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Archive for junho, 2013

26
jun

Inscrições para concurso da National Geographic encerram neste domingo

A National Geographic realiza anualmente um concurso para fotógrafos profissionais e amadores que apreciam viajar. Trata-se do “National Geographic Traveler Photo Contest”, que está sua 25ª edição e tem inscrições abertas até domingo (30), às 23h59. Os interessados devem inscrever suas fotografias de viagem em todas, algumas ou apenas uma das quatro categorias: retratos de viagem, cenas ao ar livre, sensações do lugar e momentos espontâneos. A intenção é mostrar o poder e a importância que a fotografia assume durante viagens, em qualquer lugar do mundo.

O vencedor do concurso será premiado com uma viagem de dez dias com direito a acompanhante para as Ilhas Galápagos. Segundo e terceiro lugares ganham, respectivamente, um workshop de sete dias da National Geographic e seis dias num cruzeiro com acompanhante.

Acesse o site do concurso para saber mais: National Geographic Traveler Photo-Contest 2013

Veja algumas fotos concorrentes da categoria “Cenas ao ar livre”:


The power of the Criollo: disparada de cavalos crioulos fotografada no Paraná, Brasil, por Chris Schmid.

 

A Peaceful Place: leão-marinho fotografado em La Jolla Cove, San Diego, Estados Unidos, por Ralph Pace.

 

Portrait of an Eastern Screech Owl: Graham McGeorge fotografou esta coruja camuflada em uma árvore, à espera de sua próxima presa, em Okefenokee Swamp, Georgia, Estados Unidos.

 

Snowmelt in the mountains: folha de Gerânio Selvagem sob o gelo, fotografada por Adnrés Domínguez  no Parque natural “Sierra de Grazalema”, Espanha.

 

Hamersley Gorge: cena fotografada no Karijini National Park,  parque australiano localizado a 275 quilômetros ao sul de Port Hedland, por Ignacio Palacios.

 

Tormenta en el Caulle: Francisco Negroni fotografou o segundo dia de erupções do vulcão Cordon Caulle, localizado na Região dos Rios, no Chile. A erupção durou, aproximadamente, 12 meses.

 

Fénec – The soul of the desert: fennec, ou “raposa do deserto”, uma espécie em extinção que habita o deserto do Saara e da Arábia, foi fotografada no Marrocos por Francisco Mingorance.

 

One Mothers Love: o afeto de uma mãe chimpanzé pelo seu filho, no zoológico de Jacksonville, Califórnia, Estados Unidos, captado pelas lentes de Graham McGeorge. 

22
jun

O povo alemão do século XX retratado por August Sander

Retrato de August Sander.

Considerado um dos maiores fotógrafos do período entre-guerras, August Sander fotografou a Alemanha registrando sua arquitetura, paisagens e, em especial, seus habitantes. Através dos retratos desses personagens, construiu seu mais longo e conhecido ensaio: Menschen des 20. Jahrhunderts (Pessoas do Século 20, na tradução literal). Realizado, em grande parte, entre os anos 1920 e 1930, o trabalho documentou diferentes segmentos da sociedade, tornando-se uma fonte de reflexão sociológica e filosófica.
Nascido em 17 de novembro de 1876 em uma comunidade de mineiros e agricultores em Herdorf, norte da Alemanha, August Sander trabalhou por sete anos em uma mina de carvão. Lá, vivenciou seus primeiros contatos com a fotografia, auxiliando um fotógrafo que trabalhava para a empresa mineira. Com a ajuda financeira do tio, adquiriu equipamentos e montou sua sala escura de revelação. Em 1910, Depois de trabalhar em diversos estúdios de pintura fotográfica, abriu seu próprio estabelecimento em Lindenthal.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Foi durante a República de Weimar, instaurada na Alemanha logo após a Primeira Guerra Mundial, que August Sander iniciou o projeto que desencadearia no ensaio Menschen des 20. Jahrhunderts. A ideia era retratar o homem alemão contemporâneo fotografando trabalhadores de diversas áreas. A inspiração para o trabalho surgiu quando Sander foi a Westerwald fotografar os agricultores da região. Neste ensaio, Sander identificou sua visão de sociedade segmentada em grupos de trabalho e posição social. Montou um “portfólio de arquétipos” e iniciou o trabalho com o grupo de camponeses e agricultores – que, de acordo com ele, constituíam a base da sociedade alemã –, chamado Stamm-mappe. Outro grupo era formado por profissionais como advogados, parlamentares e banqueiros. Para ele, essas profissões significavam o fundamento da vida cívica. Há ainda as classes mulheres; artistas, músicos e poetas; e, por último, a população marginalizada, constituída por deficientes mentais, ciganos e mendigos.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

