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Archive for julho, 2014

18
jul

Antoine Bruy: personagens e arquiteturas das montanhas

Retrato de Antoine Bruy

Uma experiência como voluntário em fazendas de produtos orgânicos, na Austrália, despertou no fotógrafo francês Antoine Bruy o interesse por pessoas que escolheram viver afastadas da vida urbana. As fotos deste post foram realizadas entre 2010 a 2013 como parte do ensaio (ainda em andamento) Scrublands [Matagais]. São imagens de um contato mais próximo com gente que se deslocou das cidades em direção a regiões montanhosas da Europa.

Foto: Antoine Bruy

Foto: Antoine Bruy

Bruy conta que não seguiu um itinerário fixo. O percurso por vezes ganhava novos rumos, motivados por encontros e pelo acaso.  Na interação com as pessoas, o fotógrafo desenvolveu uma compreensão mais ampla sobre a escolha de estilos de vida orientados pela autossuficiência. “São destinos variados, os quais, acredito, não devem ser entendidos somente em um nível político, e sim como experiências diárias e imediatas”, analisa Bruy.

Foto: Antoine Bruy

Foto: Antoine Bruy

A cordilheira dos Pirineus (entre França e Espanha) e as montanhas dos Cárpatos (situada entre República Checa, Eslováquia, Polônia, Romênia e Ucrânia) são as principais regiões exploradas por Bruy. “A heterogeneidade de lugares e situações nos mostra o belo paradoxo da busca por uma utopia, via constantes tentativas empíricas e, às vezes, por meio de erros”, comenta o fotógrafo.

Foto: Antoine Bruy

Foto: Antoine Bruy

Em Scrublands percebe-se o olhar do fotógrafo não só em direção aos personagens dessa busca utópica, como também aos objetos e às arquiteturas que se constroem para que esses estilos de vida encontrem um lugar onde se estabelecer. Na intenção de ampliar esse mapeamento, Bruy pretende atravessar o Atlântico para também documentar ermitões que vivem na América do Norte.

Foto: Antoine Bruy

Foto: Antoine Bruy

Graduado na Vevey School of Photography, na Suíça, Antoine Bruy vive atualmente em Lilly, França. Participou de diversas exposições coletivas na Suíça e em outros países. O fotógrafo interessa-se, sobretudo, pela intimidade com as pessoas que retrata em seus ensaios, pelos ambientes físicos onde elas vivem e pelas condições intelectuais e econômicas que condicionam suas trajetórias.

Foto: Antoine Bruy

Foto: Antoine Bruy

15
jul

Encerramento do Módulo de Formação tem leitura de ensaios com Clóvis Dariano

Foto: Schari Kozak

No último sábado, 12 de julho, foi a vez da Turma B do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul ter o seu momento de conclusão do Módulo de Formação. Os alunos apresentaram ensaios para o fotógrafo Clóvis Dariano, que também é professor do Módulo Avançado do Curso. O encontro possibilitou uma leitura dos trabalhos a partir de critérios de iluminação e enquadramento e também de questões mais conceituais, relacionadas às narrativas construídas pelas séries.

Foto: Schari Kozak

“Chega um momento em que, de tão envolvidos com o nosso trabalho, algumas coisas nos passam despercebidas. Por isso, uma observação externa é essencial para a finalização de um trabalho. Releituras são sempre necessárias”, comentou Dariano. Entre outras observações, o professor sugeriu ao grupo explorar diferentes tipos de iluminação, para pensar de forma comparativa distintas possibilidades narrativas. “Vamos aprendendo tudo isso à medida que analisamos e criticamos os trabalhos”, completou.

Foto: Schari Kozak

O professor Guilherme Lund destacou que a aula de encerramento do Módulo de Formação é uma transição para as aulas do segundo semestre, um momento coletivo que não costuma se repetir durante a vida profissional dos fotógrafos. “É um encontro para olhar com atenção o próprio trabalho e o trabalho dos outros, uma possibilidade para ver de fora do processo”, explicou. Ainda segundo o professor, no Módulo Avançado as aulas dão um sentido maior à formação inicial, ampliando os aprendizados das aulas da etapa inicial do Curso.

11
jul

Musuk Nolte e Leslie Searles na Amazônia peruana

As imagens deste post integram o livro Piruw dos fotógrafos Musuk Nolte e Leslie Searles. A publicação traz registros de viagens dos fotógrafos a regiões da Amazônia peruana habitadas por povos nativos. Um olhar particular em direção a lugares de difícil acesso.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

Os Shawi, também conhecidos como Chayahuitas, são um dos grupos fotografados. Segundo informações do Rain Forest Movement, eles habitam um território nas bacias dos rios Paranapuras e Cahuapanas, que pertence às províncias peruanas do Alto Amazonas e de San Martín. Estão agrupados em cerca de 180 comunidades e partilham uma organização social e um sistema de representação simbólica. Além de caçadores e coletores, são também horticultores e pescadores.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

Os Asheninka são outro povo nativo com o qual os fotógrafos tiveram contato. Com parte de sua população vivendo no Brasil, é no Peru, no entanto, onde se concentra a maior parte de seus integrantes. Eles são o segundo maior grupo de nativos da Amazônia peruana, sendo superados apenas pelos Quechua. Vivem da caça e da pesca, usando arco e flecha e lanças, e também da coleta de frutas e vegetais. Parte de sua população também tem sua subsistência fundada na agricultura.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

Analisando a publicação para a revista Emaho, o crítico espanhol Alejandro Castellote aponta que, para os fotógrafos, o uso do preto e branco é uma forma de mesclar os tempos que coexistem no país. “O Peru que eles apresentam está no meio da escuridão. Essa pode ser a única forma de sugerir a extensão do que eles não sabem. A narrativa do encontro com seus pares peruanos é, sem dúvida, a prova da sua própria alteridade, a impossibilidade de preencher as lacunas escuras da história”, interpreta Castellote.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

Piruw é o álbum de uma jornada emocional. Não há mapas; o mapa existe somente no discurso político. Não há História, mas histórias. O que não pode ser nomeado aqui é simplesmente apresentado”, conclui Castellote. De fato, o mistério é um elemento fundamental das imagens, que por vezes dão a ver somente contornos dos seres que vivem na região, em simbiose com a natureza que os cerca.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

Nascido em 1988, na Cidade do México, Musuk Nolte é formado pelo Centro de la Imagen de Lima. Já realizou cinco exposições individuais e participou de diversas mostras coletivas em países como Brasil, China, Espanha, Estados Unidos e Singapura. Entre outros prêmios, em 2011 ficou em primeiro lugar no concurso espanhol Fotografía Humanitaria Juan Bartolomé.

Foto: Musuk Nolte

Foto: Musuk Nolte

O livro Piruw foi escrito em uma coautoria de Musuk com a peruana Leslie Searles. Nascida na cidade de Arequipa, em 1978, estudou Ciências da Comunicação na Universidade de Lima. Mais tarde, Leslie realizou especializações em fotografia na London College of Communication e em artes pela Gerrit Rietvelt Academy de Amsterdam.