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Archive for dezembro, 2015

18
dez

15
dez

Viktoria Sorochinski: fantasia e realidade em “Anna e Eve”

 

 

Em uma narrativa documental apoiada na fantasia, a fotógrafa ucraniana Viktoria Sorochinski acompanhou, entre 2005 e 2012, a vida de Anna e Eve – mãe e filha, respectivamente –, imigrantes russas residindo em Montreal, Canadá. A indistinção entre as duas, aparentando, muitas vezes, serem irmãs, foi o que chamou a atenção da fotógrafa desde que as conheceu. A partir dessa particularidade, Viktoria concebeu uma série de retratos que explora essa relação, criando um universo de conto de fadas contemporâneo, ao mesmo tempo que revela um pouco da rotina de Anna e Eve.

 

 

 

 

“Muitas vezes era difícil dizer quem exercia poder e controle entre as duas e quem estava aprendendo a ser humano nesse mundo”, conta a fotógrafa. No livro que reúne as imagens da série, citações da pequena Eve mostram que, mais do que uma questão de aparências, a própria maturidade da menina chama atenção.

 

 

 

 

“É impossível descobrir quem você realmente é”, reflete Eve, aos 10 anos. “Espelhos estão sempre distorcidos ou danificados de alguma maneira. Mesmo se alguém tenta achar um espelho puro, seus olhos ainda assim lhe pregarão peças. E é impossível simplesmente dar uma olhada no lado de dentro de uma pessoa. Infelizmente, é esse o mistério de cada um”, conclui a menina.

 

 

 

 

O caráter fantasioso das imagens, explica a fotógrafa, não é uma mera representação de contos de fadas. “São novos mitos que representam, por meio de cenas fantasmagóricas, minha interpretação dessa relação entre mãe e filha”, observa Viktoria.

 

 

 

 

Nascida em 1979, na Ucrânia (então União Soviética), Viktoria Sorochinski migrou com seus pais para Israel nos anos 1990. Mais tarde, mudou-se novamente, dessa vez para a América do Norte – graduou-se em artes na Concordia University (Montreal) e fez mestrado, também em artes, na New York University. Dedica-se especialmente a trabalhos de longa duração, tendo já participado de exposições individuais e coletivas em diversos países.

 

11
dez

A quietude glacial de Jean De Pomereu

 

 

“Para mim, a Antártida é um objeto de fascínio visual e intelectual constante. Uma natureza selvagem que, por mais escrutinada e descontruída que seja, permanece imóvel em sua quietude glacial, seu silêncio penetrante e sua habilidade para nos levar, pouco a pouco, em direção àquilo que é essencial.” Assim, o fotógrafo neozelandês Jean De Pomereu define o continente antártico, que protagoniza ensaios que realiza desde 2003 em expedições com artistas e cientistas.

 

 

 

 

Na série Sans Nom, De Pomereu fotografa um dos elementos mais constantes da paisagem do Polo Sul: os inúmeros icebergs sem nome da região, que evocam, nas palavras do fotógrafo, a fragilidade e a potência do gelo. As imagem foram capturadas no leste antártico, na baía Prydz.

 

 

 

 

“O silêncio e a desolação são profundos – como se o tempo tivesse parado. A fissura no gelo revela o primeiro rompimento nesse mundo de calma e silêncio. É o primeiro sinal dramático da chegada da primavera no lago de gelo”, conta o fotógrafo.

 

 

 

 

Jean De Pomereu tem mestrado pelo Scott Polar Research Institute, da Universidade de Cambridge. Dá palestras sobre a interpretação visual da Antártida e participa de projetos editoriais focados nos pioneiros da fotografia no Polo Sul. Foi o fotógrafo oficial do projeto Stellar Axis Antarctica, da artista Lita Albuquerque, considerado uma das mais ambiciosas empreitadas artísticas no continente antártico. Suas imagens já foram expostas em museus e galerias europeus, dos Estados Unidos, da China e da Nova Zelândia.

8
dez

Curso Anual de Fotografia: olhares em transformação

 

Foto: Daniel Hunter

 

Na semana passada foi a vez da Turma B concluir o Curso Anual de Fotografia iniciado em março de 2015. Na leitura de portfólios, os alunos apresentaram trabalhos desenvolvidos nos últimos meses aos professores Clovis Dariano, Eduardo Veras e Fernando Bakos. O encontro foi um momento de reflexão sobre os aprendizados do curso e sobre a forma como eles se materializam nas imagens.

