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Archive for novembro, 2013

29
nov

Mitch Dobrowner e a fotografia como tributo ao planeta

Retrato de Mitch Dobrowner

Mitch Dobrowner afirma ter a missão de criar imagens que ajudem a transmitir a forma como vê nosso planeta. Por mais contraditório que possa parecer, é tão bem sucedido em seu objetivo que muitas vezes nem parece ser a Terra o cenário de suas obras. As superfícies planas, retratadas literalmente sem pressa, posto que são fruto de horas de exposição, parecem fazer parte de outros mundos, desconhecidos e inexplorados.

Foto: Mitch Dobrowner

Foto: Mitch Dobrowner

Nova-iorquino, nascido em 1956, ele conta que ganhou sua primeira câmera de seu pai, quando passava por um período perdido típico do final da adolescência. O pequeno gesto deu a ele um rumo e um vício: após entrar em contato com a obra de Minor White e Ansel Adams, apaixonou-se por fotografia. Deixou sua casa, seu emprego e seus amigos aos 21 anos com o objetivo de ver o Sudeste dos Estados Unidos tão presente na obra de Adams com seus próprios olhos.

Foto: Mitch Dobrowner

Foto: Mitch Dobrowner

Na Califórnia, conheceu sua esposa, com quem formou um estúdio de design. O trabalho e a família se tornaram uma prioridade, e Doborowner só voltou a se dedicar à fotografia em 2005, inspirado por seus três filhos, seus amigos e sua companheira. Todas as fotos presentes no compilado deste post foram feitas entre 2005 e 2013.

Foto: Mitch Dobrowner

Foto: Mitch Dobrowner

Ao explicar sua metodologia de trabalho, o fotografo relembra o que, de fato, são paisagens: ecossistemas que já existiam bem antes de nós, e que estarão presentes, com sorte, quando nossa passagem terminar. “Quando tiro fotos, o tempo e o espaço me parecem difíceis de mensurar. Sempre que faço uma imagem de qualidade, eu sei. São nesses momentos que as coisas são tranquilas, parecem simples novamente – e eu obtenho um respeito e reverência pelo mundo que são difíceis de transmitir em palavras. Espero que as imagens ajudem a comunicar o que sinto e o que vejo nesses momentos”.

Foto: Mitch Dobrowner

Foto: Mitch Dobrowner

O trabalho de Mitch já foi exposto em diversos países e está no acervo de galerias em cidades como Santa Fé, Houston, Seattle, Los Angeles, Boston e Paris.

27
nov

Recortes nas alturas, por Kacper Kowalski

Retrato de Kacper Kowalski

Nascido em 1977, Kacper Kowalski é autor de imagens que revelam o caráter abstrato da natureza e das áreas urbanas de um ângulo pouco explorado. Polonês, formou-se em Arquitetura e chegou à fotografia graças a outra paixão: voar de parapente. Além de um piloto campeão, Kowalski é um instrutor licenciado do esporte. É essa a origem de sua abordagem da fotografia aérea e de seu controle incomum sobre cada clique, mesmo nas alturas.

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Do alto, Kowalski concentra-se em questões ambientais, no desenvolvimento das regiões e na ecologia, criando histórias que retratam mudanças naturais e sociais. Os padrões, simetrias e assimetrias criados por seres humanos e natureza dão origem a imagens pictóricas de cenários nunca vistos, ou nunca antes registrados do ângulo em questão. Alguns de seus ensaios revelam as mudanças de uma mesma região com o passar das estações, como seus cliques dos lagos poloneses localizados na Kashubia e na Pomerânia. O resultado se assemelha a uma coleção de tapetes padronizados com exclusividade.

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Graduado na Universidade Técnica de Gdansk, cidade onde vive e trabalha, Kowalski conta que o olhar arquitetônico também desempenha um papel importante em sua fotografia. “Por profissão, sou um arquiteto, então vejo o mundo através de minha educação: organizando tudo em mapas e desenhos”, interpreta.

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Kowalski recebeu várias distinções, incluindo World Press Photo, o Grand Press Photo e o National Geographic and Pilsner Urquell International Photography Award.

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

Foto: Kacper Kowalski

22
nov

O inferno da guerra na obra de Horst Faas

Retrato de Horst Faas

Quando um fotojornalista morre trabalhando em zonas de conflito, ele imediatamente atrai a atenção da mídia. Mesmo que se tratasse, até então, de um nome pouco badalado pela imprensa de massa, suas imagens são publicadas em larga escala e os créditos ganham um destaque maior do que o geralmente dado aos fotógrafos que se arriscam nos campos de batalha. O alemão Horst Faas, legendário na fotografia documental de guerra e um dos responsáveis por levar ao conhecimento público os horrores da Guerra do Vietnã, tem um nome bem menos famoso do que suas fotografias. Faleceu no ano passado, aos 79 anos, e ganhou apenas obituários discretos pelo mundo afora. Faas foi o vencedor do Prêmio Pulitzer por duas vezes e tem em seu portfólio imagens de conflitos na Argélia, Congo e, as mais famosas, Vietnã, presentes neste post.

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Nascido na Alemanha em 1933, Faas entrou na agência Associated Press (AP) em 1956, onde permaneceu durante toda a sua carreira. Na Guerra do Vietnã, mais precisamente de 1962 a 1972, foi o chefe das “operações fotográficas” em Saigon. Chegou lá no mesmo dia que seu companheiro Peter Arnett, com o qual formou uma dupla por quase dez anos. Não apenas registrava a violência e o cotidiano dos soldados como recrutava – e treinava – jovens e talentosos forasteiros vietnamitas como fotógrafos freelancers, criando o que se tornou conhecido como “Horst’s Army” (algo como “Exército de Horst”).

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Em 1967, foi ferido com gravidade no Sul do Vietnã, mas seguiu sua carreira como editor. Um dos fotógrafos com quem trabalhou foi Nick Ut, vencedor do Pulitzer em 1972 pela imagem da menina vietnamita nua fugindo de um ataque de Napalm. Em 1976, foi destinado a Londres para atuar como editor sênior na Europa, aposentando-se apenas em 2004.

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

“Para obter a melhor imagem de um prisioneiro capturado, você tem que clicá-lo no exato momento em que ele é capturado, ou sua expressão será perdida para sempre. O mecanismo humano é de extremamente rápida recuperação. Meia hora depois, as expressões se foram, os rostos mudaram. A mãe com um bebê morto nos braços nunca mais parecerá tão desesperada, não importa o que ela sinta.”
Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas

Foto: Horst Faas