Skip to content

Archive for outubro, 2015

23
out

Os “outsiders” de Pierre Gonnord

 

 

Em seu ensaio mais recente, desenvolvido há cinco anos, o fotógrafo Pierre Gonnord retrata os trabalhadores de sete minas espanholas, nas Astúrias e na região de Castilla y León, que se esgueiram por túneis de até 700 metros de profundidade. “Quis mostrar os ecos do trabalho em seus rostos”, conta o fotógrafo.

 

 

 

Alguns dos retratados são espanhóis cujas famílias trabalham nas minas há três gerações. Outros são imigrantes de países como Rússia e Polônia, que atravessaram o continente europeu em busca de uma nova vida. As oportunidades, no entanto, são incertas, devido aos perigos do ofício e à retirada de subsídios do governo espanhol para o setor – que atualmente emprega um décimo do que empregava no início dos anos 1990.

 

 

 

O enfoque nos mineiros é parte do interesse de Gonnord por personagens marginalizados, temática de grande parte dos seus trabalhos. “Em certas ocasiões hostis, quase sempre frágeis, muito frequentemente feridos por trás da opacidade de suas máscaras, eles representam realidades sociais e por vezes outro conceito de beleza”, define o fotógrafo.

 

 

 

Nascido em Cholet, na França, em 1963, Pierre Gonnord vive em Madri desde 1988. Seus retratos aludem ao trabalho de pintores como Rembrandt, Velásquez e El Greco. Em suas primeiras séries, fotografou a juventude urbana ocidental. Aos poucos, passou a fotografar outsiders dos mais variados tipos – de monges a doentes mentais, passando por gueixas e presidiários. Desde 1999, realiza diversas exposições individuais.

 

 

 

19
out

As paisagens de Daniel Rericha

 

 

Nos últimos tempos, depois de desenvolver uma carreira marcada pela fotografia de paisagens em uma abordagem mais tradicional, o fotógrafo tcheco Daniel Rericha tem se dedicado a uma nova abordagem, que apresentamos no post de hoje. No lugar das montanhas da Suíça e da República Tcheca de trabalhos anteriores, encontramos imagens que beiram a abstração.

 

 

 

 

A ênfase no preto e branco descontextualiza as paisagens, valorizando o caráter simbólico das imagens, muito mais do que a beleza de um determinado lugar. Os fortes contrastes e a economia de elementos, por outro lado, aproximam as fotos do desenho. Nessa guinada formal do fotógrafo, a arquitetura também conquista seu espaço.

 

 

 

 

Daniel Rericha nasceu em Krupka, na República Tcheca, cidade próxima de uma cadeia de montanhas – uma geografia que acompanha seus trabalhos desde sempre. Participou de diversas exposições coletivas e teve fotos publicadas em revistas de viagem da Europa, da África do Sul e da China.

 

 

 

16
out

Onde dormem as crianças, de James Mollison

 

 

Esta semana vimos o trabalho da fotógrafa Jana Romanova, que retrata jovens casais russos, dormindo em suas camas, à espera do nascimento de seus filhos. No post de hoje, apresentamos um trabalho que também lança um olhar a ambientes de intimidade – dessa vez, quartos de crianças dos mais diversos estratos e origens sociais, fotografados por James Mollison no ensaio Where Children Sleep [Onde dormem as crianças].

 

 

 

 

Com apoio da entidade italiana Save the Children, Mollison visitou Estados Unidos, México, Brasil, Inglaterra, Itália, Israel, Faixa de Gaza, Quênia, Senegal, Lesoto, Nepal, China e Índia. Retratou mais de 200 crianças e seus quartos – cada par de imagem acompanhado de alguma informação a respeito do contexto dos fotografados (da mãe japonesa que gasta mil dólares por mês em vestidos para a filha à rotina dos menos privilegiados, que trabalham no campo e em minas).

 

 

 

 

Somados aos rostos, os ambientes são extremamente reveladores dos contrastes e semelhanças entre as condições de vida das crianças. Chamam a atenção para sonhos e necessidades, materializados por objetos e pela própria estrutura física dos espaços. Assim como o ensaio de Romanova nos traz a potência do que está por vir nas gestações, a tipologia de Mollison também fala de um devir em formação nos pequenos recantos da infância.

 

 

 

 

Nascido no Quênia em 1973, James Mollison cresceu na Inglaterra. Estudou Arte e Design na Oxford Brookes University e filme e fotografia na Newport School of Art and Design. Já teve suas imagens publicadas nas principais revistas internacionais – The New York Times Magazine, The Guardian Magazine, GQ, The Paris Review – e realizou exposições individuais em importantes instituições europeias, como o Museu de História Natural de Londres.