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Archive for abril, 2014

9
abr

Tyler Hicks, cenas pós-atentado

Retrato de Tyler Hicks

O fotógrafo Tyler Hicks, por casualidade, acabou registrando os instantes que vieram logo em seguida ao atentado ocorrido em Nairóbi, capital do Quênia, no dia 21 de setembro de 2013. “Eu estava numa loja de molduras em um shopping center. Tinha ido buscar fotografias que ganhei de amigos fotojornalistas que estiveram no meu casamento. Eu estava muito perto. Não estava com todo o equipamento, tinha apenas uma pequena câmera que carrego sempre comigo”, contou Hicks ao The New York Times.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

“Quando saí da loja de molduras, percebi rapidamente que algo sério estava acontecendo. Muitas pessoas fugiam do shopping. Corri para lá e em poucos minutos comecei a ver pessoas sendo socorridas por outros civis. Estavam baleadas nas pernas ou na altura do estômago, com perfurações que pareciam ser de armas pequenas”, relembra o fotógrafo.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

A autoria do ataque ao shopping Westgate foi reivindicada pela milícia radical islâmica somali Al-Shabab – a motivação seria a participação de tropas quenianas em operações militares contra militantes islâmicos na Somália. Foram confirmadas as mortes de 61 civis – com mais de 200 pessoas feridas – durante o ataque. O cerco ao shopping durou três noites, até a liberação das pessoas que eram mantidas como reféns. Ao final da operação, seis militares e um número não confirmado de atiradores – com estimativas entre cinco e dez – haviam morrido.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

“As forças militares não sabiam onde estavam os militantes, então continuaram a vasculhar as lojas procurando por eles. Havia a preocupação de que houvesse explosivos no local, que fosse arremessada uma granada ou que os tiros começassem novamente”, relembra Hicks.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

À medida que os militares realizavam a busca, surgiam por toda parte pessoas que tinham se escondido para escapar dos tiros. “Muitos civis improvisaram barricadas no interior de lojas, salas de cinema, restaurantes – parecia que em todo lugar mais pessoas saiam de dentro de móveis e estruturas”, conta Hicks.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

“Quando acontece algo dessa magnitude, é tão perigoso – se não mais – do que estar no Afeganistão ou em outro país onde há uma guerra. Você precisa pensar sobre onde se posicionar, como se proteger e que tipos de obstáculos podem ser colocados entre você e um potencial atirador. Muitas das regras do front podem ser aplicadas a uma situação como essa”, explica o fotógrafo.

Foto: Tyler Hicks

Foto: Tyler Hicks

Nascido em São Paulo (1969), Tyler Hicks é fotógrafo do The New York Times. As fotos do atentado em Nairóbi ficaram na segunda posição da categoria “Spot News” do World Press Photo 2014. Ele também foi premiado com o prêmio Pulitzer de reportagem internacional, junto a um time de fotógrafos, pelas coberturas que realizou no Afeganistão e no Paquistão. Além do Pulitzer, recebeu uma série de outras distinções pela sua atuação como fotojornalista em zonas de conflito.

4
abr

Conversas Mudas, de Eliane Heuser

Foto: Laura Aldana

A exposição Conversas Mudas, da fotógrafa Eliane Heuser, apresenta dípticos em que se constroem diálogos entre as imagens a partir de um jogo entre elementos, formas e cores. O desenvolvimento dos trabalhos exibidos na mostra – que segue até 25 de abril, no Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa –  teve início quando Eliane fez o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Eliane Heuser

Eliane tem um interesse particular por figuras humanas em objetos estáticos, tais como manequins e estátuas. São essas figuras que aparecem nos dípticos, acompanhadas de fotografias que retratam objetos variados – uma escala Pantone, copos, uma xícara e uma poltrona, para citar alguns deles.

Foto: Eliane Heuser

Os dípticos dão espaço a associações diversas. Distintas camadas de leitura emergem do trabalho de montagem realizado pela fotógrafa. A combinação das imagens em certa medida dá movimento às formas humanas, que passam a se relacionar com espaços e objetos situados em outros contextos.

Foto: Eliane Heuser

O professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Clóvis Dariano destaca o crescimento de quem realiza o Curso Anual, no que se refere ao domínio e a experimentação da linguagem fotográfica. “É muito interessante acompanhar o desenvolvimento dos fotógrafos que fizeram o curso. Principalmente em relação à parte conceitual dos trabalhos”, observa.

