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Archive for janeiro, 2016

29
jan

O tarô haitiano de Alice Smeets

 

 

A série The Ghetto Tarot, da fotógrafa belga Alice Smeets, parte da iconografia do tarô para construir cenas em que moradores de Porto Príncipe, capital do Haiti, se transforam em personagens de um novo baralho. Com a intenção de mostrar a criatividade dos haitianos, indo na contramão de uma narrativa de vitimização, Alice utiliza materiais encontrados e reciclados para caracterizar seus personagens.

 

 

 

 

Para o ensaio, Alice contou com o apoio do grupo de artistas haitianos Aits Rezistans. Com eles, a fotógrafa problematiza a noção de “gueto”, normalmente associada à marginalidade, de modo a valorizar um outro lado dessa situação social, relacionado a comunidade, família, solidariedade, força e inventividade. Um dos objetivos de Alice é fragilizar os estereótipos ligados ao Haiti, calcados unicamente na situação de pobreza extrema vivida no país.

 

 

 

 

Desde 2007, a fotógrafa belga Alice Smeets trabalha em projetos documentais no Haiti. Em 2010, fundou a ONG Viv Timoun, que desenvolve ações sociais no país. Entre outros reconhecimentos, recebeu em 2008 o prêmio de Foto do Ano da Unicef.

 

 

 

26
jan

Marcela Paniak: apropriação e memória

 

 

Com trabalhos que focam em objetos e lançam mão de colagens e apropriações, a fotógrafa polonesa Marcela Paniak aborda a temática da memória na série Elysium. Ela coloca retratos de cartões de visita antigos em diálogo com a planta asphodelus – que na mitologia grega simboliza morte, tristeza, melancolia, e que seria parte da flora dos campos elísios, local onde as almas dos heróis descansariam pela eternidade.

 

 

 

 

“A fotografia tem o poder de preservar lugares e pessoas que nem conhecemos. Tem quase a capacidade de garantir a vida eterna”, reflete a fotógrafa. Na intenção de resgatar e construir novas memórias, Marcela vai em busca de objetos abandonados, os quais explora em um jogo formal com outros elementos.

 

 

 

 

“Há muitas coisas esquecidas ao nosso redor que por vezes se tornam inestimáveis, se pensarmos sobre o que elas guardam. Embora eu reconstrua essas imagens de forma contemporânea, em breve elas também se tornarão história – e por sua vez, podem ser lembradas por outras pessoas”, conta Marcela.

 

 

 

 

Nascida em 1991, Marcela Paniak vive em Lodz, na Polônia. É estudante de fotografia na Escola Nacional de Filme de Lodz.

22
jan

Inés Dümig: paisagens interiores em refúgio

 

 

De tudo que diz respeito à experiência de vida de um refugiado, pode-se dizer que isolamento, fragilidade e desamparo são os aspectos que mais se revelam nas fotografias da alemã Inés Dümig. No ensaio Apart Together – jogo de palavras que sugere a proximidade de certas distâncias –, a fotógrafa retrata Sahra, refugiada que fugiu da Somália aos 14 anos indo parar em Munique, na Alemanha, após dois anos de caminhos tortuosos em direção à Europa.

 

 

 

 

“A dignidade humana é inestimável? O mundo a nosso redor parece sugerir o contrário. Com esse projeto, busquei recuperar parte daquele dignidade perdida, momentos íntimos em que nos sentimos seguros o suficiente para mostrar um pouco do que somos”, conta a fotógrafa. Como estratégia poética, Inés se afasta de uma abordagem mais documental, privilegiando imagens do entorno que de alguma forma refletem o momento existencial de Sahra. Nas palavras da fotógrafa, “paisagens interiores”.

 

 

 

 

Em contraponto também às imagens que se reproduzem na mídia, Inés propõe um olhar que possa estabelecer outra relação com a situação vivida pelos refugiados – e por Sahra, em particular. “As matérias que vemos na mídia relacionadas à migração são fugazes. Com a fotografia, pretendo que o espectador pare por um momento. É um teste do nosso aqui e agora. Minha intenção é de nos colocarmos em contato com a distância absoluta, a busca de uma presença”, explica Inés.

 

 

 

 

Nascida em Nuremberg, Alemanha, em 1982, Inés Dümig tem mestrado em fotojornalismo e fotografia documental pela London College of Communication. Já participou de festivais e exposições coletivas em instituições como a National Portrait Gallery, de Londres, e a galeria Camerawork, de São Francisco, EUA. Vive e trabalha na Alemanha.