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Archive for novembro, 2014

28
nov

Curso Anual de Fotografia: Inscrições abertas!

Foto: William Moreira

Quem deseja aprender fotografia em 2015 já pode se inscrever no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Baixe o Catálogo Geral de Cursos do Centro de Fotografia para consultar todos os detalhes: programas, professores, grades curriculares e valores.

O mais importante é a abertura de perspectivas, uma nova visão da fotografia, e não só do fotografar. – Arthur Crespo, formado em 2014 pelo Curso Anual de Fotografia

Foto: Carlos Ferrari.

O curso inicia em março com o Módulo de Formação, promovendo o aprendizado das técnicas e teorias mais essenciais e abrangentes para a prática da fotografia nas suas mais variadas modalidades. No segundo semestre, a partir de agosto, começam as aulas do Módulo Avançado, que aprofundam temas da primeira etapa e orientam o desenvolvimento de projetos na área específica de interesse de cada aluno. Atendendo às diretrizes de um currículo que busca sempre refletir a atualidade do mercado, o curso conta com um corpo docente composto por professores altamente qualificados e experientes, e de recursos de ponta acessíveis a todos os alunos – inclusive fora do horário das aulas: um estúdio com mais de 100m² de área útil equipado com os mais variados equipamentos de fotografia e de iluminação, e um laboratório digital com estações de trabalho individuais de alto desempenho para o tratamento de imagem.

Foto: Bernardo Santin.

O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme. – Antonio Mainieri, formado em 2014 no Curso Anual

Para mais informações, além da consulta ao Catálogo Geral de Cursos, é possível entrar em contato com o Centro de Fotografia pelo telefone (55) 51 3218-1340, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, e das 14h às 18h, ou pelo e-mail: fotografia-rs@espm.br.

26
nov

A imaginação múltipla de Youngho Kang

Autorretrato de Youngho Kang.

“Olhei-me no espelho, fotografei-me e criei novas imagens com a minha imaginação. Em outras palavras, o espelho tornou-se o espaço onde me transformei em diretor e em ator que está no palco – dançando, ao mesmo tempo que me fotografava.” Assim, Youngho Kang descreve o ensaio 99 Variations [99 variações], série de autorretratos nos quais o fotógrafo sul-coreano se transforma em personagens múltiplos e misteriosos.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Em um experimento a la Cindy Sherman, pelas características cinematográficas das figuras, Kang conta que, ao se transformar em tantos “eus”, foi parar em um lugar que chama de “esfera da imaginação”. O número 99, ele explica, refere-se a uma totalidade de cem “eus” menos um – a fração que produz essas imagens.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

“Durante o processo, descobri a androginia que se escondia em mim”, afirma o fotógrafo. Tal percepção teve como desdobramento não só figuras mais próximas ora do femininos, ora do masculino, como também personagens que escapam a classificações mais definitivas, com características que por vezes flutuam entre o humano e o divino. “Tudo coexiste e está inter-relacionado”, diz Kang.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

No seu apreço pela imaginação, o fotógrafo define o processo como image-telling, um contar de histórias por meio de imagens que guardaria certas peculiaridades, indo além de uma narrativa mais convencional. “Image-telling é o mesmo que apresentar aos espectadores ferramentas para a imaginação – como dar um novo instrumento musical, em vez de oferecer uma narrativa já completa”, explica.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

“Depois dessas 99 imagens, voltarei pela estrada que percorri e vou repensar o poder da imaginação, o significado das imagens e sua relação comigo”, diz Kang, referindo-se à intensidade do processo de desenvolvimento da série.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Nascido em Seul, em 1970, Kang é conhecido pela alcunha de Dancing Photographer, devido a forma como se comunica com os modelos enquanto fotografa – dançando, ou como uma espécie de regente, utilizando a música para preencher os ambientes onde realiza seus ensaios.

Foto: Youngho Kang.

Foto: Youngho Kang.

Sem uma formação específica em fotografia, Kang estudou Língua e Literatura Francesa na Universidade de Hongik e já teve suas fotos estampando as páginas de publicações como Vogue, Bazaar e Elle, além de ter trabalhado em comerciais de marcas como Coca-Cola, Motorola e Samsung. Com exposições em museus e galerias internacionais, apresentou no National Museum of Modern and Contemporary Art de Seul a performance 99th Variation [99a variação], que coloca o ensaio – e a imaginação do fotógrafo – em diálogo com outras linguagens artísticas.

19
nov

Os movimentos de Obaluaê, por Antonio Mainieri

Autorretrato de Antonio Mainieri

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695. Aproveitamos a data para apresentar o ensaio Atotô do fotógrafo Antonio Mainieri, aluno recém-formado no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul de 2014.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

No início do ano, Mainieri visitou um culto de quimbanda e se impressionou com a plasticidade do ritual – sobretudo, com a forma como os movimentos desempenhavam um papel fundamental na cerimônia. Mais tarde, conheceu uma casa de religião de candomblé em Cachoeirinha, onde viria a fazer as imagens de uma homenagem a Obaluaê  – o título da série, Atotô, é uma saudação a esse orixá.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Em iorubá, Obaluaê (umas das grafias possíveis) significa “rei e senhor da terra”. É associado à morte, da mesma forma que sua mãe, Nanã. Também se atribui a essa figura o controle sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Nos rituais, é representado coberto de palha – para cobrir as marcas deixadas pela varíola, segundo algumas lendas.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

“Busquei explorar o movimento e a dança, que possuem fortes significados nas religiões africanas”, conta o fotógrafo. “O movimento aparece em uma espécie de transe para atingir o sagrado, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos”, explica. As imagens valorizam movimentos circulares em sentido anti-horário feitos pelos participantes do ritual.