No diagnóstico de August Sander “a fotografia  é, por natureza, uma arte documental”. E, de fato, suas imagens tornaram-se documentos. Os elementos que compunham suas imagens, como roupas, cenários, penteados ou gestos, eram propositalmente utilizados para que permitissem que o status social e a profissão dos fotografados fossem percebidos. Seu trabalho foi tão intenso que, por meados de 1945, ele já reunia um arquivo com mais de 40 mil imagens.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Sobrevivendo à Alemanha nazista

Durante o regime nazista da Segunda Guerra Mundial, August Sander enfrentou fortes represálias.  Seu filho, Erich fazia parte do movimento de esquerda Partido dos Trabalhadores Socialistas e foi preso em 1934. A perseguição nazista fez o fotógrafo interromper seu trabalho entre 1933 e 1939 e continuar produzindo apenas fotografias de natureza e paisagens.  Em 1944, pouco antes de acabar sua pena, Erich morreu na cadeia. No mesmo ano, o estúdio do fotógrafo alemão foi bombardeado pelo governo e mais de 40 mil negativos foram destruídos. Após esse incidente, Sander mudou-se para Kuchhausen, onde continuou a trabalhar sob condições precárias.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Seu nome estava quase esquecido em Colônia quando L. Fritz Gruber reuniu suas fotografias e as apresentou ao público na exposição Photokina, no ano de 1951. Sander morreu em 1964 na cidade de Colônia, porém,  fotos não publicadas foram lançadas no sétimo volume da coleção Menschen des 20. Jahrhunderts (2002), com cerca de 600 fotografias.

19
jun

Fotógrafo Fernando Schmitt ministra aula aos alunos do Módulo de Formação

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

“Aqui eu tenho o papel de provocador”. Com essa fala o fotógrafo Fernando Schmitt iniciou a aula de Ensaio II do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Como a disciplina de Ensaio I mostrou, o trabalho precisa respeitar uma unidade formal, temática ou conceitual. Porém, na aula em questão, o objetivo de Fernando era instigar os alunos justamente a questionarem essas noções básicas de ensaio fotográfico, considerando, entretanto, que elas sirvam de norte em suas produções.

Porto-alegrense radicado em São Paulo, Fernando Schmitt é graduado em jornalismo e mestre em comunicação social. Atualmente, trabalha na coordenação do Atelie Fotô junto com o fotógrafo Eder Chiodetto. O ateliê mantém quatro Grupos de Estudo e Criação em Fotografia, todos com curadoria de Chiodetto, e visa ser um centro produtor de fotografia contemporânea que auxilie no desenvolvimento dos processos criativos de seus participantes. Seu principal foco, aliás, está justamente na discussão em torno da edição, de como desenvolver estética e conceitualmente um corpo de trabalho, seja ele uma série autoral ou um ensaio.

Foto: Eric Souza.

Foto: Eric Souza.

Fernando comentou sobre a importância da busca de referências para “saber que não se está inventando a roda de novo”. Apesar de muito já ter sido feito na área da fotografia, ela se renova à medida que são pensadas outras leituras para um mesmo assunto: mais combinações de referências e temas, elementos separados que reunidos podem resultar em algo diferente e original. O ensaio “Shangai”, do coletivo Baita Profissional, ao qual pertence, não possuía uma unidade facilmente perceptível. Entretanto, as fotos foram feitas com um filme de baixo custo importado da China que dá nome ao trabalho. Eis a unidade.

Já o ensaio “Library of Dust”, de David Maisel, retrata meras latas velhas enferrujadas e corroídas, porém carregadas de significado. As latas guardam uma história triste que Maisel escolheu contar através da fotografia. Armazenados em um hospital psiquiátrico, os recipientes guardam restos mortais de antigos pacientes que foram totalmente esquecidos por seus familiares. O depósito colecionou cinzas dos que estiveram internados na instituição entre os anos de 1883 e 1970.

Library of Dust. Foto: David Maisel.

Unfortunate Events. Foto: Michael Wolf.

Para questionar o que define a fotografia na atualidade, Fernando Schmitt mostrou trabalhos em que a foto não é batida pela pessoa que realizou a composição. “Suns (from sunsets) from Flickr”, de Penelope Umbrico, é uma seleção de fotos de pôr-do-sol retirados da plataforma Flickr, unindo somente os sois recortados em uma composição. Todos transformados em uma única foto. Seguindo o exemplo de fotografia não autoral, o ensaio feito a partir de fotos do Google Street View, chamado “Unfortunate events”, de Michael Wolf, mostra cenas inusitadas das ruas, captadas pelo carro do Google.

Para Fernando, a fotografia pode ir além do que nosso olho está acostumado a ver: “Se a fotografia profissional já é um patamar atingido, a minha questão é mostrar que o ponto mais cômodo não é o único, nem o melhor ponto. [...] O objetivo é abrir portas para que os alunos possam pensar o ensaio de uma forma diferente”. Ainda nas palavras de Fernando, a técnica adquirida é apenas o primeiro passo para fotografar: é a ampliação da visão que faz com que a fotografia de fato se desenvolva.