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Archive for abril, 2015

10
abr

Joeri Bosma: uma foto potente por dia

 

 

Uma foto por dia, todos os dias do ano. Essa é a meta de muitos fotógrafos, seja para criar uma rotina de trabalho ou para sair dela com mais frequência e encontrar novos interesses e abordagens. Joeri Bosma é um deles. Sua produção, no entanto, chama atenção pela potência de cada imagem e pelas variações obtidas ao longo do processo.

 

 

 

Nada de uma representação direta da passagem do tempo ao longo de um ano. As imagens do fotógrafo holandês – embora conectadas pela iluminação natural, sempre presente, e com uma ênfase nos autorretratos –, revelam, uma a uma, singularidades.

 

 

 

“O que gosto de mostrar nas minhas fotografias são emoções cruas e honestas com o mínimo possível de recursos”, diz Bosma. Para alcançar essa simplicidade, o contexto das imagens traz elementos da natureza que interagem com o fotógrafo, que iniciou o projeto quando tinha 17 anos.

 

 

 

Nascido em 1994, Joeri Bosma nasceu na Holanda e atualmente estuda na Gerrit Rietveld Academie, em Amsterdam. Desde 2012, realiza exposições nos Países Baixos e tem fotos publicadas em periódicos como a edição francesa da NEON Magazine.

 

 

 

7
abr

Lee Jeffries: visibilidade aos moradores de rua

 

 

Durante uma visita a Londres para disputar uma maratona, em 2008, Lee Jeffries teve um encontro que deu um direcionamento totalmente imprevisto para sua atuação como fotógrafo amador. Um dia antes da corrida, passeando próximo a Leicester Square, ele fotografou uma moradora de rua em um saco de dormir, espremida entre containers de comida chinesa.

 

 

 

 

Lee usava uma teleobjetiva e não esperava ser percebido pela personagem da foto, mas foi, e viu-se obrigado a decidir se simplesmente ia embora ou se pedia licença. Lee acabou indo até ela e, no decorrer da conversa que tiveram, ficou sabendo um pouco da sua vida, atitude que, segundo o fotógrafo, mudou profundamentea relação que tinha com a fotografia de rua.

 

 

 

 

“Todos passam pelos moradores de rua como se eles fossem invisíveis. Eu cruzo o medo, com a esperança de que as pessoas se deem conta de que essas pessoas são como eu e você”, conta o fotógrafo em entrevista à revista Time. Lee paga a todos que fotografa e destina valores oriundos das premiações que recebe a instituições dedicadas aos moradores de rua.

 

 

 

 

O fotógrafo ressalta sua busca por emoções nos rostos fotografados e uma atenção especial a expressividade dos olhos. Em sua aproximação, procura ser o mais informal possível. Raramente toma notas e aproveita o momento da conversa para realizar as fotos.

 

 

 

 

Nascido em 1971, em Bolton, na Inglaterra, Lee Jeffries segue seu trabalho de retratar moradores de rua, viajando pela Europa e pelos Estados Unidos. Suas imagens ganharam notoriedade de forma bastante acelerada e em pouco tempo ganharam coberturas de jornais como The Independent e The Guardian, além de serem premiadas por publicações especializadas como a revista Digital Camera. Atualmente, vive na cidade de Manchester.

 

 

 

 

2
abr

A memória de Porto Alegre na Fototeca Sioma Breitman

Fototeca Sioma Breitman. Foto: Carlos Ferrari

 

O solar Lopo Gonçalves, visto na imagem acima, guarda um precioso acervo da história da fotografia em Porto Alegre. A casa, localizada na Rua João Alfredo, 582, no bairro Cidade Baixa, é a sede do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que acolhe a Fototeca Sioma Breitman. No post de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre esse espaço e sobre o trabalho realizado no local pelo professor do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul Guilherme Lund.

 

Acervo. Foto: Guilherme Lund

 

Entre os fotógrafos que fazem parte do acervo, destaque para nomes importantes do desenvolvimento da fotografia em Porto Alegre, tais como Virgilio Calegari, Irmãos Ferrari, Lunara, Olavo Dutra, Léo Guerreiro e Pedro Flores. A Fototeca também acolhe a coleção João Pinto Ribeiro Netto, com imagens das décadas de 1920 e 30, e a coleção Eva Schmid, que reúne fotos de estúdio e da cidade no final do século 19. Há ainda vistas aéreas obtidas na segunda metade do século 20 que colocam em evidência as transformações urbanas ocorridas em décadas mais recentes.

 

Guilherme Lund. Foto: Carlos Ferrari

 

O trabalho que Lund realiza desde o segundo semestre de 2013 junto à Coordenação de Memória Cultural da Prefeitura começou com uma consulta geral ao material da fototeca. Depois iniciou-se a digitalização e a organização e classificação das fotos. “O objetivo é criar boas práticas de conservação, digitalização e acessibilidade para, a partir daí, construir uma política de captação de novas imagens e tornar o espaço um centro de referência”, explica o professor. Abaixo, vemos um exemplo desse trabalho desenvolvido por Lund. A primeira mostra a digitalização de uma cópia disponível no acervo. A segunda é resultado da digitalização de um negativo de médio formato (6 x 6) da mesma fotografia. O processo amplifica a quantidade e a qualidade de informação presente na imagem, como se percebe no aumento da variação tonal obtida.

 

Digitalização de cópia disponível na Fototeca Sioma Breitman. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

Qualificação da imagem através da digitalização de negativo de médio formato. Foto: Pedro Flores e Léo Guerreiro

 

A Fototeca conta com aproximadamente 9.000 fotografias. A informatização do acervo foi iniciada em 1999, com apoio da Fundação Vitae. Todas as imagens já foram inseridas no banco de dados criado pelo Programa Donato 3.2, disponibilizado pelo Museu Nacional de Belas Artes. Os trabalhos preparam o acervo para oferecer um material organizado, contribuindo para a preservação da memória e do patrimônio cultural da cidade. A diretora do Museu, Leticia Bauer, ressalta o “amplo interesse da comunidade” pelo acervo, consultado por pesquisadores de diversas áreas. Além disso, destaca que a Fototeca está em processo de ampliação de sua estrutura, de modo a qualificar o espaço de trabalho e aumentar sua capacidade de conservação.

O agendamento para consulta do acervo e solicitação de imagens digitalizadas pode ser feito pelo telefone (51) 3289 8276 ou pelo e-mail maranunes@smc.prefpoa.com.br. O trabalho de pesquisadores no local é realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h.