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Archive for novembro, 2013

8
nov

Abertas as inscrições para o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul

Foto: Schari Kozak

Na última segunda-feira, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul colocou no ar a versão 2014 de seu Catálogo Geral de Cursos. Atualizado anualmente, o catálogo online traz as novidades nos cursos e informações sobre o conteúdo programático, bem como detalhes da estrutura oferecida e do corpo docente. Já consagrado pela excelência de seu ensino, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul tem na opinião dos ex-alunos a maior prova de seu sucesso em formar fotógrafos (é possível conferir algumas delas aqui e outras aqui, acompanhadas de fotos produzidas durante o curso).

Foto: Carlos Ferrari

Além de cursos específicos, como os de verão, realizados em janeiro, a ESPM-Sul mantém um curso anual de fotografia dividido em dois módulos que o ocorrem no primeiro e no segundo semestre, respectivamente. Como o catálogo explica:  “O Módulo de Formação promove o aprendizado das técnicas e das teorias mais abrangentes e essenciais, estruturando o conhecimento necessário para o exercício de qualquer atividade fotográfica. E uma vez que esta abordagem revela e deixa em aberto as possibilidades de construção de sentido que esse saber propicia, o Módulo Avançado expande e aprofunda os conhecimentos adquiridos no Módulo de Formação para possibilitar a diferenciação e o desenvlvimento do estilo pessoal de cada um”. Em ambos os módulos existem duas turmas disponíveis, uma aos sábados e outra as terças e quintas-feiras, e o catálogo já conta com informações sobre o início das aulas em cada uma delas.

Foto: Roberto Raskin

Vale ressaltar dois pontos que colocam o Centro em destaque: o estúdio e os professores. Para buscar o máximo de qualidade técnica que a tecnologia oferece, a estrutura tem recursos de ponta. Conta com mais de 100m² de área útil, equipamentos fotográficos e de iluminação sofisticados, além de um teto que abre, permitindo o aproveitamento da luz natural. Já o corpo docente é repleto de veteranos das mais diversas áreas da fotografia, cheios de experiência no ofício e no mercado. 

 

7
nov

Retratos da indiferença: os macacos explorados de Jacarta, por Perttu Saksa

Retrato de Perttu Saksa

Quem visita Jacarta, capital da Indonésia, pode ser surpreendido com a abordagem de pequenos seres estranhos, mascarados e com o corpo peludo escondido em roupas infantis. Por lá, é comum encontrar macacos em trajes maltrapilhos, com o rosto coberto por carcaças de bonecas deterioradas, treinados a agir como humanos para pedir dinheiro aos transeuntes. Tão surpreso e horrorizado como qualquer turista, o fotógrafo finlandês Perttu Saksa clicou esse assustador teatro de rua ao visitar a cidade, o que resultou em seu mais conhecido trabalho, A Kind of You (2013), com algumas imagens presentes neste post. De acordo com ele, a tradição é antiga, e desde sempre perversa, mas ganhou contornos ainda mais sombrios com a modernização da cidade.

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

As origens do desconforto do espectador ao conferir os cliques dão pistas sobre a implícita complexidade do trabalho de Saksa. O título, “A Kind of You” (algo como “um tipo de você), pode ser interpretado tanto como uma referência à nossa proximidade genética com os primatas explorados quanto ao doentio ato de travesti-los de crianças. É a empatia diante dessa crueldade ou a semelhança, de fato, dos macacos com infantes que desperta a generosidade dos turistas? Para conseguir alguns trocados para seus donos, muitos trabalham o dia todo, alguns acorrentados para que não fujam.

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

Silvestres, eles são capturados nas florestas da Sumatra e treinados através de dois métodos, ou melhor, dois tipos de tortura: a fome e o cárcere. Por ficarem acorrentados, acostumam-se a equilibrarem-se apenas nas patas traseiras. O costume teve início por volta de 1890, e originalmente se tratava de uma atividade circense para entreter as crianças locais. Aos que se perguntam “como esse tipo de abuso pode acontecer a céu aberto?”, a resposta de Saksa em uma entrevista ao crítico de arte Mika Hannula serve como reflexão: “Trata-se de uma questão de empatia”. A observação sugere que suas fotografias são mais do que retratos: são uma acusação de nossa própria indiferença com o sofrimento dos outros. Este ano, o governador local deu início a uma série de práticas relativas à ordem urbana e quer proibir a exploração de macacos até o 2014.

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

Nascido em 1977 em Oulu, na Finlândia, Saksa se formou em Artes Plásticas pela Academia Finlandesa de Belas Artes. Costuma trabalhar com retratos, paisagens e naturezas-mortas. Trabalhava com imagens de primatas desde 2011, quando deu início à série Echo,uma série de cliques de macacos empalhados.

Foto: Perttu Saksa

Foto: Perttu Saksa

4
nov

Os tons puídos da guerra, por Moises Saman


Retrato de Moises Saman

Nascido em Lima, criado em Barcelona, vivendo entre o Cairo e Nova Iorque, Moises Saman é um fotógrafo hispano-americano com um portfólio repleto de registros em zonas de guerra. Ainda que contemple imagens da vida dos civis no cotidiano dos conflitos, destacam-se em sua obra os cliques direto do front, que não revelam apenas o horror, mas o marasmo triste que a rotina na guerra pode estranhamente transmitir.

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Filho de uma família peruana e espanhola, Saman mudou-se para Barcelona quando completou um ano de idade, em 1975, e por lá passou a maior parte de sua juventude. Estudou Comunicação e Sociologia na California State University, nos Estados Unidos, e graduou-se em 1998. Foi durante seus últimos anos de curso que decidiu se tornar um fotógrafo, influenciado pelos jornalistas que cobriram as Guerras Balcânicas. Assim, conseguiu empregos em pequenos jornais californianos e, depois de se formar, mudou-se para Nova Iorque para completar um estágio de verão no jornal New York Newsday. Naquele outono, após a conclusão do trabalho, viajou ao Kosovo para fotografar o rescaldo da última guerra dos Bálcãs.

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Em 2000, tornou-se oficialmente um repórter fotográfico do Newsday, posição que ocupou até 2007. Durante seus sete anos na redação, cobriu as consequências dos ataques de 11 de Setembro, passando a maior parte de seu tempo entre Afeganistão, Iraque e outros países do Oriente Médio. Ainda que seu assunto, a fotografia em zonas de conflito, seja difícil, denso e pesado, Saman o retrata com certa delicadeza: não disfarça nem esconde o que está sendo mostrado, mas permite que os vazios da imagem digam tanto quanto as cenas chocantes. De acordo com ele, seu desejo é mostrar as semelhanças positivas quem unem o espirito humano: “Estou interessado nos momentos íntimos entre as pessoas, que nos lembram a dignidade e a esperança em face do conflito”.

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

No outono de 2007, deixou o Newsday para se tornar um fotógrafo freelancer representado pela Panos Pictures, Durante esse período, contribuiu regularmente para veículos como New York Times, Humas Rights Watch, Newsweek e Time Magazine, entre outras publicações internacionais. Premiado pelo World Press Photo, Pictures of the Year e Overseas Press Club, teve imagens expostas no mundo inteiro e, em 2010, foi indicado a integrar a equipe da Magnum.

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman

Foto: Moises Saman