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Archive for janeiro, 2015

30
jan

Pep Ventosa: o todo e seus fragmentos

 

 

A partir de dezenas de capturas, o fotógrafo catalão Pep Ventosa compõe imagens de paisagens urbanas, abrindo espaço para reflexões sobre a forma como enxergamos o mundo ao nosso redor. No post de hoje, apresentamos a série Reconstructed Works [Obras reconstruídas], na qual o fotógrafo explora a relação entre o todo de uma imagem e suas partes.

 

 

 

“Capturadas originalmente em fragmentos, as peças desse quebra-cabeça são então reconstruídas uma a uma, retrabalhadas para criar um único espaço narrativo que nunca existiu, no qual o todo viaja misteriosamente para além daquilo que a câmera documentou”, explica o fotógrafo.

 

 

 

Mais do que uma reflexão sobre a nossa visão, portanto, Ventosa aborda questões sobre como a fotografia, ou melhor, dezenas delas atuam na construção de um discurso: de quantas imagens precisamos para retratar um determinado espaço? De que forma cada camada atua na construção dessas cenas hiper-reais – e por isso mesmo, surreais?

 

 

 

Nascido em 1957, na localidade de Vilafranca del Penedès, próxima de Barcelona, Pep Ventosa vive atualmente em San Francisco, Califórnia. Participou de diversas exposições pelo mundo e tem sua obra na coleção permanente do Crocker Art Museum de Sacramento, Califórnia.

 

 

28
jan

O olhar pictorialista de Kerik Kouklis

 

 

Com formação em música e geologia, Kerik Kouklis concebe imagens com uma forte influência pictorialista, que remetem a certas abordagens da fotografia entre o século 19 e início do século 20. E não somente em termos de linguagem: Kouklis é renomado pelo trabalho com processos analógicos daquela época e pelo uso de câmeras de grande formato. No post de hoje, trazemos algumas imagens produzidas pelo fotógrafo.

 

 

 

Uma atmosfera invernal perpasse muitas das fotografias de Kouklis. A presença humana é quase nula – uma mesa de piquenique vazia, um deque aparentemente abandonado –, reforçando a atmosfera melancólica das imagens.

 

 

 

As árvores se tornam elementos fundamentais, revelam-se de forma arquetípica, o que contribui para o caráter atemporal das fotografias. Da mesma forma que se situam de maneira imprecisa no tempo, tampouco trazem indícios de uma localização geográfica específica.

 

 

 

Nascido na Califórnia, Kerik Kouklis fotografa desde 1989, após uma longa carreira como geólogo. Desde o final dos anos 1990, seu trabalho passou a ganhar mais visibilidade, passando a integrar coleções privadas e de instituições como Museum of Fine Arts de Houston, Denver Art Museum e Hoyt Institute of Fine Arts (Pensilvânia, EUA). Além das exposições, realiza oficinas sobre processos analógicos de captura e revelação.

 

 

23
jan

Richard Johnson: estruturas para pescar no gelo

 

 

Colecionar imagens de um determinado tema estritamente definido é uma estratégia comum a muitos fotógrafos. Já vimos por aqui uma das tipologias mais comentadas nas discussões sobre a fotografia, concebida por Bernd e Hilla Becher, composta por construções industriais. Comentamos também as imagens de portas de residências no interior do Afeganistão registradas por Finbarr O’Reilly e os espaços interiores que Menno Aden observou de cima, a um ângulo de 90 graus. No post de hoje vamos ao Canadá conhecer diferenças e semelhanças das cabanas de pescaria no gelo, obsessão do fotógrafo Richard Johnson.

 

 

 

 

Mais de 600 cabanas, espalhadas por aproximadamente dez províncias canadenses, já foram captadas pelas lentes do fotógrafo ao longo de quase uma década. Elas devem ser móveis e resistentes ao clima da região, além de permitir que os pescadores acessem o que está abaixo da superfície.

 

 

 

 

Se observarmos uma a uma, percebemos que as cabanas dão indícios a respeito da personalidade de seus proprietários. Vemos desde construções aparentemente mais funcionais e impessoais até outras com elementos decorativos, afora a variação de cores e materiais utilizados.

 

 

 

 

“É proteção, é portátil, é feita pelos donos da cabana. Não é pretensioso. É uma solução, todos precisam de calor”, descreve o fotógrafo ao The New York Times.

 

 

 

 

Com uma trajetória profissional como designer de interiores ao longo de 18 anos, Johnson passou a se interessar pela fotografia de arquitetura, atraído principalmente pela simplicidade das estruturas. Em 1991 montou uma empresa dedicada à fotografia de edifícios e espaços interiores. Mais tarde, passou a colecionar imagens de “ice huts”, como se chamam em inglês as cabanas de pescaria no gelo. Desde 2007 expõe essas imagens em mostras na América do Norte.