 

Foto: Daniel Hunter

 

Mais do que novos conhecimentos, a formação propicia uma verdadeira “transformação” de como os alunos experimentam a fotografia. “Meu olhar cresceu, descobri infinitas possibilidades”, diz a aluna Madelaine Novello. Com atuação como fotógrafa de moda – e também como modelo –, Madelaine destaca que o curso lhe permitiu ir além das referências de sua trajetória. Em seu trabalho final, ela fotografou imigrantes senegaleses que vivem em Caxias do Sul, abordando suas memórias e o seu olhar em terra estrangeira.

 

Foto: Daniel Hunter

 

O aluno Gabriel Cunha ressalta o conhecimento teórico e conceitual proporcionado pelo curso, bem como o aprimoramento de aspectos técnicos da fotografia. “Poder conviver com os professores e colegas, dividir experiências e dúvidas, estar no meio de pessoas que trabalham ou querem trabalhar com fotografia, e conhecer as semelhanças e diferenças do estilo fotográfico de todos, acrescentou demais à minha bagagem”, conta o aluno. As trocas em aula seguem reverberando nos caminhos que os fotógrafos trilham daqui pra frente.

 

Foto: Daniel Hunter

4
dez

Vida e morte na fotografia de Eran Gilat

 

 

Neurocientista há mais de 25 anos, Eran Gilat é também um apaixonado pela fotografia. No projeto Life Science [Ciências da vida], o israelense fotografa naturezas-mortas nas quais posiciona tecidos biológicos de animais.

 

 

 

 

A inspiração de Gilat vem do “embate”, como define o cientista, com materiais orgânicos em seu laboratório. “Leva um tempo até que um jovem médico ou pesquisador se acostume às cenas vistas em hospitais e laboratórios. Mesmo depois de muita prática, alguns não toleram ver algumas coisas. Acredito que minha atividade fotográfica também me leva a essas regiões perturbadoras”, conta o médico fotógrafo.

 

 

 

 

Com forte caráter pictórico, as imagens evocam questões sobre a vida e a morte, além de criarem um contexto ficcional que remete a experimentos científicos de outras épocas. Na visão de Gilat, as fotos ainda abordam a violência presente no comportamento tanto de seres humanos quanto de outros animais, questionando justamente o quão distinto seria o Homo sapiens em relação a outras espécies.

 

 

 

 

Nascido em Haifa, Israel, Eran Gilat é doutor em ciências médicas pelo The Israel Institute of Technology, com pós-doutorado no Albert Einstein College of Medicine de Nova York. Em paralelo à sua atividade científica, é docente no Israel Institute of Technology, Art and Curatorial Studies. Com o ensaio Life Science, participou de diversas exposições e festivais em Israel, nos Estados Unidos e na Europa.

 

1
dez

As árvores de Emma Livingston

 

 

Andando pelas ruas de Buenos Aires, a fotógrafa Emma Livingston encontrou as personagens para um ensaio que se debruça sobre as relações da natureza com o espaço urbano. Em Tree Portraits, Emma constrói uma tipologia de árvores plantadas nas calçadas da capital argentina, lançando um olhar não apenas para as distintas formas das espécies, como também para os contextos onde elas fincam suas raízes.

 

 

 

 

“Penso que há paralelos entre as árvores e nós – em suas individualidades e no que diz respeito ao seu destino: como estão fadadas a crescer ou não, florescer ou sofrer, e por fim morrer no ambiente urbano de concreto e poluição”, conta a fotógrafa.

 

 

 

 

Ao descrever as árvores fotografadas, Emma usa palavras como “postura” e “atitude”, o que deixa claro a intenção de fazer retratos em que se constrói certa expressividade. Na série, o termo técnico “indivíduo arbóreo”, utilizado no contexto do planejamento urbano, ganha todo um sentido particular.

 

 

 

 

Nascida em 1976, em Paris, com cidadania britânica e filha de uma argentina, Emma Livingston vive em Buenos Aires desde 2005. Graduada em História da Arte pela University College de Londres, tem na natureza seu principal foco de interesse. Desde 2006 já realizou quatro exposições individuais e participa de festivais e mostras coletivas em países como Argentina, México, Estados Unidos e Inglaterra.