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Archive for julho, 2016

19
jul

Ethan James Green: a juventude de Nova York

 

 

Desde os 14 anos, quando vivia em Michigan, Ethan James Green queria ser fotógrafo de moda. Em seguida, tendo a carreira de modelo como uma oportunidade, Green mudou-se para Nova York. Em meio a seus contatos profissionais, conheceu o fotógrafo David Armstrong, com quem passou a trabalhar – e cujos retratos passou a admirar. Inspirado pelos ensaios de Armstrong – que viria a falecer em 2014 –, Green concebeu a série Young New Yorkers [Jovens nova-iorquinos].

 

 

 

 

Os retratos de Green dialogam com a produção de Armstrong – que era amigo de Nan Goldin e que, como ela, retratou de forma crua o cotidiano de jovens de Nova York. “Me apaixonei pelos personagens que Armstrong tinha fotografado”, conta Green. “Ao passo que Armstrong me contava histórias do passado, decidi buscar equivalentes nos dias de hoje”, explica.

 

 

 

 

Pouco a pouco, Green estabeleceu uma rede de amigos para seus retratos, tendo suas contas no Instagram e no Tumblr como apoio para divulgar o projeto. Seus personagens incluem pessoas das comunidades queer e transexual de Nova York, além de frequentadores da vida noturna e cultural da cidade.

 

 

 

 

Green relata que, com o uso das redes sociais, tornou-se mais fácil para jovens de diversas localidades dos Estados Unidos fazerem contatos com moradores de Nova York, tendo assim a oportunidade de descobrirem a metrópole e se libertarem de suas rotinas e cidades natais. São esses novos personagens que tornam a cidade uma fonte inesgotável de histórias para os retratos de Green.

 

 

15
jul

Stefano Schirato: Olho por olho

 

 

Na Albânia, a fragilidade do Estado nas décadas que se seguiram ao fim da União Soviética levou o país a um resgate de leis tradicionais do seu passado tribal. Entre elas, o direito de uma pessoa se vingar de um assassinato matando um membro da família do assassino – artigo 7 do Kanun, espécie de código tradicional albanês. O ensaio Eye for an Eye [Olho por olho], do fotógrafo Stefano Schirato, traz à tona esse contexto.

 

 

 

 

Schirato conta que em torno de três mil famílias albanesas vivem num regime de isolamento voluntário, numa tentativa de evitar o destino trágico de vingança contínua entre famílias – em certos casos, fazer justiça com as próprias mãos é visto como uma obrigação pela comunidade. “Aqueles que não se vingam correm o risco de serem completamente excluídos”, afirma o fotógrafo.

 

 

 

 

“Para esse projeto, busquei retratar o impacto dessa situação na vida das famílias, especialmente na de seus membros mais jovens. Aqueles que são bem mais novos, de fato, passam o dia trancados em casa sem nada para fazer. Tentei encontrar famílias dos dois lados de um conflito, e me surpreendi ao encontrar algumas que ansiavam por vingança. Além desse sentimento, encontrei instabilidade emocional, raiva e depressão”, relata.

 

 

 

 

Nascido em Bolonha, Itália, em 1974, Stefano Schirato é graduado em ciências políticas. Desenvolve um trabalho voltado a questões sociais, tendo publicado suas fotografias em periódicos como Le Figarò e The Washington Post.

 

 

 

12
jul

Jody Miller: instantes que antecedem a tempestade

 

 

Com uma carreira de 40 anos como designer de produções de Hollywood, a fotógrafa Jody Miller desenvolveu um olhar atento para a dramaticidade – e a potência espetacular – dos fenômenos climáticos. No post de hoje, apresentamos a série Heavy Weather [Clima pesado], composta por imagens obtidas por Miller entre 2013 e 2015, no meio-oeste e no sudoeste dos Estados Unidos.

 

 

 

Além da exuberância das nuvens, outros elementos recorrentes nas fotografias complementam a atmosfera do sublime: as estradas que levam o olhar para o horizonte, o próprio horizonte por vezes “achatado” pelas tempestades que se aproximam e as construções humanas à mercê da força da natureza.

 

 

 

Na trajetória de Miller, um encontro com um mestre da fotografia foi fundamental para o desenvolvimento de sua atuação como fotógrafa. “Tive a sorte de participar do workshop de Ansel Adams em Carmel, na Califórnia, em 1982 – último ano em que ele deu aulas, antes de falecer, em 1984. A experiência de um estudo sério com alguns dos grandes fotógrafos do nosso tempo me mobilizou, com o passar dos anos, a produzir fotos cada vez mais ricas”, conta Miller.

 

 

 

Nascida em 1951, em Los Angeles, Jody Miller atuou por décadas na indústria do cinema e da televisão, desenvolvendo em paralelo seus trabalhos fotográficos. Desde 2007, participa de exposições nos Estados Unidos e na Europa, tendo também trabalhos publicados em diversos veículos especializados.