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Archive for outubro, 2014

31
out

Nova Orleans pós-Katrina, por Dave Anderson

Retrato de Dave Anderson

Para mostrar as consequências do furacão Katrina, que em 2005 atingiu a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, Dave Anderson adotou uma estratégia que estabelece um limite espacial para a investigação: o fotógrafo debruçou-se sobre uma única quadra da cidade, apresentando a reconstrução das casas e o cotidiano daqueles que enfrentaram a catástrofe.

Foto: Dave Anderson

Foto: Dave Anderson

O ensaio deu origem ao livro One Block: A New Orleans Neighborhood Rebuilds [Uma quadra: um bairro de Nova Orleans em reconstrução]. O registro de detalhes das casas e de situações corriqueiras revela o tipo de abordagem do fotógrafo ao lidar com o cenário devastado. “Não parecia certo fotografar pessoas. Eram tempos tão brutais”, conta Anderson ao The New York Times.

Foto: Dave Anderson

Foto: Dave Anderson

O fotógrafo acompanhou a reconstrução da quadra situada entre as ruas Chartres Street, Douglas Street, Caffin Avenue e Flood Street. Ao falar com os moradores do local, fazia questão de enfatizar que não esperava “salvar o mundo” com as suas fotos, mas que se preocupava com o que acontecia na cidade e naquela quadra em específico.

Foto: Dave Anderson

Foto: Dave Anderson

Nas imagens, percebe-se a proximidade alcançada por Anderson em relação aos fotografados, resultado de uma imersão cuidadosa desenvolvida entre 2006 e 2010. Além disso, se pensarmos em momentos críticos da história norte-americana, podemos relacionar a série One Block ao ensaio icônico de Dorothea Lange sobre as consequências da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929 – em ambos, imagens que mostram os esforços para retomar a vida em momentos de crise.

Foto: Dave Anderson

Foto: Dave Anderson

29
out

Lalo de Almeida: O Homem e a Terra

Retrato de Lalo de Almeida

Além de referência na literatura, a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi fundamental para estudos importantes que buscaram compreender o Brasil em seus mais variados aspectos – geográficos, históricos, culturais, antropológicos. A riqueza do livro inspirou também o fotógrafo Lalo de Almeida, autor da série O Homem e a Terra.

Foto: Lalo de Almeida

Foto: Lalo de Almeida

O fotógrafo recorda o momento em que a ideia para o ensaio começou a se desenhar. “No capítulo ‘O Homem’, Euclides da Cunha faz um paralelo maravilhoso entre o gaúcho e o vaqueiro nordestino”, relembra. “Comecei documentando esses dois universos, com a ajuda do Prêmio Máximo da Bienal Internacional de Fotografia (1996) de Curitiba, que me possibilitou passar quatro meses fotografando no sul e no sertão nordestino”, explica Lalo.

Foto: Lalo de Almeida

Foto: Lalo de Almeida

“A partir daí, aumentei o projeto escolhendo um tipo humano característico de cada região brasileira. Selecionei então o gaúcho, o caiçara, o caipira, o pantaneiro, o jangadeiro, o sertanejo/vaqueiro e o ribeirinho amazônico. Todas, populações tradicionais que estavam e continuam em acelerado processo de transformação. Muitos tipos e aspectos haviam desaparecido completamente. Coisas que eu fotografei há alguns anos, já não existem mais”, comenta o fotógrafo.

Foto: Lalo de Almeida

Foto: Lalo de Almeida

Lalo de Almeida estudou fotografia no Instituto Europeo di Design, em Milão. Ingressou no fotojornalismo trabalhando em pequenas agências de Milão, cobrindo a crônica policial da cidade. Ainda na Itália, trabalhou para a agência Grazia Neri, realizando coberturas nacionais e internacionais, entre elas, a guerra na Bósnia. De volta para o Brasil trabalhou no Estado de S. Paulo, na Veja e, por 16 anos, na Folha de S. Paulo. Paralelamente à atuação jornalística, desenvolve trabalhos de fotografia documental.

Foto: Lalo de Almeida

Foto: Lalo de Almeida

O ensaio que trazemos neste post, além de ter sido contemplado com o Prêmio Máximo da I Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, foi indicado ao Internationaler Preis Für Jungen Bildjournalismus em 2003, na Alemanha, e ganhou o Prêmio Fundação Conrado Wessel em 2007. Atualmente, além de colaborar regularmente nas áreas de fotografia e vídeo com o jornal Folha de S. Paulo, faz reportagens desde 2005 para o The New York Times, no Brasil e na América do Sul.

24
out

O tempo em suspensão de Marco A. F.

Retrato de Marco A. F.

Já não é mais verão, diz o título do ensaio de Marco A. F. O fotógrafo apresenta um olhar para a paisagem do litoral gaúcho – mais especificamente, da praia de Tramandaí –, onde algo parece ter acontecido, ao mesmo tempo guardando as possibilidades daquilo que se avizinha – quem sabe, na próxima estação.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

“Procuro, como um arqueólogo, recuperar o que se mantém – apenas fragilmente sinalizado – nos cenários de minha juventude”, relata Marco, que passou todos os verões de sua infância e adolescência em Tramandaí. Com imagens obtidas entre 2010 e 2013, em épocas de baixa temporada, não somente as paisagens da série, como também os interiores residenciais remetem a uma noção de tempo suspenso.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

“As fotos que Marco A. F. fez em Tramandaí não tratam de ruína, nem de escombro, nem mesmo daquilo que se entende por decadência, talvez nem mesmo por abandono. São, antes, a evocação de um desejo que não se realiza, a não ser como memória”, sugere o curador e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Eduardo Veras.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

O impulso das lembranças da infância leva o fotógrafo a um lugar mais universal – ao mar e a nossa mirada em direção ao horizonte. “A praia nos convoca. É possível que compartilhemos uma pulsão primitiva de retorno ao oceano, onde tudo teria começado. Ou, quem sabe, seja só um desejo, histórica e lentamente construído, de experimentar o sol, a brisa, a água e o convívio com as boas almas que estiverem por lá”, reflete Veras no texto curatorial que acompanha o ensaio.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Além de remeter aos veraneios da infância do fotógrafo e à experiência de encontro com o mar, vemos também particularidades do litoral gaúcho – ainda mais evidentes em dias nublados de inverno.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Há ainda outra camada do ensaio na qual se percebe um vínculo das imagens com certas características dos retratos. “Tanto o formato quadrado, já clássico, do negativo 6X6, quanto a frontalidade das composições reafirmam a solenidade dos posicionamentos. São retratos, ainda que em nenhum deles se reconheça a figura humana (mesmo que ela se insinue, quase como vestígio, em cada uma dessas imagens)”, aponta Veras.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Nascido em Lajeado (RS), em 1984, Marco A. F. é formado em Comunicação Social pela Unisinos. Expôs Já não é mais verão no Ateliê da Imagem (Rio de Janeiro, 2014) e na Galeria Augusto Meyer da Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre, 2013). Este ano apresentou na Galeria Mascate, em Porto Alegre, o ensaio Viagem pela linha invisível, fruto de uma viagem realizada ao lado de Eduardo Veras pela fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.