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Archive for novembro, 2016

18
nov

“Tias”, de Nadia Sablin

 

 

O universo familiar é a matéria-prima do ensaio Aunties [Tias] da fotógrafa russa Nadia Sabin. Suas imagens, obtidas ao longo de sete anos, mostram a rotina de Alevtina e Ludmila, suas tias, nos meses mais quentes do ano, quando viajam à região noroeste da Rússia para veraneios no vilarejo de Alekhovshchina.

 

 

 

 

As imagens se revelam um comentário sobre vínculos familiares – das irmãs Alevtina e Ludmila e delas com a sobrinha. De forma bastante objetiva, dispensando recursos mais complexos, Nadia apresenta instantes desse cotidiano e abre espaço para o espectador imaginar o passar dos dias em um contexto desacelerado, de reconexão da fotógrafa com suas origens.

 

 

 

 

O dia a dia da dupla consiste em atividades domésticas – manutenção da casa, colheita de frutas, passatempos – por vezes encenadas pela fotógrafa, que resgata memórias da infância para pensar a composição de algumas das imagens. De certa forma, é como se Nadia buscasse garantir a permanência desse mundo em suas fotografias.

 

 

 

 

Há portanto um registro de caráter mais biográfico da vida das duas senhoras, como também um trabalho de colocar a própria vida de Nadia no cerne do ensaio. Mais do que isso, as memórias das personagens e da fotógrafa adquirem protagonismo com as imprecisões e invenções que fazem parte do trabalho de recordar o passado.

 

 

 

 

Nascida na Rússia, vivendo atualmente em Nova York, Nadia Sablin realizou seus estudos universitários nos Estados Unidos e já recebeu diversas distinções por sua produção fotográfica. Realizou exposições coletivas e individuais em importantes instituições norte-americanas como o Philadelphia Museum of Art. A série Aunties foi publicada em livro pela editora Duke University Press.

 

 

15
nov

A casa de Reynaldo, por Eduardo García

 

 

Um velho teatro que se torna uma casa com ares de palácio decadente. Nela vive Reynaldo Loti Perez, protagonista da série Home, do fotógrafo cubano Eduardo García. Suas imagens em preto e branco, de forte carga poética, mostram a rotina de um homem de poucos recursos materiais num local público que transformou em seu lar.

 

 

 

 

O interesse do fotógrafo parece ser menos o de documentar um exemplo dos problemas de moradia em Cuba, e sim retratar um personagem bastante singular que se apropriou de parte do teatro Campoamor, em Havana. García relata que Reynaldo mudou-se para a capital cubana no final dos anos 80, oriundo da província de Granna.

 

 

 

 

Com a morte de seu avô, Reynaldo ficou sem casa e acabou encontrando o teatro enquanto buscava emprego. Passou a trabalhar no local e a morar em um dos três camarins do Campoamor. Vive lá desde então, enfrentando as condições precárias da construção.

 

 

 

 

As imagens da série abrem espaço para a imaginação do espectador sobre a história de vida e a rotina de Reynaldo. De certa forma, as fotografias também servem de metáfora para a realidade de Cuba – um tempo em suspensão, alguma nostalgia e poucas perspectivas de mudança. Além disso, com o uso do preto e branco a tornar tudo mais homogêneo, é como se a construção e corpo de Reynaldo fossem feitos da mesma matéria que se desgasta, mas que resiste à passagem do tempo.

 

 

 

 

Nascido em 1978 em Havana, Eduardo García vive na capital cubana e colabora com um curso de fotografia do Novo México, nos EUA, desde 2011. Estudou no Instituto Enrique José Varona e na Academia de Arte Antonio Díaz Peláez. Desenvolveu inicialmente trabalhos em torno do audiovisual e de instalações, dedicando-se à fotografia urbana a partir de 2009. Algumas de suas fotografias fazem parte de coleções privadas de países europeus e das Américas.

 

10
nov

Kemal Jufri: a erupção do vulcão Merapi

 

 

Maior arquipélago – e 10º maior país – do mundo, a Indonésia está situada entre as placas tectônicas do Pacífico, Euro-Asiática e Indo-Australiana. São ao todo mais de 17 mil ilhas de origem vulcânica, com um histórico de erupções devastadoras ao longo da história, devidas aos sismos que atingem a região. Um desses eventos aconteceu em 2010, com a erupção do vulcão Merapi, que causou mais de 300 mortes e obrigou o deslocamento de 14 mil pessoas. As fotos de Kemal Jufri mostram as consequências desse evento e a relação do povo indonésio com os vulcões.

 

 

 

 

Em entrevista ao World Press Photo, o fotógrafo comenta que essa foi a maior erupção em 100 anos. Muitas pessoas já tinham sido evacuadas da região, mas tentaram voltar a suas casas para ver o que havia acontecido com o gado e seus pertences. Um retorno que foi fatal para muitos habitantes de vilarejos próximos ao vulcão.

 

 

 

 

Nas imagens, Jufri mostra não só registros mais objetivos e trágicos da erupção, como também detalhes da convivência dos indonésios com os vulcões, aos quais são associados divindades. Colheitas e oferendas são destinadas aos vulcões, muitas vezes vistos como vinculados à fertilidade do solo. Uma relação bastante particular, apesar do potencial destrutivo sempre presente na região.

 

 

 

 

Vivendo em Jacarta, capital da Indonésia, Kemal Jufri começou sua carreira como fotógrafo da agência France Presse. A partir do início dos anos 2000, passou a atuar como fotógrafo freelance, realizando coberturas para veículos como a revista Time e o jornal The New York Times, entre outras publicações consagradas. Suas imagens da erupção de 2010 foram reconhecidas em diversas premiações de fotojornalismo ao redor do mundo.