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Archive for dezembro, 2014

19
dez

Shigeru Yoshida: devoção à natureza

Retrato de Shigeru Yoshida.

“Nós, japoneses, rezamos não somente para Deus, mas também à natureza – ao Sol, aos rios, às árvores e às pedras. Oramos a nossos ancestrais e às pessoas que já não estão entre nós. Fazemos isso habitualmente, desde que nascemos. Rezar é mais ou menos isso para os japoneses: demonstramos respeito e gratidão a tudo nas orações.” O comentário do fotógrafo Shigeru Yoshida revela um pouco da intenção que permeia o ensaio Border [em português, “Fronteira”, “Limite”].

Foto: Shigeru Yoshida

Foto: Shigeru Yoshida

Concebido após os terremotos que atingiram a costa leste do Japão em 2011, Border concentra-se na ambiguidade metafórica do mar e da linha do horizonte: por um lado, paz, amplitude, tranquilidade; por outro – principalmente depois dos efeitos provocados pelas ondas gigantes –, a incerteza e o potencial devastador das águas.

Foto: Shigeru Yoshida

Foto: Shigeru Yoshida

“Quando visitei áreas afetadas pelo terremoto e pelo tsunami, vi muitas pessoas juntando as mãos para rezar. Parecia que todos faziam o mesmo, de forma muito natural, inclusive aqueles que não foram vitimados. Agora já faz mais tempo, mas essas pessoas seguem em suas orações”, conta Shigeru.

Foto: Shigeru Yoshida

Foto: Shigeru Yoshida

Shigeru Yoshida nasceu em Tóquio, em 1958. Graduou-se em Economia, e mais tarde, no final da década de 1980, passou a se dedicar à fotografia. Desde então, viajou o mundo tendo a natureza como foco principal de seu trabalho. Em suas imagens, busca “expressar a energia oculta das orações”.

Foto: Shigeru Yoshida

Foto: Shigeru Yoshida

17
dez

Interior/Exterior, de Marja Pirilä

Retrato de Marja Pirilä.

Utilizando a técnica da câmara escura, Marja Pirilä joga com as nossas noções espaciais na série Interior/Exterior. “A ideia documental do início do projeto logo se expandiu numa nova direção. As fotos passaram a formar não somente o espaço habitado pelas pessoas, como também constituíram uma incursão em paisagens mentais: memórias, devaneios, sonhos, medos”, conta a fotógrafa finlandesa.

Foto: Marja Pirilä.

Foto: Marja Pirilä.

“Em espaços convertidos em câmara escura, pude capturar imagens das pessoas ao mesmo tempo que fotografava a vista que elas tinham de suas janelas”, explica Marja.

Foto: Marja Pirilä.

Foto: Marja Pirilä.

O processo funciona da seguinte forma: as janelas são cobertas por cortinas blecaute com um pequeno furo – por onde passa a luz –, onde é colocada uma lente convexa simples. A origem da técnica da câmera escura remonta a séculos antes de Cristo, na China. Teve desdobramentos na Grécia Antiga, e chegou a artistas que desde o Renascimento a utilizaram para pintar e desenhar.

Foto: Marja Pirilä.

Foto: Marja Pirilä.

“A janela é a fronteira entre o público e o privado, o pessoal e o compartilhado e, se você quiser, entre a psique e a cultura”, interpreta Janne Seppänen, professor da Universidade de Arte e Design de Helsinki – uma das leituras possíveis para o trabalho de Marja.

Foto: Marja Pirilä.

Foto: Marja Pirilä.

Nascida em 1957, Marja Pirilä formou-se em 1986 pela Universidade de Arte e Design da capital finlandesa. Participou de inúmeras mostras individuais e coletivas, realizando também residências artísticas. Desde 1996 trabalha de forma intensa com a técnica da câmera escura – para ela, “um método para investigar paisagens mentais e os nossos entornos, convocando sentimentos subconscientes para a luz do dia”.

Foto: Marja Pirilä.

Foto: Marja Pirilä.

3
dez

Paisagens urbanas de Natan Dvir

Retrato: Natan Dvir.

No post de hoje apresentamos o ensaio Coming Soon [Em breve], um olhar do fotógrafo israelense Natan Dvir para a forma como as imagens da publicidade compõem as paisagens dos grandes centros urbanos – no caso específico da série, de Nova York.

Foto: Natan Dvir.

Foto: Natan Dvir.

“As pessoas que habitam esse espaço são empurradas, sem perceber, em direção a um cenário montado – a realidade das ruas mesclando-se com a fantasia da publicidade. Coming Soon é uma exploração da nossa relação visual com regiões centrais patrocinadas e com o ambiente comercial onde vivemos”, explica o fotógrafo.

Foto: Natan Dvir.

Foto: Natan Dvir.

Natan lembra de quando visitou Nova York pela primeira vez, em 1997. “A escala da cidade imediatamente me impressionou. O ‘Sonho Americano’ apresentou-se na grandeza da arquitetura, nos cruzamentos das ruas e avenidas e na vertigem dos arranha-céus. Mas o que me surpreendeu ainda mais foi a quantidade de anúncios que cobriam a cidade, uma rede comercial caleidoscópica”, descreve.

Foto: Natan Dvir.

Foto: Natan Dvir.

Ao observar a cidade, percebe-se, nas palavras de Natan, uma “experiência cinemática fluida”, por meio das cores saturadas e da enormidade das peças de mídia externa. O fotógrafo aponta ainda um aspecto fundamental desses elementos: a impermanência. Substituídos após algumas semanas, acabam por configurar paisagens em constante transformação.

Foto: Natan Dvir.

Foto: Natan Dvir.

Nascido em 1972 na cidade de Nahariya (Israel), Natan Dvir possui mestrado em fotografia pela School of Visual Arts de Nova York e integra o corpo docente do International Center for Photography. Teve exposições individuais e coletivas apresentadas em diversas instituições, tais como o Museum of Fine Arts de Houston, além de participações em eventos como o Festival de la Luz de Buenos Aires.