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Archive for março, 2016

29
mar

Adam Panczuk: Karczebs, arraigados ao solo

 

 

Em 2005, um ano após o ingresso da Polônia na União Europeia, o fotógrafo Adam Panczuk decidiu viajar pelas regiões rurais do país para retratar um contexto prestes a se transformar a partir da recente integração no bloco econômico. Nesse percurso, Panczuk passou a dedicar atenção especial aos personagens dessas localidades e à sua relação com terra. A série Karczeby resulta desse processo de descoberta.

 

 

 

 

O nome do ensaio deriva de uma expressão dialetal do leste da Polônia: são chamadas de “Karczebs” as pessoas intensamente arraigadas ao solo onde vivem – e onde suas famílias residem há gerações. A mesma palavra é usada para nomear a parte que resta de uma árvore depois de ser cortada – o pedaço de tronco com raízes que não se desliga da terra. Tal imagem também serve de metáfora, lembra o fotógrafo, para a resistência dos habitantes a tentativas de remoção, especialmente nos tempos do stalinismo.

 

 

 

 

Panczuk coloca em cena o apego à terra por meio de retratos. Chama atenção como na maioria das imagens os fotografados se aferram a objetos – ou mesmo animais – e como tudo parece estar de fato intimamente conectado com o solo. Com essa abordagem, mais do que documentar uma determinada região, Panczuk torna universais seus personagens e o vínculo a seu lugar de origem.

 

 

 

 

Nascido em 1978, Adam Panczuk vive em Varsóvia. Estudou fotografia no departamento de comunicação da Universidade de Poznan. Em seus trabalhos, explora questões relacionadas à identidade de quem encontra nas suas viagens. Já recebeu prêmios como o Magnum Expression Award e teve imagens publicadas em periódicos como National Geographic e Le Monde. Também realizou exposições individuais em diversos países da Europa e nos Estados Unidos.

22
mar

A dignidade animal, por Cally Whitham

 

 

“Busco resgatar um pouco da dignidade dos animais que nos nutrem e trabalham para nós, os quais na maioria das vezes vemos somente como produtos.” Essa é a perspectiva que norteia a produção fotográfica da neozelandesa Cally Whitham. A série Epitaph [Epitáfio] é parte de um interesse mais amplo da fotógrafa em buscar valor em tudo aquilo que nos passa despercebido na vida cotidiana.

 

 

 

 

Whitham dedica especial atenção a pássaros e outros animais que foram levados para a Nova Zelândia no período de colonização do país, ao longo do século 19. “Nosso começo rural dependia muito de pássaros domésticos e animais de fazenda”, conta a fotógrafa. “Nos divorciamos da terra e do que comemos, reduzindo esses nobres sujeitos a quilos de carne”, completa.

 

 

 

 

Cally Whitham graduou-se na escola de Design da Unitec, em Auckland, Nova Zelândia. Em suas imagens, transforma o ordinário em surreal, refletindo a forma como as coisas são percebidas e alteradas pela memória. Vive e trabalha na Nova Zelândia, tendo fotos suas publicadas em diversas publicações especializadas em fotografia.

 

 

 

 

 

18
mar

A potência fotográfica de uma quadra de vôlei nas fotos de Chan Dick

 

 

A série Chai Wan Fire Station do fotógrafo Chan Dick, de Hong Kong, nasce de uma situação curiosa. Certo dia, em seu estúdio, escutou sons desconhecidos que pareciam vir do banheiro. Chegando lá, aproximou-se de uma pequena janela e descobriu a origem do barulho: uma partida de vôlei era realizada no pátio de uma estação do corpo de bombeiros. A partir de então, o fotógrafo passou a observar as movimentações que tinham lugar no local.

 

 

 

 

Ao longo de 15 meses, Dick fotografou os diferentes usos da quadra: visitas escolares, treinamentos e inspeções oficiais. Ao todo, o fotógrafo acumulou aproximadamente 1.500 fotos, mais tarde selecionadas e reduzidas a um grupo de 30 imagens. Embora variem de posição conforme o enquadramento, as linhas da quadra se somam aos limites de cada plano, revelando um espaço potencial de acontecimentos.

 

 

 

 

Dick parece dizer que basta um tanto de atenção e muita dedicação para que, a partir de um único ponto de vista seja possível observar a complexidade da vida. Os fragmentos brincam com a incompreensão do espectador, lançando pistas discretas sobre o contexto em que se situam. Reunidas, as imagens apresentam um mundo um tanto absurdo, com personagens que entram e saem de cena sem dar explicações.

 

 

 

 

Nascido em Hong Kong, Chan Dick venceu o Hong Kong Photo Book Awards com a série Chai Wan Fire Station. Desenvolve também trabalhos de cunho político e já participou de diversas exposições individuais e coletivas na China e em Hong Kong.