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Archive for setembro, 2016

30
set

Eldar Zeytullaev: personalidades da fauna

 

 

Uma tipologia que convida o espectador a refletir sobre as distintas personalidades das plantas. O fotógrafo russo Eldar Zeytullaev explora a aparência da fauna e os significados que atribuímos a seus contornos. Com uma estética que lembra as fotografias do alemão Karl Blossfeldt, Zeytullaev apresenta espécies variadas contra um fundo branco, em imagens que remetem a desenhos.

 

 

 

 

“Todo esplendor e caos das qualidades pessoais estão dentro de uma pessoa e apenas esperam pelo momento de serem encontradas”, reflete o fotógrafo. “Resta observar como cada um vive e age em meio as fronteiras permeáveis da personalidade”, completa. Na visão de Zeytullaev, a flora segue uma lógica similar.

 

 

 

 

Embora o fotógrafo estabeleça essa relação entre plantas e humanos, as fotografias contêm quase nenhum dramatismo. As capturas são feitas com o mesmo tipo de luz, evitando sombras marcadas, como se fossem obtidas para um catálogo botânico. A série Planta Sapiens abre, assim, espaço para que novos significados se construam a partir de cada olhar.

 

 

 

 

Nascido em 1986, em Novorosiysk (Rússia), Eldar Zeytullaev estudou design gráfico na Universidade de Sholokhov. Desde 2009, já realizou duas exposições individuais em sua cidade natal, além de participar de diversas exposições coletivas e leituras de portfólio na Europa e nos Estados Unidos.

27
set

O edifício Moth, por Fredrik Lerneryd

 

 

Em Joanesburgo, capital da África do Sul, cerca de 400 pessoas haviam sido removidas de uma área residencial, tendo suas casas derrubadas para a construção de um shopping. Elas foram transferidas para o edifício Moth, localizado a alguns minutos de caminhada da estação central de trens. Era pra ser uma moradia temporária, ocupada pelo prazo de um ano. O período, no entanto, estendeu-se para seis anos.

 

 

 

 

As condições são precárias, embora desde fora não seja possível ter uma noção mais precisa de como é o interior do edifício. Em vez de paredes, as habitações são divididas por cortinas. Grande parte dos banheiros não funciona e o banho é sempre com água fria. A falta de saneamento resulta em um ambiente fétido. Além disso, focos de incêndio são comuns em alguns dos espaços.

 

 

 

 

Os problemas estruturais do edifício correspondem à vulnerabilidade dos moradores. Sem qualquer dinheiro, as famílias não conseguem colocar seus filhos em escolas. Para protegê-los, as mulheres assumem a posição de mães de todas as crianças. Desemprego e alcoolismo também fazem parte da rotina do Moth, que pouco a pouco vai se tornando um local de moradia sem perspectivas de mudança.

 

 

 

 

Fredrik Lerneryd é um fotojornalista sueco, vivendo em Nairobi, no Quênia, realizando coberturas para a agência AFP, para a mídia sueca e veículos como Al Jazeera e The Guardian. Em seus trabalhos, busca histórias de cunho social.

 

 

23
set

As casas sobre rodas de Pau Montes

 

 

“Entendemos o morar em um apartamento ou casa como uma necessidade. São lugares que nos permitem fechar a porta para nos isolarmos do entorno. O contato com outras pessoas ao nosso redor torna-se uma opção, uma escolha. Os espaços onde vivemos, como donos ou locatários, viram objetos de especulação. Muitas vezes, acabamos vivendo para podermos possuir uma residência dessas. Essa é a forma como a maioria de nós decide viver, e geralmente não a questionamos. Mas algumas o fazem.” O fotógrafo espanhol Pau Montes parte dessa constatação no ensaio Wagenkultur [Cultura do vagão, em tradução livre do alemão].

 

 

 

 

Montes conta que em diversas cidades alemãs é possível encontrar comunidades que vivem em caravanas, caminhões e trailers. Pessoas de diferentes origens e profissões que escolhem formas alternativas de habitar o espaço. Nesse sentido, o fotógrafo parece fazer um jogo de palavras com o termo Wagen [vagão] e o verbo de mesma grafia, que em alemão significa ousar, arriscar.

 

 

 

 

Não se trata unicamente de uma necessidade financeira, ressalta o fotógrafo no texto que acompanha a série. Há também – e talvez isso seja o mais importante – um desejo de mobilidade e não pertencimento – não só a um local, como também em relação ao espaço como propriedade. Nas imagens, vemos a intimidade desses lares móveis, sua funcionalidade e formas criativas de serem aproveitados.

 

 

 

 

Espanhol, Pau Montes é engenheiro e atualmente vive em Munique, na Alemanha, onde também desenvolve sua produção fotográfica. Seu trabalho é diversificado, abordando também questões relacionadas à paisagem e à arquitetura. A série Wagenkultur foi comentada em diversas publicações internacionais.