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Archive for abril, 2015

24
abr

Os objetos inexplicáveis de Clovis Dariano

 

 

Até 30 de maio, o professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Clovis Dariano apresenta a exposição Objetos Inexplicáveis na galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365). A mostra, composta por 16 trabalhos em grande e médio formato, traz fotografias que colocam em evidência um misterioso objeto, posicionado em meio a paisagens de campo e praia.

 

 

 

“Não é um objeto aplicado, fotografado separadamente”, conta Dariano a quem fica intrigado pela posição do objeto nas fotos. É o próprio fotógrafo quem intervém fisicamente na paisagem – uma interferência “não ruidosa”, nas palavras de Dariano. Afora o objeto em suspensão, o horizonte é outro elemento recorrente. Dariano conta que buscou paisagens com características de planície, e brinca: “Cidreira é o maior estúdio do mundo”, referindo-se a uma das locações do trabalho.

 

 

 

As imagens vêm sendo obtidas desde 2012 – há também fotografias feitas em outras situações geográficas, que não estão presentes na mostra da Bolsa de Arte. O objeto em destaque nas fotografias tem origem anterior, na série Simbiose, exibida no ano 2000, na Usina do Gasômetro – um exemplo da recente retomada de trabalhos mais antigos por parte do fotógrafo.

 

 

 

Clovis Dariano estudou pintura com Paulo Porcella de 1965 a 1967, diplomou-se como técnico em propaganda em 1969, cursou o Instituto de Artes da UFRGS de 1970 a 1974, realizou pesquisas em arte conceitual com Julio Plaza de 1972 a 1973, estudou gravura em metal com Iberê Camargo em 1973 e fotografa e dirige o seu próprio estúdio desde 1970. Em 1977 funda o “Nervo Óptico – uma publicação aberta às novas poéticas visuais”, juntamente com os artistas Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Mara Álvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Possui obras no Museu Francês da Fotografia, Museu de Arte da UFRGS, na coleção Joaquim Paiva, Coleção Gerdau, entre outras.

 

 

 

Exposição Objetos Inexplicáveis, de Clovis Dariano
Galeria Bolsa de Arte (Visconde do Rio Branco, 365 – Bairro Floresta / Porto Alegre)
De 23 de abril a 30 de maio de 2015
Visitação de segunda à sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h30

 

17
abr

Felipe Dana: rostos da cracolândia

 

 

Fotojornalista da Associated Press, Felipe Dana aproximou-se de um dos grupos mais marginalizados e estigmatizados da sociedade brasileira: usuários e ex-usuários de crack, bem como outros frequentadores das cracolândias do Rio de Janeiro. Em sua abordagem, no lugar da denúncia de uma situação – como estamos acostumados a ver –, encontramos uma tentativa de humanizar o assunto por meio de retratos e das histórias que os acompanham.

 

Retrato de Patricia Sebastião - 22 anos

 

Retrato de Daniela Pinto - 39 anos

 

Na série, observa-se um estúdio improvisado em meio à cracolândia. Ao redor dos fotografados, um modesto fundo branco isola os rostos, deixando ver, no entanto, o contexto onde estão situados.

 

Retrato de Anderson Pereira - 23 anos

 

Retrato de Eduardo Santos de Souza - 46 anos

 

A estratégia é dupla: não simplesmente descontextualizar os fotografados, tampouco mostrá-los imersos naquela realidade, mas tentar conciliar suas singularidades com aquele espaço de convivência comum a todos.

 

Retrato de Douglas Wallace - 26 anos

 

Retrato de Renato Dias - 39 anos

 

Nas histórias que acompanham a série, descobrimos sujeitos e suas particularidades – histórias de família, crenças, desejos. Não um ensaio sobre “craqueiros”, e sim rostos e relatos individuais, com nome e sobrenome.

 

Retrato de Carla Cristina - 26 anos

 

Retrato de José Maurício Oliveira - 41 anos

 

Felipe Dana iniciou sua carreira aos 15 anos, trabalhando como assistente de fotografia em eventos. Estudou fotografia e passou a atuar em trabalhos comerciais e como fotógrafo de agências como Getty Images. Em 2009, decidiu dedicar-se exclusivamente ao fotojornalismo. Desde então, busca documentar as consequências das transformações na periferia do Rio de Janeiro motivadas pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016. Já recebeu prêmios internacionais, inclusive do World Press Photo.

 

Retrato de Andrea, ou "Loira"

 

Retrato de Lucilene Gomes - 44 anos

 

14
abr

As paisagens improváveis de Bruno Cals

 

 

A série Horizontes, de Bruno Cals, joga com imagens de grandes centros urbanos como São Paulo e Tóquio, levando-as a um ponto de abstração e surrealismo. A partir de perspectivas não usuais, prédios se transformam em paisagens que beiram a ficção científica.

 

 

 

Como informa o nome da série, as linhas de horizonte são protagonistas das imagens. Revelam o limite de espaços improváveis construídos no plano da fotografia. A amplitude dessas paisagens ficcionais chama a atenção, remetendo à visão de um deserto.

 

 

 

O ponto de vista adotado pelo fotógrafo faz com que as fachadas fotografadas ganhem novas aparências. Por vezes, o que é sintético parece se metamorfosear em elementos encontrados na natureza e aquilo que é ordinário parece vindo de outro planeta.

 

 

 

“Eu amo arquitetura. Meu pai era arquiteto, e quando eu era criança, costumava acompanhá-lo no trabalho. Se não fosse fotógrafo, adoraria ser arquiteto. Esta é a primeira vez em que trabalho em uma série de imagens arquitetônicas, e tem sido muito gratificante”, conta o fotógrafo ao site Archinect.

 

 

 

Nascido em 1967, no Rio de Janeiro, Bruno Cals mudou-se para Paris aos 19 anos, iniciando carreira como fotógrafo de moda. Retornou ao Brasil aos 26 e seguiu dedicando-se à fotografia. Já trabalhou para publicações como Vogue e Elle, tendo recebido diversos prêmios por sua atuação na publicidade.