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Archive for janeiro, 2016

19
jan

O urgente efêmero de Hannah Cooper McCauley

 

 

Com uma abordagem atenta ao que há de mais prosaico no cotidiano, a fotógrafa norte-americana Hannah Cooper McCauley desenvolve a série A Singular Sense of Urgency [Um singular sentido de urgência], em que encontramos um olhar que parece buscar mundos mágicos e misteriosos, revelados em objetos e situações cotidianas. “Aprendi cedo a aceitar as coisas que não podia entender, e acredito que isso influenciou muito o método e a construção das minhas imagens. Cresci acreditando no fantástico e na probabilidade de milagres acontecerem”, conta a fotógrafa.

 

 

 

 

Outro aspecto do trabalho de McCauley é a busca por instantes prestes a desaparecer. A ênfase na transitoriedade das coisas, na visão da fotógrafa, tem relação com sua biografia. “Muitas vezes, minha vida se pareceu com uma viagem repleta de paradas. Desde que nasci e já na faculdade, minha família mudou-se nos estados do Mississippi e do Alabama, pois meu pai era pastor batista. Em resposta a essa transição constante, desenvolvi uma mistura desconcertante de solidão e imaginação”, relembra.

 

 

 

 

Nascida em 1989, Hannah Cooper McCauley graduou-se em fotografia pela Jacksonville State University, com mestrado pela Louisiana Tech University. Já participou de diversas exposições individuais e coletivas e publicou seu trabalho em publicações especializadas como F-Stop Magazine e PHOTO+.

 

 

 

12
jan

A cidade fabril das noivas, de Lucia Ganieva

 

 

Na cidade de Ivanovo, localizada a aproximadamente 275 quilômetros de Moscou, a fotógrafa Lucia Ganieva produziu uma série que aborda o universo do trabalho na indústria têxtil da localidade. Ao mostrar produtos, maquinário e trabalhadores, Ganieva também retrata as transformações econômicas e sociais da Rússia.

 

 

 

 

Conhecida no passado como “cidade das noivas” – devido a população feminina majoritária –, Ivanovo era considerada o centro da indústria têxtil desde a época dos czares. Nas décadas recentes, pós-União Soviética e com a competição consequente da globalização, a localidade perdeu postos de trabalho para países como a China – e também seu status econômico. Atualmente restam algumas poucas fábricas na cidade.

 

 

 

 

“Minha intenção era fazer um retrato de uma fábrica, combinando seu interior, os tecidos produzidos e as mulheres no trabalho. Os tecidos são de diferentes coleções e de épocas variadas. O mesmo vale para as imagens dos espaços, em que equipamentos novos e velhos são mostrados, e para as mulheres, de diferentes idades”, conta a fotógrafa. Unindo diferentes planos e tempos em uma mesma imagem, Ganieva conta uma história em que o passado segue vivamente presente na rotina de Ivanovo, das fábricas e de suas operárias – espaços e contextos diversos que se articulam em um jogo de montagem.

 

 

 

 

Lucia Ganieva nasceu na Rússia e vive na Holanda desde 1993. É graduada em fotografia pela Foto Academie Amsterdam. Com trajetória profissional na indústria da moda, já participou de diversas exposições internacionais.

 

 

 

5
jan

Ellie Davies, entre as árvores

 

 

A experiência de estar em meio à natureza mobiliza o trabalho da fotógrafa inglesa Ellie Davies. Na série Between the Trees, com sutis intervenções, ela explora a sensação de estar em uma floresta. “A fumaça nos permite observar o tempo movendo-se a um ritmo quase imperceptível e o espaço interior particular da floresta, retirando o olhar das árvores para contemplar o espaço que existe entre elas”, explica a fotógrafa.

 

 

 

 

O “entre as árvores”, portanto, mais do que a condição de alguém no interior de uma floresta, revela-se um lugar de potência para se pensar o tempo e o espaço. O invisível ganha densidade e chama a atenção para “a percepção palpável e inquietante da floresta, seus sons abafados, o sentido de atenção elevado”.

 

 

 

 

Ellie tem a precaução de realizar intervenções contidas nos ambientes em que se insere, afastando-se de uma intenção mais escultórica. “Busco oferecer um novo olhar em direção às paisagens. Não estou dizendo como devem ser vistas, cada espectador traz suas experiências. É uma forma de criar espaços a serem explorados”, conta a fotógrafa. “Entrar nesse outro lugar é aceitar uma desaceleração do tempo e uma mudança de percepção”, completa.

 

 

 

 

Nascida na Inglaterra em 1976, Ellie Davies vive em Londres e desenvolve seus trabalhos em florestas do Reino Unido. Com formação em fotografia pela London College of Communication, é representada por uma série de galerias na Europa e na Ásia, participando de diversas exposições individuais e coletivas ao redor do mundo.