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Archive for junho, 2016

17
jun

Paul Nicklen: as focas-leopardo da Antártida

 

 

Em nosso segundo post sobre os trabalhos do fotógrafo Paul Nicklen, apresentamos uma reportagem sua sobre as focas-leopardo (ou leopardos-do-mar), na Antártida. Segundo a matéria da National Geographic que teve Nicklen como repórter fotográfico, essa espécie é a única considerada de fato uma predadora entre as focas, chegando a ter 4 metros de cumprimento e mais de 450 quilos de peso.

 

 

 

 

“Essa foi a reportagem mais gratificante que já fiz em minha carreira. As focas-leopardo são os animais mais incríveis que tive o prazer de fotografar”, conta Nicklen à National Geographic. “Quando você está na água com um animal selvagem, você se entrega àquele animal, pois nós, humanos, somos extremamente vulneráveis nessas circunstâncias”, explica.

 

 

 

 

No verão austral, as focas-leopardo esperam em águas rasas, próximas a colônias de pinguins, para se alimentar de pássaros jovens que se aproximam da água pela primeira vez. Também fazem parte da alimentação dessa espécie pinguins, peixes, crustáceos, lulas e outras focas.

 

 

 

 

As imagens dão conta do nível de conhecimento sobre a vida marinha que Nicklen acumulou ao longo de sua trajetória. A proximidade com os animais permite um grau de realismo e crueza raramente alcançados.

 

 

 

 

“Foi ótimo ter a aceitação desse animal para interagir da forma como interagimos. As focas-leopardo não somente não me atacaram, como alguns esperavam: elas me seguiram e fizeram um verdadeiro show para mim. Já fotografei diferentes espécies ao redor do mundo, mas essa reportagem ficará comigo para sempre”, relembra o fotógrafo.

14
jun

As marés incertas de Deb Schwedhelm

 

 

Corpos em contato com a água, ora totalmente submersos, ora emergindo do fundo. Uma relação que traz consigo um manancial de metáforas sobre a vida e o inconsciente, apresentada na série Uncertain Tides [Marés incertas], da fotógrafa norte-americana Deb Schwedhelm. Diante das fotografias, somos envolvidos pelos movimentos dos personagens e pela fluidez do elemento que os circunda.

 

 

 

 

Chama atenção o modo como a aparência da água varia no ensaio, indo de tons próximos do branco à escuridão completa – apresentando também, em alguns planos, uma variação cromática maior. São alternâncias que levam para o plano da imagem distintos simbolismos do elemento: da superfície que se modifica a cada segundo à profundidade inacessível aos olhos.

 

 

 

 

“Enquanto fotografo meus filhos e amigos, fotografo também a mim mesma, entrando e saindo de foco, permitindo que o mundo líquido ilustre a minha jornada”, reflete a fotógrafa. Ela destaca a reflexão em torno do “pertencimento” e do “senso de localização”, revelando um dado biográfico: “Por fazer parte do sistema militar, minha família vive com frequência em um mundo de incertezas – desterrada, sem âncora. O mar é uma alegoria para nossas vidas. Movendo-se com as marés, não temos outra escolha que não seja ir adiante, nadar e se manter flutuando em meio às mudanças”.

 

 

 

 

Nascida em Detroit, EUA, Deb Schwedhelm trabalhou por dez anos como enfermeira da Força Aérea norte-americana. É casada com um oficial da Marinha dos Estados Unidos, baseado no Japão. Deixou a carreira militar e passou a se dedicar integralmente à fotografia, paixão que tinha desde seus 20 anos. Desde então, possui uma trajetória profissional repleta de exposições e publicações de seu trabalho.

 

10
jun

Paul Nicklen: a vida no gelo e nos mares

 

 

“Se me vejo lado a lado com um monte de fotógrafos, sei que estou no lugar errado. Se estou com frio, em situação deplorável, sozinho e imerso no mar congelado – meus assistentes odeiam que eu faça isso –, em meio a animais gigantes me olhando com partes do corpo afiadas e proeminentes, sei que estou no lugar certo.” Assim, o fotógrafo canadense Paul Nicklen descreve sua forma de atuar – e de fato, suas imagens atestam o tipo de envolvimento que ele busca em cada reportagem.

 

 

 

 

Nicklen cresceu nas ilhas Baffin, no Ártico canadense. Por quatro anos, trabalhou como biólogo na região norte do Canadá. Nessa experiência, descobriu-se com interesses mais artísticos do que exatamente científicos. A partir de 1994, passou então a se dedicar exclusivamente à fotografia.

 

 

 

 

Ao longo de sua trajetória, Nicklen já realizou dezenas de reportagens para a National Geographic, cobrindo assuntos ligados à preservação do meio ambiente e à história natural. Sua relação íntima com a natureza tem origem na infância, mais exatamente no período que conviveu com os Inuit, uma das nações indígenas esquimós.

 

 

 

 

Com os esquimós, Nicklen diz ter aprendido sobre os ecossistemas das regiões mais frias do planeta e sobre as técnicas necessárias para sobreviver em temperaturas extremas. Essa bagagem formou os alicerces para uma carreira especializada em reportar a vida selvagem nas regiões polares e nos oceanos.

 

 

 

 

A partir de seus ensaios, Nicklen busca contribuir de alguma forma com a preservação de ecossistemas e espécies em risco. O fotógrafo é um dos fundadores da SeaLegacy, entidade que busca chamar atenção para questões relacionadas à vida marinha. Seu trabalho já lhe rendeu mais de trinta prêmios internacionais dedicados a temáticas ambientais.