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Archive for abril, 2016

29
abr

Carlos Heuser: Zona de Transição

 

 

Habituado desde criança a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, o fotógrafo Carlos Heuser desenvolveu um olhar atento em direção ao entorno das estradas – a todos aqueles lugares e situações nos quais nos detemos por frações de segundo e que muito em seguida desaparecem da nossa memória. Tendo a fotografia como linguagem, Heuser isola alguns desses instantes e espaços na série Zona de Transição, finalista do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte de 2016.

 

 

 

“No início, eram viagens de trem. Mais tarde, viagens pelas rodovias que foram sendo construídas no Rio Grande do Sul. Concomitantemente, o estado foi sendo urbanizando. As cidades foram crescendo, a paisagem se modificando. Onde antes só havia campo e mato, foram surgindo construções. O ensaio fala dessa transição do verde para o urbano”, comenta o fotógrafo, formado pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

 

 

 

As imagens, obtidas entre 2014 e 2015, mostram a presença humana nesses lugares de passagem. Por vezes enigmáticas, apresentam também o caráter escultórico de certos rastros e ruínas deixados pela ação do homem. Em seu silêncio, as zonas de transição de Heuser se revelam lugares de extrema potência para a imaginação do espectador.

 

 

 

Professor do Instituto de Informática da UFRGS, engenheiro e fotógrafo, Carlos Heuser é formado em Engenharia Eletrônica, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação. Trabalha com fotografia desde os anos 1970, quando montou um laboratório caseiro junto com sua esposa, a também fotógrafa e ex-aluna do Curso Anual de Fotografia Eliane Heuser.

 

 

 

O fotógrafo participou de exposições coletivas como Imaginarium (Saguão do Aeroporto Salgado Filho, 2007; e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, 2009); Na Patagônia (Espaço STB-Brasas, 2007); POA_237 (Casa de Cultura Mario Quintana, 2009) e Múltiplos Olhares: 9 fotógrafos (Café do MARGS, 2016).

 

 

26
abr

John Clang: tempos e espaços que sobrepõem

 

 

As fotomontagens da série Time, de John Clang, reúnem imagens de espaços urbanos obtidas em diferentes momentos, compondo um mosaico de personagens que percorreram um determinado local. Nas fotos, Clang busca revelar sutilezas do cotidiano e como as pessoas estão próximas umas das outras, apesar de toda a velocidade da vida nas grandes cidades.

 

 

 

 

“Sempre me intriguei pelas mudanças sutis do meu entorno urbano. Cada uma delas afeta meus pensamentos e sentimentos”, conta o fotógrafo. “Nessa série, exploro como o tempo se move nesse espaço aparentemente estático. As pessoas se tornam a energia movente que flui, demarcando as mudanças, formando o tempo”, completa.

 

 

 

 

O fotógrafo também explora seu fascínio pela possibilidade de que exista uma infinidade de dimensões no universo e vidas em formas similares nesses outros planos. Uma reflexão que, nas fotos de Clang, encontra sua apresentação estética na fotomontagem.

 

 

 

 

Nascido em Singapura, em 1973, John Clang se interessa pela fotografia urbana e também por questões relacionadas à identidade e à memoria. Além de desenvolver projetos pessoais, é também um conceituado fotógrafo de publicidade, com trabalhos para marcas como Nike, Evian e Motorola. Atualmente vive e trabalha em Nova York.

22
abr

Chris McCaw: o sol que queima a superfície fotográfica

 

 

Graças a uma noite em que dormiu mais que a cama, o norte-americano Chris McCaw obteve um resultado surpreendente em um experimento fotográfico. Certa noite, assim que o sol se pôs, McCaw posicionou uma câmera de grande formato – feita por ele próprio – para capturar o movimento das estrelas no céu. Abriu o obturador para a longa exposição e foi dormir, programando seu despertador para que pudesse acordar antes do amanhecer. O fotógrafo, no entanto, seguiu dormindo, e só pôde interromper a exposição após o nascer do sol – cuja luz intensa fatalmente tornaria inviável a imagem que ele buscava.

 

 

 

 

McCaw seguiu o processo de revelação e se deu conta de que, por acidente, havia chegado a outra possibilidade de fotografar o céu – e que dá origem a série Sunburn [algo como “queimadura do sol”]. “Esse projeto transformou a maneira como penso a fotografia e o mundo. Não apenas me vejo usando materiais fotográficos de modos que não imaginava, mas também tive que negociar realidades físicas de forma inédita”, conta McCaw.

 

 

 

 

As fotografias são feitas em papel fotográfico de gelatina de prata, em grande formato. O que varia são as exposições – por vezes, em séries interrompidas sequencialmente, ou mesmo utilizando negativos separados que depois formam uma única imagem.

 

 

 

 

Nascido na Califórnia em 1971, Chris McCaw tem formação em fotografia pela Academy of Art de San Francisco. Já realizou dezenas de exposições nos Estados Unidos e tem fotografias publicadas em diversas publicações norte-americanas e europeias.