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Archive for agosto, 2016

30
ago

Thomas Kellner: Genius Loci

 

 

As relações históricas entre as cidades de Siegen (Alemanha) e Yekaterinburg e Perm (Rússia) são o tema da série Genius Loci – expressão latina que corresponde à “espírito do lugar” – do fotógrafo alemão Thomas Kellner. O vínculo entre as localidades é o seguinte: em virtude de seus conhecimentos de metalurgia, o engenheiro alemão Georg Wilhelm Henning (1676 – 1750), natural de Siegen, foi convidado pelo czar Pedro, o Grande, no século 18, para desenvolver a indústria russa, principalmente em Yekaterinburg e Perm.

 

 

 

 

Kellner visitou as cidades em busca de relações arquitetônicas entre elas, principalmente no que diz respeito às plantas industriais da região alemã de Siegerland e dos Urais, na Rússia. Suas imagens são obtidas de forma analógica, fazendo uso de película 35 milímetros. Cada uma delas ocupa um lugar específico nas composições que reúnem os fragmentos.

 

 

 

 

As cidades Yekaterinburg e Perm, mais tarde, viriam a se tornar polos industriais. A atuação de Henning ainda se estendeu pela Europa – na década de 1720, ele fundou as primeiras escolas de mineração na Rússia e viajou pela Europa para promover o ofício.

 

 

 

 

Os ângulos escolhidos pelo fotógrafo acabam gerando um grande mosaico formado por fotogramas. É possível distinguir as construções escolhidas por Kellner. No entanto, sua estética fragmentária utiliza enquadramentos que desfazem uma eventual imagem completa dos locais. Na recombinação do que é observado, o fotógrafo abre espaço para o estranhamento e para uma atenção maior a cada elemento que forma as imagens.

 

 

 

 

Thomas Kellner nasceu em Bonn, em 1966. Estudou artes, sociologia, política e economia na Universidade de Siegen. Já realizou exposições em cidades como Londres, Paris, Nova York e Brasília – onde desenvolveu um trabalho relacionado aos 50 anos da capital brasileira, em 2010.

 

27
ago

Jesse Marlow: a cidade em fragmentos

 

 

Obtidas entre 2005 e 2012, as imagens da série Don’t Just Tell Them, Show Them [Não conte apenas, mostre a eles] revelam o olhar muito particular de Jesse Marlow. As fotos apresentam ruas de cidades australianas – Marlow vive em Melbourne – e de lugares visitados pelo fotógrafo em suas viagens. Mistério, surpresas, poesia. Tudo isso em situações banais do cotidiano.

 

 

 

 

A interação entre personagens e paisagens é um dos principais aspectos que observamos nas fotografias. Marlow busca enquadramentos que ressaltem elementos arquitetônicos, criando cenários inusitados no plano da imagem. Mais do que momentos corriqueiros, vemos composições cuidadosas que abordam a forma como habitamos esses espaços.

 

 

 

 

É praticamente impossível identificar onde o fotógrafo está. Mais do que imagens de cidades, Marlow compartilha uma certa sensibilidade em relação ao contexto urbano, um olhar que procura encontros – entre pessoas e espaços, objetos e espaços – exibidos de forma fragmentada. Ele nos retira os contextos, trazendo à tona instantes de um observador que se abre para o acaso ao seu redor.

 

 

 

 

Australiano, nascido em 1978, Jesse Marlow vive e trabalha em Melbourne. Desde 2003, publica livros e realiza exposições coletivas e individuais na Austrália e na Europa. Participou do coletivo fotográfico Oculi entre 2003 e 2012 e é integrante do grupo de fotografia urbana In-Public desde 2001.

 

 

 

23
ago

Christian Houge: o homem, o lobo e a sombra

 

 

Os limites entre natureza e cultura são abordados pelo norueguês Christian Houge na série Shadow Within [Sombra interior]. “Busco explorar profundamente na psique do espectador o que ele pode aprender de seus lados sombrios e seu instinto animal – medo, agressividade, hierarquia, sexualidade e solidão, para citar alguns aspectos”, reflete o fotógrafo.

 

 

 

 

Houge conta que, no convívio com os lobos, descobriu indivíduos de distintas personalidades, as quais, na sua visão, guardam muita semelhança em relação aos seres humanos. “Como os lobos, nós temos estruturas sociais robustas e baseamos muito de nossas vidas no medo. Além disso, a linguagem corporal tende a se sobrepor em relação a falada”, exemplifica.

 

 

 

 

Para realizar a série, Houge precisou conquistar a confiança dos lobos – apenas uma parte da imersão do fotógrafo no contexto de vida dos animais. Ele também realizou cursos de linguística para entender melhor a comunicação entre e com os animais. “Tive que buscar dentro de mim e de minhas sombras para que essa série pudesse acontecer”, completa o fotógrafo.

 

 

 

 

Nascido em 1972, em Oslo, Noruega, Christian Houge explora as relações entre natureza e cultura de diversas formas. Desde 1997, apresenta seus trabalhos em exposições coletivas e individuais pela Europa.