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Archive for março, 2015

31
mar

Sobre uma fina camada de gelo, por Ciril Jazbec

 

 

“Cresci cercado pela natureza, por sua autenticidade e brutalidade. Incorporei seus aspectos visuais – contrastes fortes, linhas nítidas, multiplicidade de camadas. Me sinto sobrecarregado pela natureza, pelas mudanças climáticas que nos têm sido apresentadas.” Assim o fotógrafo esloveno Ciril Jazbec explica sua relação com a temática que lhe é mais cara.

 

 

 

Com imagens obtidas na Groenlândia, a série On Thin Ice [Sobre uma fina camada de gelo, em tradução livre] é parte de um projeto maior dedicado à forma como o ser humano se relaciona com as transformações do clima do planeta. As imagens mostram a vida de caçadores e pescadores que vivem no norte groenlandês.

 

 

 

A tribo dos Unnartoq protagoniza o ensaio. Trata-se de um dos últimos povos da região que ainda vivem com base na caça. Sem saber se expressar na língua local, Ciril encontrou outros caminhos para estabelecer o contato com os Unnartoq. “Os gestos e a honestidade acabaram se tornando um fator ainda mais importante da comunicação”, explica o fotógrafo.

 

 

 

“O mar costumava ficar congelado ao longo de oito meses por ano. Atualmente, isso dura apenas alguns meses, ameaçando métodos tradicionais da pesca de focas”, conta Ciril. Soma-se às mudanças do clima a emigração de jovens em direção às cidades, resultando no desaparecimento das tradições locais.

 

 

 

“Sempre pulei de um projeto para outro. Agora sinto que é chegada a hora de trabalhos de longa duração. Desafio-me a ser mais consistente e experimento ao longo do processo”, reflete o fotógrafo a respeito do conjunto dos seus ensaios.

 

 

 

Ciril Jazbec nasceu em 1987, na Eslovênia. Estudou Administração e mais tarde mudou-se para Londres, onde fez mestrado em Fotojornalismo e Fotografia Documental pela London College of Communicartion. Formou-se em 2011 e desde então coleciona prêmios de importantes instituições ligadas à fotografia. Além disso, tem trabalhos seus nas páginas de publicações como National Geographic e The New York Times.

 

 

 

27
mar

Philip-Lorca diCorcia: hiper-realismo e comentário social

 

 

As fotografias de Philip-Lorca diCorcia apresentam cenas que, embora cuidadosamente compostas, apresentam certa espontaneidade, como se o fotógrafo estivesse presente em momentos de intimidade dos personagens. De forma um tanto paradoxal, suas imagens oscilam entre o hiper-realismo e uma aparência de flagrante capturado por um olhar atento.

 

 

 

A produção de diCorcia é extensa e variada. Seus trabalhos nos mostram desde garotos de programa de Los Angeles nos anos 1980-90 – trazendo à tona um mundo subterrâneo, marcado pela epidemia da AIDS –, passando por modelos em ensaios de moda e mesmo pessoas comuns caminhando pelas ruas.

 

 

 

Não importa o contexto no qual diCorcia se insere: suas imagens sempre revelam atmosferas dramáticas e a impressão de um profundo interesse do fotógrafo pela subjetividade de quem protagoniza os planos. No entanto, ao mesmo tempo que mundos interiores ganham evidência, um comentário mais amplo sobre a sociedade permeia seus trabalhos.

 

 

 

diCorcia parece não se satisfazer com a simples contemplação do espectador. Suas imagens convocam olhares curiosos pelas histórias – reais, imaginadas? – contidas nas fotografias. Elas parecem fazer parte de alguma narrativa maior, como se retiradas de um filme – certamente um drama complexo, com personagens instigantes de uma América nada hollywoodiana.

 

 

 

Nascido em Hartford (Connecticut, Estados Unidos), em 1951, Philip-Lorca diCorcia tem mestrado em fotografia pela Universidade de Yale. Já realizou exposições individuais em instituições como o MoMA, de Nova York, e o Centre National de la Photographie, de Paris. Atualmente vive e trabalha em Nova York.

 

24
mar

Santa criança morte, de Alexandre Medeiros

 

 

Formado pelo Curso Anual de Fotografia em 2014, o fotógrafo Alexandre Medeiros inaugura sua primeira exposição individual nesta quinta-feira (26 de março) na galeria Lunara, no 5o andar da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. A mostra, intitulada Santa criança morte, segue aberta ao público até 26 de abril (confira o serviço no final do post). Alexandre nos contou um pouco mais sobre o projeto, desenvolvido desde o ano passado, ao longo da formação do Curso Anual.

 

 

 

“A criança faz da morte um jogo inofensivo”, conta o fotógrafo no texto que acompanha as imagens da mostra, destacando a forma como as crianças lidam com a questão. Alexandre busca repensar a morte para além do sentido de colapso, abordando o que há de misterioso em torno dessa temática. “Assassinamos a criança que existe dentro de nós quando a visão racional sobre a finitude da existência sobrepõe o mistério, a fantasia, o lúdico”, analisa.

 

 

 

Alexandre destaca a importância de sua experiência como aluno do Curso Anual. “Foi crucial ter desenvolvido o trabalho no Centro de Fotografia da ESPM, em virtude da orientação dos professores. Além de serem ótimos fotógrafos, eles se engajam de forma visceral com os projetos, participam dos insights dos alunos”, relembra.

 

 

 

Exposição Santa criança morte, de Alexandre Medeiros
Galeria Lunara – 5° andar da Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551 – Centro – Porto Alegre)
Abertura: 26 de março de 2015, 19h30
Visitação até 26 de abril de 2015, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h