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Archive for junho, 2016

28
jun

Donna Pinckley: retratos da infância e adolescência no sul dos EUA

 

 

Imagens obtidas entre 1992 e 2015 formam a série Southern Depictions [Representações do sul], de Donna Pinckley. O período pelo qual se estende a série já indica o tipo de relação que a fotógrafa norte-americana constrói com seus temas de interesse: um trabalho prolongado, que oferece um panorama amplo a respeito de um determinado contexto. No ensaio que apresentamos no post de hoje, Pinckley direciona seu olhar para crianças e adolescentes do sul dos Estados Unidos, suas expressões misteriosas e sua potência subjetiva.

 

 

 

 

Os retratos remetem às fotografias de Rineke Dijkstra e de outros tantos fotógrafos que se debruçaram sobre as transformações da infância e da adolescência, as quais colocam em cena olhares marcantes, por vezes um tanto confusos, reveladores de identidades que estão em processo de construção. Olhares que não são meramente inocentes – aqui não vemos instantes idílicos –, pelo contrário: são janelas para existências que já se mostram complexas nessa fase da vida.

 

 

 

 

Pinckley faz questão de incluir em cada plano algumas pistas sobre o dia a dia de seus fotografados, a quem ela pede para se colocar nos lugares onde se sentem confortáveis. Desses encontros e dessa dedicação de décadas, surge um panorama ao mesmo tempo local, da vida pré-adulta da classe média norte-americana, como também um retrato universal da infância e da adolescência – seus enigmas, medos, encantos e descobertas.

 

 

 

 

Nascida no estado de Louisiana, Donna Pinckley graduou-se em fotografia pela Louisiana Tech University e obteve mestrado, também em fotografia, pela Universidade do Texas. Já participou de mais de 200 mostras, sendo reconhecida pela abordagem de cunho social da sua atuação como fotógrafa, que também tematiza questões raciais nos EUA. Atualmente, é professora da University of Central Arkansas.

 

24
jun

Emy & Ana, de Pep Karsten

 

 

Uma espécie de sinopse apresenta a série Emy & Ana, do fotógrafo francês Pep Karsten: “Emy e Ana não podem viver longe uma da outra. Melhores amigas, têm a mesma idade, no entanto, vivem uma relação do tipo mãe e filha. Após um acidente, precisam defrontar-se com a terrível situação de estarem separadas.”

 

 

 

 

De fato, as imagens da série possuem um apelo cinematográfico – a própria apresentação dos trabalhos em seu site assume ares de lançamentos do cinema, como se fossem cartazes e stills de filmes prestes a entrar em cartaz. Não à toa, o fotógrafo define Emy & Ana como “uma narrativa ficcional de 19 fotografias” e “uma metáfora da transição para a vida adulta, a partir da relação entre os vivos e os mortos”.

 

 

 

 

“Meu trabalho tem a transcendência como foco. Atualmente, exploro o tema da morte, a partir de uma perspectiva otimista. O que as pessoas que amamos podem nos dar depois de partir? Elas podem nos ajudar a transformar nosso sofrimento em força e sabedoria? Podemos, de alguma maneira, prolongar suas vidas?”, pergunta-se o fotógrafo.

 

 

 

 

Nascido em 1977, em Cannes, Pep Karsten trabalha entre sua cidade natal e Berlim. Tem fotografias suas em coleções como a National Museum of Photography Collection Thessaloniki de Atenas, e a AOP Photography Collection de Londres, e já recebeu importantes prêmios como o International Photography Awards e o Hasselblad Photographer of the Month.

 

 

 

 

21
jun

As leis do silêncio, de Jennifer McClure

 

 

“Essas imagens vêm daquele espaço emocional da expectativa, do desejo por coisas que nunca aconteceram e talvez nunca aconteçam.” Assim, a fotógrafa norte-americana Jennifer McClure define o ensaio Laws of Silence [Leis do silêncio], que desafia o espectador com suas imagens enigmáticas, reveladoras de uma subjetividade que deixa apenas rastros para qualquer tentativa de compreensão.

 

 

 

 

A narrativa construída por McClure é construída a partir de fragmentos. Um olhar que busca naquilo que está próximo os ecos de um universo muito particular, marcado, nas palavras da fotógrafa, por uma certa desconexão existencial. “Sou descrente das pessoas e das ideias do sonho americano. Sempre evitei os ritos ou rituais ligados ao ‘sucesso’, mas não consegui substituir essa mitologia fracassada por qualquer outra”, conta a fotógrafa no texto que acompanha a série.

 

 

 

 

A fotografia ganha espaço na vida de McClure como operação simbólica para tentar encontrar essa nova mitologia pessoal. “Comecei a procurar sinais de relações significativas e oportunidades perdidas, tentando formar um mapa de como existir. Precisava ver o passado, olhá-lo claramente, para então enxergar além”, reflete a fotógrafa, que vai em busca desse “além” nos objetos e detalhes prosaicos do seu entorno. Fragmentos que constituem uma imagem – sempre incompleta – do que queremos ser.

 

 

 

 

Nascida no estado da Virginia, nos Estados Unidos, Jennifer McClure vive em Nova York. Estudou teoria literária e trabalhou por anos em restaurantes. Em 2001, retomou o interesse pela fotografia, estudando na School of Visual Arts e no International Center of Photography, em Nova York, atuando como assistente desta instituição. Já participou de diversas exposições nos EUA e teve seu trabalho publicado em veículos especializados como Lenscratch e The Photo Review.