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Archive for setembro, 2014

26
set

Lares egípcios, por Bieke Depoorter

Retrato de Bieke Depoorter

Depois de viajar pela Transiberiana para fotografar os interiores das casas de famílias russas, a fotógrafa belga Bieke Depoorter foi ao Cairo conhecer os lares dos egípcios, alguns meses após as manifestações na Praça Tahrir. A série In Between, conforme indica o título, retrata um período “entre” distintas eras da história do Egito.

Foto: Bieke Depoorter

Foto: Bieke Depoorter

“Não acho que eu seja totalmente invisível no meu trabalho. Claro, depende de cada fotografia e de cada projeto. Não se trata de fotografia objetiva, é uma história que conto e como eu vejo essas pessoas nas minhas fotos, geralmente após muita interação com eles”, conta a fotógrafa ao site FolioPort.

Foto: Bieke Depoorter

Foto: Bieke Depoorter

Na mesma entrevista, ela destaca a postura que busca manter quando fotografa. “É muito importante que eu não esteja com as pessoas somente como fotógrafa, estar lá só para fazer uma boa foto. É importante que eu esteja presente como pessoa, em primeiro lugar. E a fotografia então vem junto”, explica Bieke.

Foto: Bieke Depoorter

Foto: Bieke Depoorter

De fato, as imagens sugerem um contato muito próximo da fotógrafa com seus personagens, até mesmo devido à limitação de espaço das residências. Sem poses dos fotografados, o que se destaca é a relação deles com os cômodos e objetos. Tampouco vemos momentos dramáticos, mas sim instantes aparentemente desimportantes, o cotidiano em sua faceta mais prosaica.

Foto: Bieke Depoorter

Foto: Bieke Depoorter

Nascida em 1986, Bieke Depoorter cursou mestrado em fotografia na Royal Academy of Fine Arts de Ghent, em 2009. Trabalhando basicamente com projetos pessoais, em 2009 realizou a série Ou Menya, viajando pela Rússia e passando noites na casa de pessoas que encontrava ao longo do percurso. Fotógrafa da agência Magnum, ela segue desenvolvendo a série In Between enquanto produz outros trabalhos.

Foto: Bieke Depoorter

Foto: Bieke Depoorter

25
set

Os gaúchos da fronteira oeste, por Fábio Mariot

A infância do fotógrafo Fábio Mariot foi marcada pelas visitas que fazia ao lado do seu pai, agrônomo, às estâncias da região do pampa. Fábio morou no Alegrete até os 17 anos, quando se mudou para Porto Alegre, onde estudou Jornalismo. O interesse pela fotografia era conciliado em paralelo a outras atividades, até o ingresso no Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

“A partir do curso, mudei minha percepção da fotografia, foi um marco”, conta o fotógrafo. “Encontrei professores abertos ao diálogo e muita troca de ideias entre os colegas”, completa. Com os conhecidos adquiridos, as recordações da fronteira oeste do estado ganharam forma.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

As fotos que ilustram esse post fazem parte de um trabalho iniciado em 2012. De volta às estâncias alegretenses décadas após deixar a região, Fábio buscou retratar os gaúchos da fronteira em meio às suas atividades habituais.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

Muito embora a passagem do tempo e os efeitos da globalização tenham sido percebidos pelo fotógrafo, ainda assim foi possível encontrar aquelas figuras que habitavam a memória de Fábio.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

Inspirado pelos retratos de sertanejos do fotógrafo Alexandre Severo (falecido este ano no mesmo acidente aéreo que vitimou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos), Fabio buscou autenticidade na postura e na indumentária dos gaúchos – nada de produção para caracterizar um tipo ideal. Da mesma forma, os cenários escolhidos fazem parte da rotina dos retratados.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

Ao longo do trabalho, os elementos que compõem o entorno dos retratos passaram a chamar a atenção do fotógrafo. Fábio passou então a registrar objetos que fazem parte da rotina de quem vive no campo e que de alguma forma também se revelam retratos das tradições e de um modo de viver.

Foto: Fábio Mariot

Foto: Fábio Mariot

24
set

Michael Christopher Brown na República Democrática do Congo

Retrato de Michael Christopher Brown

No post de hoje, apresentamos uma cobertura do fotógrafo Michael Christopher Brown na República Democrática do Congo. Em 2012, ele passou dez dias ao lado de militares do governo que ocupavam um hotel sáfari, na cidade de Rwindi, enquanto enfrentavam rebeldes do grupo M23 – conflito que se estendeu até o final de 2013, quando o M23 decidiu se retirar do conflito armado contra o governo.

Foto: Michael Christopher Brown

Foto: Michael Christopher Brown

“Fotografei sem a intenção de glorificar ou criticar aquela que geralmente é percebido como uma força militar brutal e corrupta, composta por delinquentes que andam armados e exploram a população. Embora isso possa ser verdade em alguns casos, enquanto estive em Rwindi aprendi que aqueles soldados passam meses sem receber seus salários e muitas vezes dependem da comida e proteção oferecida pela população civil”, conta o fotógrafo.

Foto: Michael Christopher Brown

Foto: Michael Christopher Brown

“Passei dias andando pela base, enquanto os soldados limpavam suas botas, iam à igreja e brincavam com jogos de tabuleiro. Conheci soldados alcóolatras e problemáticos (enquanto estava por lá, um homem matou sua mulher, que teria dormido com outro soldado, e depois se matou), mas eles pareciam ser minoria”, relata Michael.

Foto: Michael Christopher Brown

Foto: Michael Christopher Brown

Nascido na comunidade de Skagit Valley, no estado de Washington, Estados Unidos, Michael Christopher Brown também documentou as revoltas na Líbia, em 2011. Muitas vezes, utiliza o telefone celular para fazer seus registros. Já expôs em espaços como MIT, Instituto Cervantes de Nova York, Museum of Fine Arts de Houston, entre outros. Representado atualmente pela agência Magnum, o fotógrafo também foi personagem do documentário da HBO “Witness: Lybia”.

Foto: Michael Christopher Brown

Foto: Michael Christopher Brown