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Archive for abril, 2016

19
abr

Deborah Oropallo: gênero, poder e fantasia

 

 

A partir da sobreposição de imagens retiradas de contextos totalmente diversos, a fotógrafa norte-americana Deborah Oropallo propõe reflexões em torno de questões de gênero e das relações de poder. As manipulações da série Guise [Maneiras, em tradução livre] embaralham camadas históricas e deixam o espectador diante de uma linguagem entre a pintura e a fotografia.

 

 

 

 

Oropallo apropria-se de pinturas – de artistas como Rembrandt, entre outros – que retratam homens dos séculos 17 e 18. Essas imagens se misturam com fotografias de mulheres em fantasias eróticas, retiradas de sites que vendem esses trajes. Como resultado, gestos, vestuários e feições passam a construir representações híbridas de figuras que emanam altivez e sensualidade.

 

 

 

 

“Eu uso o computador como ferramenta, mas a pintura é a linguagem que está na minha cabeça. Não quero apenas repintar o que um computador é capaz de fazer, mas usar os pixels como tinta – e sobrepor imagens e véus para criar profundidade e volume. Como na pintura, esse processo pode engajar nuances e sutilezas”, contra a fotógrafa.

 

 

 

 

Nascida no estado de New Jersey (Estados Unidos), em 1954, Deborah Oropallo possui mestrado em educação pela Universidade de Berkeley (Califórnia). Inicialmente desenvolvendo trabalhos de pintura, mais tarde passou a utilizar recursos digitais e incluiu a fotografia em sua atuação. Expõe desde o início dos anos 1980 e tem trabalhos em acervos de dezenas de museus norte-americanos.

 

15
abr

Fabio Moscatelli: estranhamento e desamparo familiar

 

 

Um drama familiar é o pano de fundo do ensaio Arriving Somewhere Not Here [Chegando a algum lugar que não é aqui], do fotógrafo italiano Fabio Moscatelli. Ele acompanha a rotina de um menino romeno, Andrei (10 anos), em sua nova vida em Tivoli, nos arredores de Roma, após a separação dos pais. Somado a esse trauma, o estranhamento de viver em outro país passa a ser uma questão com a qual Andrei precisa lidar.

 

 

 

 

A mudança para o sul da Europa decorre da mais recente crise econômica global. Seu pai perde o emprego, e sua mãe se muda para a Itália em busca de trabalho. Depois de um divórcio litigioso – e muito devido ao alcoolismo do pai –, Andrei transfere-se para o lar materno. Lá, no entanto, enfrenta dificuldades de adaptação e problemas de relacionamento com seu padrasto.

 

 

 

 

 

“Andrei começa a fechar-se para o mundo exterior. Ele evita as pessoas e se isola numa prisão psicológica”, conta o fotógrafo. Na série, Moscatelli procura transformar em imagens um pouco desse sentimento de isolamento e frustração em relação a um lugar que Andrei não consegue chamar exatamente de casa. O fotógrafo volta sua câmera ao entorno de Andrei na intenção de captar o que se passa no melancólico mundo interior do garoto.

 

 

 

 

Nascido em 1974, em Roma, Fabio Moscatelli estudou Reportagem na Scuola Romana di Fotografia. Já foi premiado pela National Geographic na categoria Retratos e esteve entre os finalistas do Leica Award. Já publicou fotografias em periódicos como The Post Internazionale, GUP Magazine e Private International Review of Photography, e colabora com a agência Echo.

 

 

 

 

12
abr

Os percursos da Lapa à Vila Mimosa, de Schari Kozak

 

Foto: Manuel da Costa

 

Resultado de uma imersão nas ruas do Rio de Janeiro ao lado de quem vive intensamente o calor do asfalto carioca, o ensaio Brutal Corre: da Lapa à VM, da fotógrafa Schari Kozak, está em cartaz no Espaço Cultural ESPM-Sul até 14 de maio. As imagens – apresentadas pela fotógrafa como trabalho de conclusão no curso de Jornalismo da ESPM-Sul – mostram a rotina do grupo de corrida Brutal Corre, surgido do coletivo Brutal Crew, que desde 1999 dissemina o rap e o hip hop, dando oportunidade a novos talentos da capital fluminense.

 

 

 

 

Ao longo de cinco meses, entre julho e novembro de 2015, Schari acompanhou – correndo ou de bicicleta – percursos de cinco quilômetros realizados entre o bairro da Lapa e a Vila Mimosa, uma das mais antigas áreas de prostituição da cidade, localizada na zona norte do Rio. “Foi uma experiência extremamente gratificante e desafiadora, não só como trabalho, mas também em relação aos limites do meu corpo”, conta a fotógrafa. Muito além do registro da prática de um exercício físico, as imagens revelam uma certa experiência do espaço urbano de pessoas que buscam outro tipo de relação com a cidade, rompendo preconceitos e interdições de barreiras sociais.

 

 

 

 

Schari destaca a transformação na rotina da VM – apelido da Vila Mimosa –  ao final das corridas, que fazem parte de uma parceria da Brutal Corre com o Interferência Sistema de Som (tradicional sound system carioca). “Essa energia me contagiou já no primeiro encontro com a Brutal Corre. Foi na reta final, depois de cruzar prédios históricos e muros pichados, ouvindo ecoar o grito que pedia passagem – ‘Brutal: só sinistro!’ –, vendo a diversidade de cores e de pessoas que povoavam a Vila Mimosa, que percebi o quanto gostaria de fazer parte daquilo de alguma forma”, relembra a fotógrafa.

 

 

 

 

Ex-monitora do Centro de Fotografia da ESPM-Sul, Schari Kozak é fotógrafa freelance. Vivendo atualmente no Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas, projetos pessoais e trabalhos de caráter jornalístico e publicitário relacionados ao esporte. Além de Só sinistro, outros ensaios estão disponíveis em seu portfólio virtual.

 

Exposição Brutal Corre: da Lapa à VM, de Schari Kozak
Espaço Cultural ESPM-Sul
Rua Guilherme Schell, 268
Visitação: de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h; sábados, das 9h às 15h.