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Archive for novembro, 2015

17
nov

O cotidiano docente de David McIntyre

 

 

O cotidiano mais banal de um professor universitário é o ponto de partida do ensaio When They’ve Gone [Quando eles partem, em livre tradução], do fotógrafo David McIntyre. Docente de fotografia na Edinburgh College, na Escócia, David lançou-se a um exercício: fotografar colegas seus nos momentos que se seguem às aulas.

 

 

 

 

“O projeto começou como um exemplo, para os alunos de início de curso, de como criar uma narrativa simples de retratos. Você não precisa ir muito longe, basta olhar ao redor”, conta o professor. O projeto contém outros dois ensinamentos, na visão de David: a forma como iluminação e composição bem pensadas contribuem para as imagens; e a importância de experimentar certa contenção na pós-produção, visando obter, desde a captação, todo o potencial das locações.

 

 

 

 

A série, em andamento, agora se expande para outros lugares do campus da faculdade e também a novos personagens – os alunos. Nas imagens do ensaio, afora o objetivo mais didático que motivou a concepção do trabalho, revela-se o interesse do fotógrafo por retratar instantes de introspecção, com personagens imersos em seus pensamentos.

 

 

 

 

David McIntyre leciona fotografia há oito anos na Edinburgh College. Atuou como fotógrafo de música e moda de revistas como Wallpaper e ID, realizando também trabalhos para agências de publicidade britânicas. Em paralelo à sua atuação docente, desenvolve projetos pessoais influenciados por seus interesses em artes, literatura, política e música.

 

13
nov

Jodi Bieber: mulheres que mataram seus maridos

 

 

Uma mulher morta a cada seis dias por seu parceiro afetivo; um estupro a cada 26 segundos. São dados sobre a vida das mulheres na África do Sul, onde a fotógrafa Jodi Bieber desenvolveu o ensaio Women who have murdered their husbands [Mulheres que mataram seus maridos], de 2005. Como informa o título, de forma bastante literal, Jodi retratou mulheres que reagiram de forma extrema à violência doméstica e foram parar na prisão feminina de Johannesburgo.

 

 

 

“Essas mulheres passam por abusos cruéis e sentem que não há outra alternativa. Uma delas foi condenada à prisão perpétua, pagou outra pessoa para matar seu marido. Mas ele a tinha obrigado a dormir com o melhor amigo dele, em frente ao marido. Penso que algumas pessoas simplesmente não sabem como superar esse tipo de situação”, conta a fotógrafa em entrevista à VICE.

 

 

 

Jodi teve autorização para passar apenas um dia na prisão fotografando as detentas. A maioria delas pede anistia ao governo sul-africano, relatando abusos prévios ou alegando defesa pessoal. A temática da violência contra mulheres tornou a fotógrafa mundialmente famosa com a publicação, em 2010, de uma foto de capa da revista TIME – o retrato da afegã Bibi Aisha, que teve as orelhas e o nariz cortado pelo marido e por membros do Talibã.

 

 

 

Nascida em Johannesburgo, em 1966, Jodi Bieber começou sua carreira cobrindo as eleições de 1994, na África do Sul, para o jornal The Star. Dois anos mais tarde, cursou um máster de fotografia na Holanda, que lhe abriu portas para desenvolver trabalhos em diversas publicações internacionais. Seus ensaios mais conhecidos retratam questões sociais da África do Sul. Além de exposições, Jodi realiza tutorias para fotógrafos premiados por bolsas e ministra workshops de fotografia.

 

 

 

10
nov

Barat Ali Batoor: os meninos dançarinos afegãos

 

 

O fotógrafo afegão Barat Ali Batoor revela em seu ensaio The Dancing Boys of Afghanistan [Os meninos dançarinos do Afeganistão] um fenômeno que passou a ser rotina no país nos anos posteriores à queda do regime talibã: a exploração de crianças como escravas sexuais.

 

 

 

Embora não haja estatísticas precisas a respeito, diversos organismos internacionais já fizeram seus alertas sobre essa realidade, observada em variadas regiões do país e mesmo na capital, Kabul. Em geral, são afegãos ricos que, de forma velada, exploram meninos como seus parceiros – muitas vezes, vestindo-os de mulher e obrigando-os a dançar em festas privadas.

 

 

 

Os garotos são vistos como propriedades dos adultos que os exploram. As alegações para manter esse tipo de relacionamento são variadas, conforme matéria do The Washington Post: desde os custos para o casamento com uma mulher na sociedade afegã até a segregação de gêneros – a companhia de um menino em locais públicos não é proibida, ao contrário do que acontece nos contatos entre homens e mulheres.

 

 

 

Trata-se também de uma forma de lidar com a homossexualidade, um forte tabu nos países que seguem leis baseadas no Alcorão. Durante os anos do regime talibã, homens suspeitos de manter relações sexuais com outros homens – adultos ou crianças – eram executados. Após a queda do regime, esse fenômeno emergiu das sombras na forma de exploração sexual.

 

 

 

Nascido em 1983, Barat Ali Batoor viveu fora do Afeganistão até 2001, quando retornou ao país. Desde então, decidiu usar a fotografia como meio de expressão para reportar as transformações vividas no país. Já participou de diversas exposições internacionais e teve seu trabalho sobre os meninos afegãos premiado pelo New York Open Society Institute.