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Archive for janeiro, 2014

22
jan

Para ver a natureza com olhos de raio-x

Arie van’t Riet não se define como fotógrafo nem como artista plástico, mas como um físico especializado em radiação. Por sua formação, sua obra como fotógrafo retrata a natureza de forma pouco convencional: graças ao seu conhecimento sobre raios-x de baixíssima carga energética, desenvolveu uma técnica para capturar as bases de esqueletos de animais e as fibras delicadas de flores e plantas. O resultado se assemelha a ilustrações, ou imagens saídas de um mundo de fantasia.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Nascido na Holanda, estudou física de radiação na Delft University of Technology e obteve seu PhD pela Universidade de Urtrecht. Um dia, um colega pediu que tirasse um raio-x de uma de suas pinturas e, feliz com o resultado, começou a pensar em fazê-lo com fotos de outros tipos de objetos, o que rapidamente o levou às flores. Começou a experimentar com um buquê de tulipas utilizando filmes preto e branco, e a imagem resultante se assimilava a um negativo monocromático. Depois, digitalizado, invertido e colorido seletivamente no Photoshop, o trabalho foi amplamente apreciado por seus amigos, o que o encorajou a continuar.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Van’t Riet afirma preferir retratar cenas comuns, ainda que reencenadas e organizadas por ele, como uma borboleta nas proximidades de uma flor, um peixe no oceano, um pássaro em uma árvore. Desafia-se sempre a mostrar o sentimento despertado por cada cena, buscando instigar a curiosidade do espectador sobre como ela seria originalmente. Em estúdio, os objetos fotografados passam por um processo analógico que utiliza diferentes intensidades de raios-x. Para não prejudicar animais com a radiação, usa aqueles mortos em acidentes de trânsito, ou bichos de estimação recentemente falecidos pertencentes aos seus amigos.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

17
jan

Histórias cariocas, por David Alan Harvey

Retrato de David Alan Harvey

Já contamos aqui a história de David Alan Harvey, autor de um portfólio que sublinha tanto seu status de veterano quanto o frescor atemporal de seu olhar. Inquieto, visitou em 2011, aos 69 anos, o Rio de Janeiro. Uma semana foi tempo suficiente para que bailasse no tradicional carnaval do Copacabana Palace e registrasse de perto um ritual de Candomblé na Urca e um baile funk no Vidigal, apenas para citar alguns exemplos. É mais ou menos assim que o californiano criado em Virgínia leva a sua vida. Há três anos é apenas nos intervalos entre imersões em cidades e seus extremos que visitou sua casa, em Nova Iorque. Suas aventuras nos últimos 25 anos resultaram na obra Based on a True Story (2012), que tem algumas imagens, aquelas feitas no Rio, presentes neste post.

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Based on a True Story (2012) foi editado de forma original: o espectador pode ver as fotos na ordem que quiser, o que constrói sedutoras histórias visuais. É composto por 34 folhas largas, pôsteres horizontais, com uma imagem de cada lado. Dobradas ao meio, transformam-se em 68 páginas sem amarras ou costura, é necessário puxar a folha para ver a foto inteira. Harvey conheceu todos os países americanos, além da Península Ibérica e da África Ocidental para construir a obra, que é focada na migração da Península Ibérica para as Américas, o que inclui a África Ocidental. Nas palavras dele, trata-se da abordagem de quatro culturas miscigenadas: “Espanha, Portugal, África Ocidental e os indígenas que estavam aqui antes”. Entre as cópias da obra distribuídas de graça nos lugares fotografados estão 2.500 livros doados recentemente a favelas do Rio de Janeiro.

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

Foto: David Alan Harvey

15
jan

“Sinto saudade do processo e da beleza das imprevisíveis aberrações químicas”, George Whiteside

Retrato de George Whiteside

George Whiteside é considerado uma lenda no mundo da moda canadense, mas atualmente tem se dedicado a projetos pessoais de belas artes. Com uma predileção pelo monocromático e altamente ligado, ainda hoje, ao analógico, o fotógrafo tem um estilo forte, e consolidou sua assinatura em campanhas de moda antes de voltar às origens, a arte, com a fotografia como forma de expressão pessoal. Como mostra a seleção deste post, mulheres estão entre os temas centrais de sua obra, geralmente nuas em cópias acompanhadas de recortes, intervenções, ilustrações.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Whiteside estudou Arte, e não Fotografia, quando terminou a escola, e imediatamente após a graduação abriu uma galeria com amigos chamada YYZ, em Toronto, que funciona até hoje. Alguns anos depois, passou a fotografar para algumas revistas, e em pouco tempo tornou-se tão requisitado que teve de se desligar do conselho administrativo. Permaneceu dando vazão à veia criativa autoral, mas intensificou a produção apenas recentemente.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Em seu processo criativo, leva o público em consideração, sempre buscando dar a ele mais do que intuitivamente prevê que ele espere. Seu portfólio em moda é repleto de imagens pouco convencionais para a editoria, marcadas por uma identidade visual que muito remete ao seu trabalho autoral. É isso que faz com que seus ensaios sejam considerados atemporais quando o cenário é justamente o contrário: editoriais de moda são majoritariamente datados, costumam expirar seus prazos de validade pouco depois de saírem às bancas. George afirma ter sempre evitado o termo “tendência”. “Todos nós mudamos e evoluímos, mas eu nunca quis possuir uma imagem ‘extrema’. Meu trabalho segue esse senso de estilo clássico, sou mais influenciado pelo mundo artístico do que pelo da moda”.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

A forma como mescla diferentes técnicas é outra de suas qualidades, mas, hoje, Whiteside não usa mais suas Polaroids com tanta frequência por falta de filmes: possui algumas caixas de 665, mas adoraria encontrar alguns Type 55, 4×5 ou 8×10. “Sinto saudade do processo e da beleza das imprevisíveis aberrações químicas”. O fotógrafo também interpreta que o aumento no número de fotógrafos de moda foi proporcional aos avanços da fotografia digital. “Antes, você realmente tinha que saber fotografar”, alfineta. Em suas palavras, a maior diferença entre a fotografia de moda de outrora e a de hoje é a falta de atenção aos detalhes e o menor esforço para criar uma história real. “O digital fez com que os orçamentos caíssem, e na maioria dos casos, a qualidade também. Odeio ver o incansável uso de bordas falsas de Polaroids em cada imagem”.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside