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Archive for setembro, 2016

20
set

Serge Najjar: abstração geométrica e as formas de habitar o espaço

 


Apaixonado pela arquitetura, o fotógrafo Serge Najjar percorre o Líbano nos fins de semana – sua atuação principal é como advogado – em busca de cenas cotidianas em que os traços arquitetônicos ganham protagonismo. As imagens aproximam-se da abstração geométrica, revelando também interações da paisagem urbana com seus habitantes.

 


 

 

As pessoas que aparecem nas imagens são desconhecidas de Najjar, personagens discretas que chamam atenção para diferentes formas de habitar os edifícios e as cidades. São elas que dão o entendimento da escala de cada plano e trazem o elemento humano para o jogo de formas da arquitetura, a partir do qual é possível imaginar suas histórias e relações com as construções.

 

 

 

 

Essa abordagem valoriza o instante em que as fotografias foram obtidas. Não interessa ao fotógrafo uma tipologia neutra: cada plano mostra um momento particular da vida de uma pessoa e da história de um espaço. Tampouco importa tanto o desenho mais ou menos arrojado das fachadas: são as pessoas o elemento comum que perpassa as imagens, chamando atenção para os usos e ocupações de cada construção.

 

 

 

 

Nascido em Beirute, no Líbano, Serge Najjar é doutor em Direito Civil. A divulgação de seu trabalho como fotógrafo começou com uma conta no Instagram (@serjios) em 2011. Desde então, aprimora seus conhecimentos em fotografia, realiza suas primeiras exposições e participa de feiras internacionais.

 

 

 

 

16
set

Hanne Van der Woude: o gene ruivo e a paisagem holandesa

 

 

Embora os tons avermelhados sejam os que chamam mais atenção nas imagens da série MC1R – Natuurlijk rood haar [MC1R – cabelo ruivo natural], foram as cores da paisagem nos arredores de Nijmegen (localidade próxima da fronteira da Holanda com a Alemanha) que nortearam o desenvolvimento do ensaio da fotógrafa Hanne Van der Woude.

 

 

 

 

À beira do rio Waal, Hanne refletiu sobre como tornar o verde das árvores ainda mais verde. Veio à tona em seus pensamento a complementaridade das cores e, consequentemente, o efeito que o vermelho provocaria nas imagens – mais especificamente a tonalidade capilar dos ruivos.

 

 

 

 

A fotógrafa então partiu em busca de modelos para compor as imagens – uma busca que começou em escolas primárias e se estendeu à abordagem de pessoas nas ruas. O apelo das cores somou-se a uma notícia sobre a possível “extinção” das pessoas de cabelo ruivo, cujo gene definidor dessa característica estaria se tornando menos frequente.

 

 

 

 

Nascida em 1982, em Nijmegen (Holanda), Hanne Van der Woude estudou na Artez Academy of Arts e desde 2004 participa de exposições individuais e coletivas na Europa e na Ásia. Em seus ensaios, a fotógrafa traz referências da tradição da pintura francesa. O livro da série MC1R reúne fotos de 150 pessoas ruivas em paisagens holandesas.

13
set

Esculturas do processo evolutivo, de Patrick Gries

 

 

Uma abordagem estética e científica, que nos fala sobre como as espécies vivas do nosso planeta chegaram a seus estágios atuais. A série Evolution [Evolução], do fotógrafo Patrick Gries, apresenta mais de 250 imagens de esqueletos de animais mantidos pelo Museu de História Natural de Paris e outras quatro instituições francesas.

 

 

 

 

São imagens em preto e branco que detalham caminhos evolutivos de espécies vertebradas. De modo rigoroso, Gries revela os ossos dos animais sem qualquer outro elemento que não seja o fundo escuro comum às imagens. É quase como um catálogo da vida na Terra, com esqueletos que adquirem um caráter escultórico sob o olhar do fotógrafo.

 

 

 

 

Na publicação que reúne as imagens, textos breves descrevem os processos evolutivos de repetição, adaptação, polimorfismo, seleção natural, entre outros observados ao longo dos estudos de cada esqueleto. Gries mostra os indícios de transformações que levaram milhões de anos até ganharem forma nos corpos dos animais.

 

 

 

 

A tipologia concebida pelo fotógrafo traz à tona a teoria da evolução de Darwin – indiscutível, embora repleta de mistérios que vão sendo solucionados à medida que são descobertos novos fósseis. Gries eterniza no plano fotográfico etapas do processo evolutivo que fascinam e servem de material de pesquisa para estudiosos de agora e dos séculos que estão por vir.

 

 

 

 

Nascido em 1959, em Luxemburgo, Patrick Gries começou a trabalhar como fotógrafo nos Estados Unidos, na década de 1980. Em 1992, mudou-se para Paris e desde então desenvolve projetos autorais e comissionados, para instituições como o Musée du Quai Branly e a marca Louis Vuitton.