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Archive for outubro, 2016

18
out

As tribos fashion de Daniele Tamagni

 

 

O que une metaleiros de Botsuana, beldades gordas e magras de Dakar e punks de Mianmar? Esta parece ser a busca do fotógrafo italiano Daniele Tamagni no ensaio Fashion Tribes [Tribos fashion], que reúne fotografias de séries suas concebidas em diversos países. Tamagni retrata estilos de vida dissonantes dos padrões hegemônicos e suas expressões através da moda.

 

 

 

 

Há muito o que se explorar em cada contexto onde Tamagni se insere. O fotógrafo relata, por exemplo, a respeito dos punks de Burma (Mianmar), a relação – e a ruptura – dessa tribo em relação aos monges budistas das principais cidades do país. Ele também apresenta dois tipos de mulheres do Senegal, chamadas de Disquette e Drianke – vaidosas em igual medida, porém, estas defendendo a exuberância de corpos volumosos, enquanto aquelas apostam numa apropriação dos padrões skinny das modelos internacionais.

 

 

 

 

Independentemente das particularidades de cada grupo, há uma convergência em relação à postura de resistência dos personagens, de enfrentamento dos padrões de cada sociedade e de criatividade na apropriação e subversão de signos do mundo ocidental. Ao mesmo tempo, torna-se possível observar semelhanças – formais e políticas – entre as manifestações. É esse jogo identitário próprio da globalização que Tamagni revela em suas imagens.

 

 

 

 

Nascido em 1975, em Milão, na Itália, Daniele Tamagni é formado em História da Arte e alterna sua dedicação entre projetos pessoais e ensaios de moda. Tem como principal interesse retratar comunidades da África – ou de origem africana em outros países –, entre outros grupos étnicos, buscando suas formas de expressão por meio da moda. Já ganhou diversos prêmios, entre os quais um World Press Photo na categoria Artes e Entretenimento por uma série que mostra mulheres bolivianas que praticam luta livre.

 

 

14
out

O arquivo da fotógrafa polonesa Stefania Gurdowa

 

 

Na cidade polonesa de Debica, descobriu-se, pouco mais de uma década atrás, cerca de mil placas de fotografias que retratavam habitantes da localidade nas décadas de 1920 e 1930. No material encontrado, havia poucas indicações de quem seria o autor as fotografias. Após uma imersão mais aprofundada, no entanto, descobriu-se quem era a pessoa detrás da câmera.

 

 

 

 

 

 

 

O nome dela era Stefania Gurdowa, nascida em Bochnia em 1888, uma fotógrafa independente que não obteve reconhecimento enquanto vivia e que se dedicava principalmente a fazer retratos de seus vizinhos – de comerciantes a padres e integrantes da comunidade judaica da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

Segundo informações do site Lens Culture, Stefania teria estudado fotografia e mais tarde aberto seu próprio estúdio, que funcionou de 1921 a 1937 em Debica. Durante a Segunda Guerra, o espaço foi ocupado pelo exército alemão. Stefania casou-se e se divorciou no final dos anos 1930. Teve uma filha, Zosia, que mais tarde migrou para a França. Stefania, no entanto, permaneceu na Polônia.
A maior parte da produção de Stefania perdeu-se depois de sua morte, em 1968. Os negativos encontrados estavam escondidos em uma parede de seu estúdio – não se sabe bem ao certo se por iniciativa da própria fotógrafa ou de outra pessoa que quisesse preservar o acervo. Imagens que sobreviveram ao tempo e que se apresentam repletas de indagações.

 

 

 

 

 

 

11
out

O céu e as luzes noturnas, por Clarissa Bonet

 

 

A paisagem urbana noturna e sua relação com quem vive nas cidades é o principal interesse da fotógrafa norte-americana Clarissa Bonet no ensaio Stray Light [Luz difusa]. A fotógrafa compõe cada imagem a partir de uma série de capturas que retratam, em sua visão, um novo cosmos inaugurado pela modernidade e pelo crescimento das grandes metrópoles.

 

 

 

 

“Eu reformo a paisagem urbana a partir do meu olhar, que busca reconstruir os céus em sua ausência sobre a cidade. A luz que emana de cada janela diz respeito a um mundo desconhecido, evocando uma sensação de mistério e admiração”, conta a fotógrafa. “Não olhamos mais para o céu noturno – agora, olhamos para a cidade com esse encantamento”, completa.

 

 

 

 

As imagens revelam uma constelação de luzes – espaços íntimos vistos de fora, cada um com sua potência de personagens e histórias de vida. A partir de uma observação bastante singela, Clarissa amplia os significados de um visão corriqueira de quem anda pelas cidades, trazendo à tona uma reflexão sobre relação dos seres humanos com a luz, os ciclos do planeta e a nossa existência.

 

 

 

 

Clarissa Bonet vive e trabalha em Chicago. Estudou fotografia na Columbia College Chicago e na University of Central Florida. Seu trabalho já foi exibido em diversos países e faz parte da coleção de instituições como Museum of Contemporary Photography (Chicago), South East Museum of Photography  (Flórida)e The Haggerty Museum (Milwaukee).