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Archive for janeiro, 2014

31
jan

Começou o Canela Foto Workshops 2014

Começou ontem o Canela Foto Workshops – não apenas um dos eventos mais queridos no calendário do estado, mas um dos mais importantes encontros fotográficos do país. Seu objetivo, de acordo com o organizador e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Raul Krebs é fazer uma grande reunião de fotógrafos, “grandes mestres, alunos de escolas e demais envolvidos em fotografia”. Este ano, sob a temática da água (que dá nome à exposição coletiva), acontece até o dia 2 de fevereiro.

Entre exposições, workshops (confira aqui a lista completa), palestras e lançamentos, o evento de 2014 contará com nomes como Cassio Vasconcelos, Sandra Bordin, Pedro Martineli, Hans George e Ana Rodrigues, Guilherme Lund, Danilo Christidis, Roberta Borges, além dos nomes tradicionais do Canela Foto como Evandro Teixeira, Clovis Dariano, Manuel da Costa, Luiz Carlos Felizardo, Leopoldo Plentz.


Fotógrafos organizadores  e amigos do evento no encontro que discutiu as diretrizes da edição de 2014. Foto: Carlos Ferrari

Além disso, 17 fotógrafos foram selecionados para divulgar seus trabalhos na Convocatória 2014 – Fotografia em Projeção. Como já é de praxe, dentro do objetivo do festival também acontecerão ações específicas e aglutinadoras na programação como palestras, mesas redondas, almoços coletivos, jantares e happy hours.

A ideia do Canela Foto surgiu pela participação do fotógrafo gaúcho Fernando Bueno e sua esposa, a jornalista Liliana Reid, em workshops internacionais de fotografia. Ao perceberem que os cenários e as paisagens são elementos fundamentais para a prática fotográfica, souberam que a cidade de Canela, na Serra Gaúcha, oferece essa atmosfera ideal. Além disso, trata-se de uma cidade turística que proporciona uma temperatura agradável no verão, época em que o evento acontece.

As inscrições podem ser feitas no Espaço 273, Rua Tenente Manoel Correa, 273 e é possível conferir a programação completa aqui.

27
jan

Clovis Dariano e a compreensão da luz


Foto realizada pelos alunos durante o curso “Dominando a luz e criando um estilo”

Fazer com que os alunos entendam a luz. Ainda que pareça extremamente audacioso, é exatamente esse o objetivo do curso “Dominando a luz e criando um estilo”, ministrado na semana passada por Clovis Dariano. Mais do que familiarizar os estudantes com os equipamentos envolvidos na iluminação em estúdio, o objetivo primordial do curso é fazer com que consigam compreender a luz e seu poder de transformar uma cena.

O curso começou com a leitura de imagens de diversas situações, o que instiga os alunos a analisarem o papel da iluminação em cada uma delas. O material incluía diversas áreas imagéticas, o que contempla fotografias de making ofs que mostravam diversas etapas do processo até o resultado final e consagradas obras das artes plásticas. Como Dariano explica, “não se tratam de imagens contemporâneas, mas de imagens escolhidas por determinadas situações onde o controle de luz é bem explicito”. Ainda assim, ele frisou que o curso seria extremamente prático: “depois de compreendido o real sobre a luz, a teoria faz mais sentido e é entendida com mais facilidade”.

E sua bagagem nas artes plásticas foi, de fato, um elemento importante nas aulas, em especial na aula inaugural. Do Renascimento, Dariano mostrou as sutilezas da Mona Lisa, um exemplo clássico de quando a profundidade de campo entra em cena em detrimento das pinturas chapadas e de luz única, sem volume, da Idade Média. Do Barroco, Dariano destacou Velasquez como exemplo, com seus lados escuros exacerbados, sombra projetada, luzes direcionadas, iluminação lateral.

Dariano vem justamente da pintura e do desenho: a fotografia entrou na sua vida como linguagem: era uma “parceira de pincel”.  Há 40 anos na publicidade, sempre teve sua atuação profissional ligada à obra autoral, voltada às artes visuais. A questão de envolver o trabalho pessoal na atuação comercial é totalmente relacionada à criação de um estilo: as situações pessoais fazem a diferença no resultado do trabalho. “São os detalhes que criam uma assinatura”, explica, “não é apenas técnica: a bagagem cultural do fotógrafo chega ao trabalho. O pacote de informação constituído por cinema, teatro, literatura é tão importante quanto o domínio técnico”.

Dariano ministra aulas de iluminação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. O Módulo de Formação tem início em março e inscrições abertas. Confira aqui mais informações.

22
jan

Para ver a natureza com olhos de raio-x

Arie van’t Riet não se define como fotógrafo nem como artista plástico, mas como um físico especializado em radiação. Por sua formação, sua obra como fotógrafo retrata a natureza de forma pouco convencional: graças ao seu conhecimento sobre raios-x de baixíssima carga energética, desenvolveu uma técnica para capturar as bases de esqueletos de animais e as fibras delicadas de flores e plantas. O resultado se assemelha a ilustrações, ou imagens saídas de um mundo de fantasia.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Nascido na Holanda, estudou física de radiação na Delft University of Technology e obteve seu PhD pela Universidade de Urtrecht. Um dia, um colega pediu que tirasse um raio-x de uma de suas pinturas e, feliz com o resultado, começou a pensar em fazê-lo com fotos de outros tipos de objetos, o que rapidamente o levou às flores. Começou a experimentar com um buquê de tulipas utilizando filmes preto e branco, e a imagem resultante se assimilava a um negativo monocromático. Depois, digitalizado, invertido e colorido seletivamente no Photoshop, o trabalho foi amplamente apreciado por seus amigos, o que o encorajou a continuar.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet

Van’t Riet afirma preferir retratar cenas comuns, ainda que reencenadas e organizadas por ele, como uma borboleta nas proximidades de uma flor, um peixe no oceano, um pássaro em uma árvore. Desafia-se sempre a mostrar o sentimento despertado por cada cena, buscando instigar a curiosidade do espectador sobre como ela seria originalmente. Em estúdio, os objetos fotografados passam por um processo analógico que utiliza diferentes intensidades de raios-x. Para não prejudicar animais com a radiação, usa aqueles mortos em acidentes de trânsito, ou bichos de estimação recentemente falecidos pertencentes aos seus amigos.

Foto: Arie van't Riet

Foto: Arie van't Riet