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Archive for março, 2015

20
mar

Os corpos e o claro-escuro de Maureen Bisilliat

 

 

O interesse pelas formas do corpo humano, pela interação entre textos e imagens e pela cultura brasileira são alguns dos eixos principais da poética da fotógrafa Maureen Bisilliat. Nascida em 1931, na Inglaterra, e com formação ligada à pintura, Maureen mudou-se para São Paulo em 1957, onde desenvolveu uma vasta produção fotográfica. No post de hoje, apresentamos o ensaio Pele Preta, primeiro trabalho seu a se tornar público, exposto no Museu de Arte Moderna da capital paulista em 1966.

 

 

 

“O corpo humano, minha porta de entrada na pintura, acabou por levar-me à fotografia.” A frase de Maureen, uma de suas declarações mais conhecidas, ajuda a entender seu trabalho fotográfico. Nos movimentos, anatomias e rostos captados, percebe-se forte influência da pintura, especialmente nas fotografias em preto e branco.

 

 

 

Diversos ensaios da fotógrafa apresentam imagens acompanhadas de textos de autores como Euclides da Cunha, João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, que inspiraram a fotógrafa a investigar figuras humanas de diversas regiões do país.

 

 

 

Em texto do curador do Instituto Moreira Salles Sergio Burgi, Maureen comenta sua afeição pelas palavras: “Aprecio imagens aliadas à escrita, frases escolhidas definindo melodicamente a linha da orquestração. Em livros como os de Diane Arbus e Nan Goldin há essa orquestração: ritmos, silêncios, acordes, vazios. A palavra, escolhida da produção literária ou pinçada do testemunho biográfico, vem da fala íntima da pessoa, destilada. Seria quase como escrever com a imagem e ver com a palavra.”

 

 

 

Nascida em Englefieldgreen (Surrey, Inglaterra), em 1931, Sheila Maureen Bisilliat estudou pintura em Paris e Nova York antes de viver no Brasil. De 1964 a 1972 trabalhou para a revista Realidade, da Editora Abril. Em 1985, expôs na 18a Bienal de São Paulo um ensaio inspirado no livro O turista aprendiz, de Mário de Andrade – uma de suas tantas incursões pela literatura brasileira. Sua obra completa – mais de 16 mil imagens – integra o acervo do Instituto Moreira Salles.

 

17
mar

Começam as aulas do Curso Anual de Fotografia

 

 

Com duas turmas – uma com aulas às terças e quintas-feiras e a outra aos sábados –, o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul dá início às atividades de 2015. Buscando sempre refletir a atualidade do mercado, a formação conta com um corpo docente composto por professores altamente qualificados e experientes e oferece recursos de ponta acessíveis a todos os alunos.

 

 

“A formação do Curso Anual dá condições únicas de trabalho. Os alunos têm retornos sobre os trabalhos desde o início, passando pela parte conceitual e chegando à apresentação dos ensaios desenvolvidos ao longo da formação”, explica o professor Guilherme Lund. “Após concluir o curso, os alunos constroem seus caminhos de forma muito rápida”, completa, destacando a participação de ex-alunos em exposições em seguida ao término das aulas.

 

 

O Curso Anual inicia com o aprendizado das técnicas e teorias mais essenciais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, as aulas aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Inclusive fora do horário de aula, os alunos têm acesso a um estúdio com mais de 100m² de área útil, equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

 

 

Para mais informações, além da consulta ao Catálogo Geral de Cursos, é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (55) 51 3218-1340, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail:fotografia-rs@espm.br.

 

13
mar

O cotidiano abstrato de Saul Leiter

 

Em uma frase, o fotógrafo da Magnum Alex Webb sintetiza a produção fotográfica de Saul Leiter: “…uma excepcional habilidade para extrair situações complexas da vida cotidiana, imagens que ecoam a abstração da pintura e que, simultaneamente, retratam o mundo de forma límpida.” No post de hoje, apresentamos um pouco desse olhar, que mescla simplicidade e sofisticação em imagens que sempre desafiam a interpretação de quem as observa.

 

 

 

O comentário de Webb, publicado no obituário da revista The New Yorker (após o falecimento de Leiter, em 2013), reúne palavras que à primeira vista podem soar contraditórias: complexidade e forma límpida, abstração e cotidiano. Mas se analisarmos as imagens, logo percebemos a capacidade do fotógrafo de articular esses conceitos em sua poética.

 

 

 

É como se Leiter lançasse pistas para o espectador – não à toa os reflexos são um elemento recorrente em suas fotografias, bem como silhuetas e transparências.

 

 

 

Nascido em Pittsburgh (Pensilvânia, EUA), Saul Leiter iniciou sua carreira nos anos 1940, nas ruas de Nova York. Na década seguinte, teve seu trabalho reconhecido por Edward Steichen, quem o incluiu em exposições do MoMa na década de 1950. Leiter tornou-se um importante fotógrafo de moda, mantendo em paralelo sua dedicação à fotografia de rua. Somente nos anos 1990 sua produção de imagens em cores ganhou maior notoriedade – grande parte dela era guardada por Leiter, sem vir a público.