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Archive for dezembro, 2016

20
dez

15
dez

Jessica Eve Rattner: a inteligência e vulnerabilidade de Lee

 

 

A fotógrafa norte-americana Jessica Eve Rattner conheceu por acaso a senhora Lee, protagonista do ensaio House of Charm. Em 2003, elas se tornaram vizinhas. Lee, uma senhora nos seus 80 anos, chamava atenção no bairro, sempre empurrando um carrinho de supermercado com latinhas que coletava para reciclar. Aos poucos, Rattner descobriu uma pessoa com uma inteligência que poucos ao redor percebiam.

 

 

 

“Me fascinam as construções culturais da saúde mental. Quem decide se Lee (ou qualquer um de nós) é louco ou não? E se ela o for, deveria ser forçada a sair de casa? Alguém deveria diagnosticá-la, dar-lhe remédios?”, questiona a fotógrafa.

 

 

 

A casa de Lee não tem calefação nem água potável, e ela é obrigada a fazer suas necessidades no banheiro de uma loja próxima. Alguns vizinhos reagem ao estado da residência e à sua situação de vulnerabilidade com preocupação em relação a possível desvalorização dos imóveis da região.

 

 

 

“O que mais me impressiona é sua felicidade. Lee não reclama de nada. Ela se diz contente, tanto com ela própria quanto com sua vida – um estado invejável para muitos de nós”, relata a fotógrafa. Rattner, no entanto, diz não romantizar essa situação, e sim suspeitar se, em algum momento de uma vida tão difícil, Lee não desvendou algum segredo as pessoas, de modo geral, parecem não encontrar tão facilmente.

 

 

 

Jessica Eve Rattner, vive em Berkeley, na Califórnia, e é formada em Serviço Social, e trabalhou nessa área até focar sua dedicação na fotografia, quando completou 40 anos. Desde 2010 participa de diversas exposições coletivas e individuais, tendo fotos suas publicadas em dezenas de publicações especializadas, bem como na coleção do Museum of Fine Arts de Houston.

 

 

13
dez

Suzanne Stein: o cotidiano de Skid Row, em Los Angeles

 

 

“As pessoas se abrem comigo porque se sentem honradas pela atenção. Me orgulha a permissão que me concedem para escutá-las e fotografá-las em momentos bastante intensos. Eu amo fotografar e busco criar coleções de imagens que reflitam a vida e seus momentos peculiares – em corridas, feiras, praias, desfiles… Mas aquelas fotos que eu me esmero para conseguir em Skid Row estão no meu coração. Descobri que todo mundo quer ser escutado por outra pessoa.”

 

 

 

 

O relato da fotógrafa norte-americana Suzanne Stein explica sua relação com os moradores de uma imensa área de Los Angeles, conhecida como Skid Row, onde vivem pelo menos seis mil pessoas em situação de vulnerabilidade – muitos dos quais, sem casa para morar.

 

 

 

 

Stein busca respeitar certos limites para preservar a imagem dos moradores de Skid Row e também sua própria integridade mental. Por vezes, diz a si mesma que é hora de partir. Ela também atende aos pedidos daqueles que não desejam ser fotografados. Dessa maneira, consegue acompanhar a vida da região e contar as histórias de quem lá vive em sua página do Tumblr.

 

 

 

 

“Enquanto me envolvo no processo, consigo me distanciar das situações que testemunho. É no fim do dia, muitas vezes, voltando para casa, que sou impactada pelo enorme peso do que vivenciei. Às vezes, quando termino uma dessas sequências, me restam poucas habilidades além do mais essencial: parar no sinal vermelho, mover meu corpo e comer algo que esteja no meu carro”, conta a fotógrafa em seu site.

 

 

 

 

Muitos dos fotografados somem sem deixar rastros, outros estão viciados em drogas e há ainda aqueles que correm riscos de serem agredidos física e sexualmente. Stein mostra o lado marginalizado de uma cidade que se notabilizou por seus estúdios de cinema e pelo imaginário da vida nos Estados Unidos construído por sua indústria. Imagens que são como um negativo do sonho americano.