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Archive for junho, 2014

27
jun

Angelo Merendino: a batalha que não escolhemos

Retrato de Angelo Merendino

“Não há vida normal com o câncer. Quem sobrevive à doença precisa definir um novo senso de normalidade.” Assim, o fotógrafo norte-americano Angelo Merendino descreve a experiência que teve ao lado da esposa, Jennifer, que precisou enfrentar um longo tratamento contra um câncer de mama. “À medida que lutávamos para comunicar que precisávamos de ajuda, nossas palavras começaram a falhar. Voltei-me para a única forma de comunicação que conheço – minha câmera. Não havia a intenção de fazer um livro ou uma exposição. Essas imagens nasceram de uma necessidade”, conta o fotógrafo, no texto que acompanha a série de fotos.

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

O câncer de Jennifer foi diagnosticado cinco meses após o início do relacionamento com Angelo. “Lembro-me do momento exato… a voz de Jen e a sensação de anestesia que me envolveu. Aquele sentimento nunca mais me deixou”, recorda. No ano seguinte, depois de um primeiro tratamento contra a doença, acreditava-se que Jennifer estaria curada. Pouco tempo depois, no entanto, um exame revelou que o câncer havia sofrido uma metástase, chegando ao fígado e aos ossos. O tratamento recomeçou imediatamente.

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

“Nos tornamos mais próximos com cada desafio. As palavras passaram a ser menos importantes”, diz o fotógrafo. “As fotos mostram as dificuldades, o medo, a tristeza e a solidão que encaramos, que Jennifer encarou enquanto lutava. E o mais importante de tudo: elas mostram o nosso amor”, conta Angelo.

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Ao todo, os tratamentos duraram aproximadamente quatro anos. Com o avanço da doença, Jennifer passou a usar um andador. Além disso, internações com mais de dez dias de duração passaram a ser comuns. O quadro tornava-se ainda mais desgastante devido às discussões do casal com os seguros de saúde a respeito das frequentes consultas com médicos, questionadas pelas empresas.

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Em 22 de dezembro de 2011 Jennifer faleceu, aos 40 anos. Na visão de Angelo, o que se produziu ao longo de momentos tão difíceis pode, quem sabe, ajudar outras pessoas que lidam com a doença: “Através dessas fotos, na próxima vez que perguntarem a uma pessoa com câncer como ela se sente, a resposta será recebida com mais informações, empatia, entendimento, cuidado e preocupação sincera”.

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

Foto: Angelo Merendino

18
jun

Tim Walker: moda, sonho e fantasia

Retrato de Tim Walker

Os editoriais de moda do fotógrafo inglês Tim Walker são mais do que meras construções visuais para apresentar peças de roupas e seus modelos. Com ensaios publicados mensalmente na revista Vogue há mais de uma década, Walker concebe imagens marcadas por uma forte carga onírica, que situam as fotografias muito além do contexto da “fashion industry”. Além do apuro estético presente nas composições, chama atenção a forma como ganham destaque os personagens das suas fotografias.

Foto: Tim Walker

Foto: Tim Walker

“Um retrato que não traz nenhuma verdade sobre o retratado é irrelevante. Quando me encomendam o retrato de algum modelo, eu faço uma pesquisa sobre essa pessoa – quem é, o que representa e o que nela me atrai. Ao fazer um retrato, você está jogando com a identidade dessa pessoa, não é como uma fantasia, e eu penso que isso é algo muito delicado e vulnerável. Por ser uma coisa tão frágil, é necessário colaborar com quem posa para a foto”, explica Walker em entrevista à publicação The White Review.

Foto: Tim Walker

Foto: Tim Walker

O cuidado na relação com cada modelo reflete o pensamento do fotógrafo a respeito do contexto em que atua. “Vejo a moda, de forma majoritária, perpetuando algo que já passou, particularmente no que diz respeito à forma como os seres humanos são retratados. Acho isso repetitivo. Acredito que sempre fui atraído por aquilo que é um pouco mais individual”, conta.

