um grupo composto por jovens nos seus 20 e poucos anos –, dá o tom dos ideais que movem a guerrilha: “Devemos liderar a luta por liberdade política e social, tornando central essa batalha. Devemos democratizar todas as áreas da vida. Essa é a tarefa de todo revolucionário. É, ao mesmo tempo, a tarefa de todos os seres humanos conscientes”.

 

 

 

 

Ou seja, além de uma luta pela independência de um território – um país de facto que exige autonomia –, trata-se de uma batalha pelo reconhecimento de mulheres que recusam o papel tradicionalmente aceito na região. O discurso das combatentes, bem como o ensaio de Hamad, eleva o combate no Curdistão Sírio a um patamar universal de resistência e luta por direitos.

 

 

 

 

Nascida em Damasco, capital da Síria, em 1986, Sonja Hamad é filha de pais iazidis, uma comunidade étnico-religiosa curda. A partir dos três anos de idade, passou a viver com a família na Alemanha. Mais tarde, em Berlim, estudou fotografia na Ostkreuzschule, com um trabalho em torno de retratos. Hamad vive e trabalha na capital alemã, onde atua como fotógrafa freelance.

 

 

 

27
jan

Ícones do século 20, por Philippe Halsman

 

 

Nascido em Riga, na Letônia, o fotógrafo Philippe Halsman (1906-1979) tem em seu currículo um dado que faz dispensar maiores apresentações: ao longo de sua carreira, ele assinou nada mais, nada menos do que 101 capas da revista Life. Seus retratos inventivos incluem fotos de Andy Warhol, Mohammed Ali, Marilyn Monroe, Alfred Hitchcock, entre outras estrelas.

 

 

 

 

Halsman iniciou sua trajetória de fotógrafo na Paris dos anos 1930. Mais tarde, abriu um estúdio de retratos em Montparnasse, onde fotografou nomes da cena artística como André Gide, Marc Chagall, André Malraux e Le Corbusier. Na época, usava uma câmera reflex que ele mesmo havia desenhado.

 

 

 

 

Chegou aos Estados Unidos em 1940, após a invasão alemã na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Seu visto de emergência teria sido intermediado, segundo relatos, por Albert Einstein. Apenas cinco anos depois, em 1945, Halsman foi eleito presidente da American Society of Magazine Photographers, instituição na qual lutou por direitos dos fotógrafos, e em 1951 passou a integrar o time de fotógrafos da Magnum.

 

 

 

 

Entre seus retratos mais célebres, estão alguns que fez de Salvador Dalí. Os saltos do pintor diante da câmera deram início a uma marca do fotógrafo: pedir um salto a seus fotografados ao final dos ensaios, movimento que chamou de “jampology”. Pode-se dizer que Halsman é responsável por enriquecer nosso imaginário das figuras que marcaram o século 20 nas mais variadas linguagens artísticas.

24
jan

Valery Melnikov: as tensões na república de Lugansk

 

 

A revolução da praça Maiden, em Kiev, na Ucrânia, ocorrida entre 2013 e 2014, segue tendo consequências. Uma delas foi a intensificação de movimentos pró-Rússia no leste do país, o que levou a criação de duas repúblicas autoproclamadas: Donetsk e Lugansk, que se declararam independentes do governo ucraniano. A última é objeto de uma série de imagens do fotógrafo russo Valery Melnikov.

 

 

 

 

“Apesar das diversas tentativas de cessar-fogo e resolução do conflito, nenhum lado está pronto para baixar as armas”, conta o fotógrafo. Ao longo de aproximadamente três meses, a população de Lugansk ficou sem água e eletricidade, após cortes realizados pelo governo ucraniano.

 

 

 

 

Recentemente, negociações para trocas de prisioneiros avançaram, contribuindo para que o suprimento voltasse ao normal. Os conflitos na região levaram centenas de pessoas a buscarem novos lares. Enquanto isso, a tensão segue constante entre o governo de Kiev e os novos estados independentes pró-Rússia.

 

 

 

 

A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos é mais um elemento que provavelmente terá consequências na situação geopolítica do leste europeu e nas relações entre Rússia e Europa ocidental. Novos capítulos da história de lugar de fronteira que demarca tensões entre as principais potências do mundo.

 

 

 

 

Valery Melnikov é um fotógrafo russo que já recebeu diversos prêmios por conta de coberturas de conflitos recentes como os da Síria e de Kiev. Dedica-se ao fotojornalismo desde o início de sua carreira e já teve imagens publicadas nos principais periódicos da Europa e dos Estados Unidos. Suas fotos de Lugansk lhe renderam um dos prêmios do concurso internacional da Magnum em 2016.