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Archive for maio, 2016

20
mai

Freddy Fabris: uma releitura fotográfica do Renascimento

 

 

Ao visitar uma mecânica com um amigo, o fotógrafo Freddy Fabris teve um insight: aproveitar o cenário e os personagens daquele tipo de local para uma releitura de pinturas do Renascimento – explorando, assim, sua paixão por artistas como Michelangelo e Rembrandt e experimentos do início de sua carreira, quando era pintor.

 

 

 

 

As fotografias sobrepõem novas camadas de significado sobre imagens icônicas. Com uma ironia sutil, inclui novos elementos que redefinem as possíveis interpretações de cada cena. De certa forma, o fotógrafo dá sequência a outro trabalho em que fotografou atletas caracterizados como esportistas do início do século 20, o que revela seu interesse por mesclar tempos e contextos distintos no mesmo plano.

 

 

 

 

Sua trajetória de mais de uma década na publicidade torna perceptível também uma estética que remete a anúncios. Mais um componente que se soma ao trabalho e amplia ainda mias sua rede de significações.

 

 

 

 

Nascido em Nova York, com passagem por Buenos Aires e vivendo atualmente em Chicago, Freddy Fabris construiu sólida trajetória em grandes agências publicitárias internacionais. Atua em cada detalhe de seus projetos, dando grande atenção também ao trabalho de pós-produção. Sua releitura de obras do Renascimento já lhe rendeu prêmios importantes, abrindo espaço para novos projetos pessoais, em paralelo à sua atuação na publicidade.

17
mai

Fatemeh Behboudi: Mães da paciência

 

 

Em qualquer conflito armado, a tragédia das vidas perdidas se multiplica se pensarmos que cada morte traz consigo o sofrimento daqueles que ficam e precisam aprender a lidar com as ausências. Há também outro tipo de dor, perturbadora de modo distinto: aquela da expectativa de que alguém volte, por menos provável que isso possa parecer. Na série Mothers of Pacience [Mães da paciência], a fotógrafa Fatemeh Behboudi acompanha de perto a eterna espera de mulheres iranianas por seus filhos, desaparecidos durante a guerra entre Irã e Iraque.

 

 

 

 

Iniciada em 1980, com a invasão iraquiana de territórios do Irã, a guerra entre os dois países se estendeu até 1988 – considerada, portanto, o mais longo conflito bélico convencional do século 20. Depois de assinada a paz, contabilizou-se em 10 mil o número de soldados iranianos dos quais não se sabia o paradeiro.

 

 

 

 

“Nasci durante a guerra, e toda minha infância e juventude foi perdida em nome dela. Todos os dias, escutava que os corpos de um grande número de mártires haviam sido trazidos. Fui com minha família receber os corpos de desconhecidos e vi mães que procuravam os de seus filhos”, recorda a fotógrafa. Nos últimos anos, em torno de 7 mil corpos foram encontrados no Irã, mas devido a dificuldades de identificação, foram registrados como mártires anônimos e enterrados. Do outro lado da fronteira, no Iraque, estima-se que 5 mil corpos ainda estejam sem terem sido sepultados.

 

 

 

 

Na rotina das mães, o apego a cartas e roupas que ficaram para trás é constante. Depois de décadas de espera, muitas delas acabam conseguindo identificar seus filhos por meio de exames de DNA e de objetos encontrados junto aos corpos. Com intervalos de alguns meses, são realizados enterros de corpos encontrados próximos da fronteira Irã-Iraque. Os funerais são atendidos por muitas das mães que ainda aguardam alguma notícia de seus desaparecidos.

 

 

 

 

Nascida no Teerã, capital do Irã, Fatemeh Behboudi estudou fotografia e, depois de graduar-se em 2007, trabalhou em veículos e agências de comunicação iranianas. Nos últimos anos, tem participado e recebido distinções de diversas festivais e exposições relacionados à fotografia.

 

13
mai

Pushkar Raj Sharma: identidades em jogo

 

 

Ao longo de um ano, na parte antiga da cidade de Deli, o fotógrafo Pushkar Raj Sharma buscou ângulos variados para explorar questões em torno da identidade dos habitantes da segunda maior cidade indiana. O ensaio Losing Identity [Perdendo a identidade], apresenta indivíduos com seus rostos cobertos por objetos presentes no dia a dia – de roupas penduradas a materiais da rotina de trabalho das pessoas fotografadas.

 

 

 

“Esses momentos são surpreendentes, engraçados, misteriosos, cheios de esperança, suaves… As pessoas se relacionam com cada imagem de formas diversas”, conta o fotógrafo.

 

 

 

O ensaio acaba por trazer à tona também o cotidiano um tanto caótico da cidade, que parece contribuir para dissolver as identidades de seus habitantes.

 

 

 

Embora não se possa enxergar rostos, cada imagem deixa ver detalhes que no mínimo dão pistas para tentarmos entender a vida em Deli e a sociedade indiana de modo geral.

 

 

 

Pushkar Raj Sharma trabalha como fotógrafo freelance em Deli e se tornou conhecido após menção no livro Street Photography Now, de 2014. Fascinado pela fotografia urbana, interessa-se sobretudo pela riqueza da vida cotidiana na Índia.