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Archive for outubro, 2015

30
out

Alejandro Cegarra: dentro da Torre de David

 

 

A imponente Torre de David, como é conhecido o Centro Financiero Confinanzas, localizado no centro de Caracas, ostentou por anos o título de mais alto prédio ocupado do mundo. Cerca de três mil pessoas viviam no espaço até meados de 2015, quando foram realocadas para novas residências em Zamora, nas proximidades da capital venezuelana. A rotina da Torre enquanto ocupação foi retratada pelo fotógrafo Alejandro Cegarra.

 

 

 

 

“Queria desmontar a crença de que apenas criminosos viviam lá, quando, na verdade, havia famílias honestas que queriam um lugar para chamar de casa”, conta o fotógrafo em entrevista à revista Time. O interesse pela Torre de David veio à tona depois que Cegarra assistiu a um documentário – chamou-lhe atenção o viés exclusivamente arquitetônico do filme, sem qualquer interesse na vida dos moradores.

 

 

 

 

Ao longo de cinco meses, Cegarra visitou a Torre três vezes por semana. Suas imagens mostram pessoas em condições de vida precárias em meio a ruínas que evocam o passado glorioso de uma cidade que conhecida pela excelência da arquitetura modernista.

 

 

 

 

Alejandro Cegarra nasceu em Caracas, em 1989. Estudou publicidade na Humboldt University e passou a se dedicar à fotografia em paralelo a seu trabalho em agências de publicidade. Desde então, atua como fotógrafo de jornais venezuelanos e como correspondente da Associated Press. O ensaio sobre a Torre de David rendeu-lhe o prêmio Ian Parry Scholarship.

 

 

 

30
out

Limites urbanos de Alexander Gronsky

 

 

Uma frase da introdução do livro Pastoral, do fotógrafo Alexander Gronsky, define bem as imagens da série, que apresentamos no post de hoje: “uma série de paisagens encantadoras onde praticamente não há nada para se ver”. Um pouco do que já vimos no ensaio sobre a cidade de Norilsk, na Sibéria, mas agora em outra latitude: nos subúrbios de Moscou.

 

 

 

 

Gronsky novamente mostra fotografias em que as pessoas possuem dimensões ínfimas em meio às paisagens e às construções do homem. A escala é um componente desses lugares entre lugares, nos limites urbanos em que áreas residenciais, industriais e rurais se tornam permeáveis.

 

 

 

 

Os espaços retratados por Gronsky dão indícios de sua localização geográfica ao mesmo tempo que transmitem familiaridade – de certa forma, se parecem aos limites urbanos de qualquer grande cidade. Lugares aparentemente abandonados que, no entanto, revelam usos potenciais a quem os frequenta e os observa de forma imaginativa.

 

 

 

27
out

O homem do tempo de Evgenia Arbugaeva

 

 

Isolamento define a rotina de Vyacheslav Korotki, 63 anos, um polyarnik (meteorologista especializado no Polo Norte). Para se ter uma ideia: seu posto encontra-se na localidade de Khodovarikha, na Rússia, situada a uma hora de distância – de helicóptero – de qualquer outra cidade. Esse personagem e esse cenário são o tema da série Weather Man [Homem do tempo], da fotógrafa russa Evgenia Arbugaeva.

 

 

 

 

Korotki começou sua carreira como um entusiasta da vida em espaços abertos – os poliarniki eram exploradores dos tempos da União Soviética, uma espécie de cosmonautas do Ártico. No posto de Khodovarikha, fundado em 1933, Korotki vive em uma casa de madeira com mais de cem anos. Suas atividades incluem a medição das temperaturas, do nível da água, dos ventos e do acúmulo de neve. As informações são enviadas por rádio a uma outra estação meteorológica, que por sua vez encaminha os dados a Moscou.

 

 

 

 

Sua esposa vive em outra localidade, visitada por ele apenas eventualmente. Eles não têm filhos. O outro contato de Korotki com a sociedade se dá uma vez por ano, quando o barco Mikhail Somov lhe entrega comida e suprimentos – a viagem ocorre durante o período do verão em que é possível navegar pelo mar de Barents, que integra o Oceano Glacial Ártico.

 

 

 

 

Mesmo tendo em vista todo esse contexto, Korotki não se sente só – pelo menos conforme a percepção da fotógrafa. “Fui com a ideia de que se tratava de um ermitão que fugira do mundo por conta de algum trauma, mas não era verdade. Korotki é, de forma alguma, um homem solitário. Ele desaparece na tundra e nas tempestades de neve. Não possui uma percepção de si mesmo como a maioria das pessoas. É como se ele fosse o vento, ou o próprio tempo”, conta Evgenia em entrevista a The New Yorker.

 

 

 

 

Evgenia Arbugaeva nasceu na cidade de Tiksi, no Ártico russo, região onde desenvolve grande parte de seus trabalhos. Formou-se pelo International Center of Photography de Nova York e desde então trabalha como fotógrafa freelance. Seus trabalhos já estamparam as páginas de publicações como National Geographic e Le Monde.