Foto: Tim Walker

Foto: Tim Walker

Com fotografias nas coleções permanentes de renomadas instituições inglesas, como o Victoria & Albert Museum e a National Portrait Gallery, Walker explica que a moda e as marcas, mais do que uma motivação para o seu trabalho, são as responsáveis por tornar possível a materialização da sua criatividade. “Penso que sempre usei a indústria da moda como um mecanismo para financiar e apoiar o meu trabalho. Se eles o fazem e estão contentes, então está tudo bem”, conta.

Foto: Tim Walker

Foto: Tim Walker

Para Walker, cada imagem é um universo de fantasia no qual se constrói uma conexão entre modelo, fotógrafo e leitor/espectador: “Acredito que o modelo é a janela para o observador – qualquer pessoa – fazer parte desse universo. Sou eu perguntando, convidando para entrar naquele clima, seja ele sinistro ou de conto de fadas”.

Foto: Tim Walker

Foto: Tim Walker

Nascido em 1970, Tim Walker teve seu interesse pela fotografia iniciado na biblioteca Condé Nast, trabalhando por um ano no arquivo Cecil Beaton, antes de entrar na faculdade. Depois de três anos estudando fotografia na Exeter College of Art, recebeu o terceiro prêmio no concurso The Independent Young Photographer Of The Year. Após graduar-se, em 1994, trabalhou como assistente freelance em Londres e depois trabalhou na assistência de Richard Avedon, em Nova York. Retornou à Inglaterra e aos 25 anos realizou para a Vogue seu primeiro editorial de moda. Desde então faz ensaios para as edições britânica, italiana e americana da publicação e para revistas como a W Magazine. Vivendo em Londres, além dos editoriais, realiza filmes, lança livros e participa de diversas exposições.

14
jun

Muhammed Muheisen: a nova geração de refugiados afegãos

Retrato de Muhammed Muheisen

Já falamos aqui a respeito do fotógrafo Muhammed Muheisen e do seu olhar para o cotidiano de zonas de conflito. Neste post trazemos uma série de retratos de crianças afegãs que vivem na periferia da capital paquistanesa, Islamabad, onde se concentra uma parte significativa dos refugiados oriundos do Afeganistão.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Segundo informações da Associated Press, há aproximadamente 3,8 milhões de afegãos refugiados no Paquistão. Os números oficiais, no entanto, não incluem um milhão de pessoas que possivelmente vive de forma ilegal em território paquistanês.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

As comunidades de refugiados afegãos são consequência dos conflitos vividos pelo país nas últimas décadas, a começar pela invasão soviética do Afeganistão em 1979. Ao final da guerra, dez anos depois, conflitos civis ocasionaram uma nova fuga em massa de afegãos. Mais tarde, um novo capítulo: a tomada do poder pelo Talibã levava mais refugiados ao Paquistão.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Nesse contexto, gerações de refugiados se sucedem vivendo longe do seu país de origem. A vida em terras paquistanesas, no entanto, está longe de ser viável. Os afegãos enfrentam o estigma de sua identidade nacional relacionada ao terrorismo, condição que torna difícil a integração dos refugiados, que se encontram, portanto, entre dois caminhos igualmente complicados: voltar para um país extremamente pobre e instável ou então seguir enfrentando as adversidades para se adaptar.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

A situação de exclusão, contudo, não é exclusiva dos afegãos. Segundo o relatório Tendências Globais 2012, do Alto Comissariado das Nações Unidas, há cerca de 45,2 milhões de refugiados ao redor do mundo. Desse total, 28,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir internamente, sem cruzar as fronteiras de seus países, enquanto 15,4 milhões obtiveram status de refugiado em outros territórios. Um em cada quatro refugiados no mundo é afegão, tendo como destino, em sua maioria, países como Paquistão e Irã.

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen

Nascido em Jerusalém (1981) e graduado em Jornalismo e Ciências Políticas, Muhammed Muheisen vive atualmente em Islamabad, trabalhando como fotógrafo-chefe da Associated Press. Desde 2001 atuando na agência, cobriu conflitos entre Israel e Palestina e em países como Iraque, Afeganistão, Iêmen, Egito e Síria. Recebeu diversas distinções como o Prêmio Pulitzer de Breaking News (2005) e o primeiro prêmio do National Headliner Awards (2012).

Foto: Muhammed Muheisen

Foto: Muhammed Muheisen