Foto: Eliane Heuser

Bióloga, com mestrado e doutorado em Botânica pela UFRGS, e professora da PUCRS ao longo de 16 anos, Eliane Heuser possui experiência com fotografia desde a década de 1970. Ministra cursos relacionados à fotografia da natureza e recentemente participou da exposição coletiva Fotógrafas Gaúchas, no Canela Foto Workshops 2013.

Foto: Eliane Heuser

Exposição Conversas Mudas, de Eliane Heuser
Período: de 2 a 25 de abril de 2014
Local: Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa – Sala J.B. Scalco (acesso pela entrada principal do Palácio Farroupilha)
Endereço: Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz), 101 – Centro – Porto Alegre/RS
Visitação: de segunda a sexta-feira, 08h30-18h30 (exceto feriados)
Entrada franca

2
abr

Sara Naomi Lewkovicz: ao redor da violência doméstica

Retrato de Sara Naomi Lewkovicz

Fotojornalista já havia alguns anos e recém-ingressa no mestrado da Universidade de Ohio, Sara Naomi Lewkovicz começou a desenvolver um trabalho que documentava a história de um casal – Maggie e Shane. A série acabou se tornando, conta a fotógrafa, “um olhar mais profundo sobre as circunstâncias que transformam um relacionamento em um calvário e sobre o que acontece antes, durante, logo após e muito tempo depois de um episódio de violência”.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Maggie e Shane tiveram um envolvimento curto, porém intenso, antes de Shane ser preso – por envolvimento com drogas. No período em que estiveram separados pelas grades, conversavam todos os dias por telefone. Tão logo Shane saiu da prisão, eles começaram a namorar. Shane passou então a conviver também com Kayden e Menphis – filhos dela, frutos de um relacionamento anterior. Os quatro foram viver em um trailer, na localidade de Somerset, Ohio.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Conseguir um emprego era uma tarefa difícil para Shane, por causa de seu histórico. Ex-detento e passando por um processo de reabilitação devido ao uso de drogas, Shane tentava construir carreira como vocalista de uma banda de rock cristã. As dificuldades financeiras, no entanto, começaram a afetar o casal, que passou a discutir com mais frequência. A situação tornou-se ainda mais grave muito em seguida, sob o olhar da fotógrafa.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Depois de ir a um bar em Lancaster, Ohio, o casal teve uma discussão, pois Shane estaria flertando com outra mulher. Ao chegar à casa dos amigos na qual estavam hospedados, começaram a brigar. Em meio a gritos, Shane começou a agredir Maggie, puxando-a de um lado para o outro.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

“Ele tinha recolhido os nossos celulares. Tive que botar a mão em seu bolso para pegar o meu aparelho. Entreguei o telefone a outro adulto que estava na casa e pedi a ele que chamasse a polícia”, conta a fotógrafa. “Mas sabia que precisa seguir com a história e documentá-la em sua crueza”, explica. Nesse meio tempo, a filha de Maggie foi acordada pela briga e recusou-se a sair do lado da mãe. A polícia apareceu em seguida, e Shane foi levado para a delegacia.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

“Normalmente, vemos as vítimas de violência nas horas ou dias que se seguem aos abusos. Eu tive a possibilidade de passar um tempo com Maggie e seus filhos antes, durante e depois das agressões”, comenta Sara. “Meu próximo passo é viajar ao Alasca, onde Maggie vive atualmente com o marido – e onde vive também o pai das crianças –, para examinar os efeitos de longo prazo desse incidente no seu relacionamento atual, nas crianças e no seu próprio senso de indivíduo”, diz a fotógrafa.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

O objetivo da série, segundo Sara, é examinar os efeitos desse tipo de violência e retratar quem abusa, quem sofre os abusos e as crianças que  testemunham os acontecimentos. Nascida em Nova York, Sara Lewkowicz é mestranda do curso de comunicação visual da Universidade de Ohio. Vive atualmente em Londres, onde realiza parte dos seus estudos. É formada em jornalismo pela Universidade da Carolina do Norte. Já recebeu uma série de prêmios e teve fotos publicadas em diversos periódicos internacionais.