Skip to content

Archive for outubro, 2016

28
out

O mundo escondido da Primeira Guerra Mundial, por Jeff Gusky

 

 

Há exatos cem anos, a humanidade defrontava-se com um conflito mundial sem precedentes, que resultou na morte de mais de 16 milhões de pessoas – dos quais 7 milhões eram civis. O impacto da brutalidade e dos traumas da I Guerra Mundial, até então inéditos em magnitude, dificilmente podem ser compreendidos nos dias de hoje. Uma parcela dessa memória é resgatada pelo fotógrafo norte-americano Jeff Gusky, que explora esconderijos subterrâneos franceses na série The Hidden World of WWI [O mundo escondido da Primeira Guerra Mundial].

 

 

 

 

“As conquistas espetaculares do progresso fizeram com que as pessoas perdessem contato com a fragilidade da civilização – e com seus instintos de autoproteção. Levou menos de 30 anos [no início do século 20] para que as novas democracias, intoxicadas pelo progresso, marchassem de forma entusiasmada em direção a um moedor de carne – a primeira destruição em massa moderna”, explica o fotógrafo.

 

 

 

 

A pesquisa de Gusky começou com a exploração de ruínas e espaços de memória da I Guerra que estavam sobre o solo. Pouco a pouco, a cada nova entrevista, o fotógrafo foi descobrindo novos locais que guardavam resquícios da história do conflito, entre eles, cidades subterrâneas – em sua maioria, localizadas em propriedades privadas, sem acesso permitido a turistas. Um mundo repleto de inscrições feitas por soldados: nomes, figuras religiosas, insígnias e escritos diversos, nas línguas mais variadas – talhados ou pintados nas pedras.

 

 

 

 

Gusky ressalta a curiosa proximidade de quem viveu aquela época com nossos contemporâneos. “Eles amavam baseball, viviam em prédios altos, dirigiam carros e assistiam a filmes”, comenta o fotógrafo. “Eles foram as primeiras testemunhas do lado obscuro do progresso moderno, da primeira destruição massiva moderna, na qual as tecnologias que fazem a vida moderna possível foram usadas para destruir a vida numa que escala que era – e ainda é – inconcebível”, conclui.

 

 

 

 

Nascido em Dallas, Texas (EUA), Jeff Gusky é formado em medicina e divide sua atuação entre a fotografia e atendimentos de rurais emergência. Seu trabalho é dedicado a apresentar fragmentos do passado que nos revelem as fragilidades da vida moderna. Seu terceiro projeto de maior porte, The Hidden World of WWI foi amplamente noticiado pela mídia devido ao ineditismo de suas imagens.

 

25
out

Hajdu Tamás: humor e absurdo numa cidade romena

 

 

Imerso no cotidiano da cidade de Baia Mare, no noroeste da Romênia, onde vive, Hajdu Tamás elenca uma série de instantes em que se percebe seu olhar atento ao ordinário e ao inusitado das ruas. Suas imagens explicam pouco de seus contextos – o espectador é brindado apenas com pistas de cada situação retratada pelo fotógrafo.

 

 

 

 

Um humor sutil perpassa as imagens, muitas delas tendo animais como protagonistas – o que remete a um dado biográfico: Tamás é veterinário há mais de dez anos. Há, no entanto, menos um interesse pela vida animal em Baia Mare e mais uma atenção ao absurdo de certas cenas, que por vezes trazem também algo de cinematográfico em suas luzes e composições.

 

 

 

 

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, Tamás destaca o contexto de contradições da vida romena como elemento que favorece seu trabalho – tudo aquilo que diz respeito aos tempos e ruínas que se sobrepõem da época do comunismo e dos anos que se seguiram. Nesse sentido, o periférico contemplado por Tamás parece falar também do lugar ocupado pela Romênia no mundo ocidental – o retrato de um país e sua história de transformações.

 

 

 

 

Nascido em Simleu Silvaniei, na Transilvânia (Romênia), em 1976, Hajdu Tamás atua como veterinário e fotógrafo na cidade de Baia Mare, onde desenvolve a maior parte de sua produção. Nos últimos anos, tem participado de feiras e concursos fotográficos, além de ter seu trabalho publicado em diversas revistas europeias.

 

 

 

21
out

A vida aquática de Silvie De Burie

 

 

O fascínio pela vida aquática faz com que a fotógrafa belga Silvie De Burie se desloque anualmente ao resort Portulano Dive, nas Filipinas, para fotografar recifes de corais. Ela passa períodos de três meses – de janeiro a março – no local, fazendo, ao todo, mais de cem mergulhos. Silvie chega a passar seis horas diárias embaixo d’água, alternando imersões que alcançam os 15 metros de profundidade.

 

 

 

 

A rotina habitual de Silvie transcorre na cidade belga de Gent, onde ela trabalha como guia turística, mas sua paixão pela vida submarina tem mais de uma década. Somente nos últimos anos, no entanto, ela passou a levar uma câmera consigo para registrar os recifes. Em entrevista à revista Wired, Silvie conta que o mais comum entre os mergulhadores é nadar sem dedicar maior atenção aos corais – os quais, para ela, são o verdadeiro tesouro dos mares.

 

 

 

 

“Cada fotografia revela um padrão gráfico colorido e fascinante, que se trata, na verdade, de uma colônia de pequeníssimos organismos. Os recifes dos oceanos estão aí há milhões de anos. Deveríamos dar atenção a esse grande baú de tesouros”, reflete a fotógrafa.

 

 

 

 

Silvie De Burie estudou artes audiovisuais, época em que começou a explorar a fotografia. Em seus mergulhos, usa lentes macro em câmeras devidamente protegidas da água, e ilumina os corais com duas unidades de flash eletrônico especialmente projetadas para fotografia submarina. Muitas vezes, segundo a fotógrafa, só no momento de tratar as imagens é que ela consegue ver, de fato, as cores e texturas, dada a dificuldade de enxergar com nitidez sem luz artificial. Uma dedicação, portanto, repleta de surpresas.