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Archive for outubro, 2014

17
out

Ao sul do sul, com Luiz Abreu

Retrato de Luiz Abreu. Foto: Ricardo Jaeger

“Ao sul do sul há um lugar esquecido, fechado como um baú. O vento cruza a rua buscando abrigo, e não há testemunhas, ao sul do sul.” Podemos estabelecer um diálogo dos versos (em tradução livre) do cantor Jorge Drexler em Al Sur del Sur com as fotografias da série Banda Oriental, de Luiz Abreu.

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Como no retrato uruguaio que a canção nos apresenta, as imagens do fotógrafo nos trazem lugares em que o isolamento ganha evidência, marcado pela imensidão do pampa.

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Construções abandonadas, lugares despovoados e rastros da atividade humana são registrados pela série. Ainda na carona dos versos de Drexler, é como se o tempo ao sul do sul tivesse parado, se distraído com uma coisa qualquer, deixando os espaços do pampa à espera de algum olhar atento que revelasse seus rincões.

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Figuras solitárias, habitações humildes, cachorros, um cavalo. Um pouco como o encerramento da canção que abre este post, quando Drexler sugere: se houvesse no mundo dois lugares somente, seria o segundo o fim do mundo, o sul do sul.

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Nascido na cidade de Santiago (RS) em 1946, Luiz Abreu iniciou seus estudos em química na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1968. Foi atendente no manicômio judiciário (1971-1975) e começou a fotografar pacientes em 1973. Abandonou o curso de química e dedicou-se a fotografia, descobrindo-a como instrumento de denúncia. Trabalhou como repórter fotográfico no jornal Folha da Manhã (1974-1977) e no jornal da Cooperativa dos Jornalistas (1977-1978).

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

Em 1978 foi um dos fundadores da agência Ponto de Vista, que publicou dois ensaios sobre o Rio Grande do Sul. Nos anos 80 trabalhou como freelance para revistas como Manchete, Istoé, Visão, Época e para os jornais Zero Hora, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e Globo. Entre 1999 e 2002 foi coordenador do departamento de fotografia do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Recebeu diversos prêmios de fotografia e fundou sua própria agência, a Documental, na qual desenvolve projetos pessoais.

Foto: Luiz Abreu

Foto: Luiz Abreu

16
out

A tipologia de interiores de Menno Aden

Retrato de Menno Aden

A partir de um ponto de vista não usual, o fotógrafo alemão Menno Aden produz uma tipologia de espaços arquitetônicos residenciais e corporativos de Berlim na série Room Portraits. Observadas de cima, as peças residenciais revelam modos variados de habitá-las e deixam ver um pouco da personalidade de quem vive em cada uma delas.

Foto: Menno Aden

Foto: Menno Aden

A inspiração para o ângulo adotado veio de fotos de refeições – uma espécie de diário para o qual o Aden subia em cadeiras e fotografava os pratos que tinha à mesa. Nessa experiência,o fotógrafo observou que o ambiente ao redor ganhava mais destaque do que a própria comida. Surgiu então a ideia de obter uma visão total de espaços arquitetônicos, vistos de forma perpendicular, a 90º da superfície.

Foto: Menno Aden

Foto: Menno Aden

Em certo contraponto às imagens residenciais, o fotógrafo apresenta também a impessoalidade de espaços corporativos – entre os quais, elevadores com discretas variações de desenho e materiais.

Foto: Menno Aden

Foto: Menno Aden

De início, para ter uma compreensão dos ambientes, Aden usa uma câmera fixada a um tripé, utilizando lentes grande angular. Depois, acompanhado por um assistente, começa a parte mais complexa: com o apoio de tripés e monopés ele move a câmera pelos espaços e realiza os disparos de forma remota. Cada imagem final é composta a partir de aproximadamente 150 capturas, em um processo que leva de seis a trinta dias – um trabalho que, no entanto, se mantém à margem da aparência harmoniosa dos espaços retratados.

Foto: Menno Aden

Foto: Menno Aden

10
out

O Jardim das Delícias de Leopoldo Plentz

O interesse por objetos e materiais abandonados, sem valor de uso, já foram tema de três trabalhos recentes do professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Leopoldo Plentz. Em Topografia, restos de árvores cortadas; em Arqueologia Urbana, itens de consumo amalgamados no asfalto; e em Coisas Inúteis, sobras do cotidiano. A partir de 18 de outubro, Plentz retoma o assunto, com fotos inéditas, na exposição Jardim das Delícias. A mostra integra o VI Festival Internacional de Fotografia Photovisa, realizado na cidade de Krasnodar, no sudoeste da Rússia.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

Os rejeitos se confundem com o solo e parecem evidenciar um processo de transformação levado a cabo pela gravidade – inexorável, como lembra o professor – e pelo consumo. Outro conceito orienta a concepção do trabalho: o acúmulo, resultado da postura de colecionador do fotógrafo em relação aos objetos descartados que encontra pelas ruas.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

As fotografias convidam o espectador a decifrar o que acontece no aparente caos das imagens. Nas palavras do professor, o trabalho “aborda temas universais e atemporais com elementos contemporâneos, gerando imagens que podem ser de nós mesmos, ou, no caso das fotografias aqui apresentadas, de coisas que não interessam mais enquanto coisas, mas apenas enquanto fonte de imagens”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz

O festival russo sugere a seguinte pergunta aos fotógrafos que participam da sua programação: “O que é importante e precioso para mim?” Plentz responde: “O que me desperta a atenção são as coisas sem importância: casas velhas, um jardim mal cuidado, uma parede impregnada de imagens, um canto da minha casa, enfim, a percepção da beleza e da elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo”.

Foto: Leopoldo Plentz

Foto: Leopoldo Plentz