Foto: Antonio Mainieri

Foto: Antonio Mainieri

Mainieri destaca a importância da formação do Curso Anual para a realização do trabalho. “O curso te obriga a amadurecer ideias e estéticas. Os professores são não somente bons no que fazem, mas também muito acessíveis. E o contato com os colegas faz uma diferença enorme”, relata o fotógrafo.

14
nov

Leitura de trabalhos conclui Curso Anual de Fotografia de 2014

Os alunos do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul concluíram nesta quinta-feira, 13 de novembro, a formação iniciada em março e desenvolvida ao longo de 2014 nos Módulos Básico e Avançado. O grupo teve a oportunidade de apresentar seus trabalhos aos professores Claudio Meneghetti, Clovis Dariano e Eduardo Veras, em um formato de leituras individuais com cada um dos convidados.

Foto: Daniel Hunter.

“Fiquei muito satisfeito com os resultados, o nível da turma está ótimo. Muitos trabalhos saem daqui prontos para serem expostos”, diz Dariano. Veras destaca a resolução formal e técnica dos projetos, bem como a coerência entre as intenções dos alunos e as imagens apresentadas. “Percebi uma homogeneidade nesse sentido, ao mesmo tempo que vi propostas muito variadas”, conta.

A experiência, similar a uma leitura de portfólios, cada vez mais frequente em festivais e mostras de fotografia, possibilita um momento de aprendizado muito particular. “Você passa a aproveitar cada leitura, construindo uma visão sobre as imagens a partir dos olhares de quem comenta os trabalhos”, explica Meneghetti.

Foto: Daniel Hunter.

“Não fosse a troca de ideias ao longo do curso, o trabalho final não sairia. Muito do que eu trouxe hoje vem das referências apresentadas nas aulas”, conta a aluna Carolina Mascia. Já Arthur Crespo ressalta a transformação do entendimento que tinha da fotografia ao ingressar no curso. “O mais importante é a abertura de perspectivas, uma nova visão da fotografia, e não só do fotografar”, diz.

Foto: Carlos Ferrari.

12
nov

Entre a noite e o dia, por Bob Avakian

Retrato de Bob Avakian.

Os momentos que antecedem o amanhecer fascinam o fotógrafo norte-americano Bob Avakian. Vivendo em Martha’s Vineyard, uma ilha na costa nordeste dos Estados Unidos, ele sai de casa à noite para encontrar uma luz bastante específica no ensaio Between Night and Day [Entre a noite e o dia].

Foto: Bob Avakian.

Foto: Bob Avakian.

“Há sempre um elemento de surpresa no meu trabalho. Quando estou na rua, posso ter momentos difíceis enquanto componho o plano e ajusto o foco da câmera. Somente quando retorno ao computador descubro o que realmente estava fotografando”, explica.

Foto: Bob Avakian.

Foto: Bob Avakian.

O tempo de exposição das imagens varia de 30 segundos a oito minutos. Toda essa dedicação em relação à fotografia é relativamente recente: nas últimas três décadas, Bob trabalhou na construção civil e limitava-se a fotografar amigos, familiares e projetos da sua atuação profissional. Nos últimos anos, Bob passou a se envolver mais intensamente com a fotografia e já recebeu uma série de prêmios.

Foto: Bob Avakian.

Foto: Bob Avakian.

“Gosto de pensar minha câmera como um espelho de mão dupla que permite enxergar meu entorno ao mesmo tempo em que me torno mais consciente de mim mesmo”, conta Bob. “Quando fotografo, de madrugada, todas as preocupações desaparecem e a minha noção de tempo se dissolve. Uma consciência mais elevada toma conta e dirige minha atenção para o desafio de revelar a quietude e solidão que experimento”, completa.

Foto: Bob Avakian.

Foto: Bob Avakian.

7
nov

Idealizações do Norte, de Birthe Piontek

Retrato de Birthe Piontek.

“Em 2008 passei três meses em Yukon, uma pequena comunidade no Canadá, onde experimentei em primeira mão o mistério e o fascínio da vida acima do paralelo 60. Encontrei pessoas que foram em busca da sua ideia do Norte.” O relato da fotógrafa alemã Birthe Piontek traz o título da série que apresentamos neste post. Em The Idea of North, ela apresenta os personagens e o cotidiano de uma das regiões de menor densidade demográfica do planeta.

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.

“Às vezes a busca pela identidade leva as pessoas a deixar o caminho mais convencional e as coloca nas estradas menos conhecidas. Para elas, a busca do autoconhecimento se torna uma jornada no sentido mais amplo do termo”, conta a fotógrafa.

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.

Birthe interessa-se pelas trajetórias de pessoas que, em busca de isolamento, revelam uma tentativa de se diferenciar, ao mesmo tempo em que procuram alguma forma de pertencimento.

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.

“O ritmo acelerado da vida anônima nos ambientes urbanos muitas vezes não oferece tempo nem espaço para o processo de individuação, tampouco o lugar confortável necessário para o pertencimento. Para alguns, portanto, o sentido de liberdade e interdependência intrínseco a uma comunidade do Norte faz dela um símbolo idealizado da Terra Prometida”, comenta a fotógrafa.

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.

Além da fotografia, Birthe produz instalações e esculturas, também investigando no uso dessas linguagens questões relacionadas ao retrato e à identidade. Seu trabalho já foi exibido internacionalmente em exposições individuais e coletivas e faz parte de coleções como as do Museum of Contemporary Photography de Chicago e o Museu de Artes Aplicadas de Gera (Alemanha).

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.

O projeto The Idea of North venceu o Critical Mass Book Award 2009 e foi publicado em 2011. Este e outros ensaios já foram publicados em periódicos como The New York Times Magazine, Le Monde, Wired e The New Yorker.

Foto: Birthe Piontek.

Foto: Birthe Piontek.