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Archive for março, 2013

18
mar

“Fotografia é a única língua que pode ser entendida em qualquer lugar do mundo” Bruno Barbey

 

Nascido no Marrocos em 1941, Bruno Barbey é um fotógrafo prolífico, conhecido por se expressar através de seus livros, projetos autorais, documentais e jornalísticos. Radicado na França, passou a integrar a equipe de fotógrafos da Magnum em 1964, tornando-se um membro pleno em 1968. Sua carreira já soma mais de quatro décadas repletas de viagens pelos cinco continentes, o que inclui inúmeras zonas de conflitos. Ainda que não se considere um fotógrafo de guerra, cobriu tumultos militares e civis na Nigéria, Vietnã, Oriente Médio, Bangladesh, Camboja, Irlanda, Iraque e Kuait. As imagens neste post, entretanto, são exemplos de seu esforço em capturar características culturais de países como Índia, China, Filipinas, Nigéria e Marrocos, país de sua infância e tema de boa parte de seu portfólio.

 

 

 

Publicado nas principais revistas do mundo, Barbey é conhecido especialmente por seu livre e harmonioso uso de cores, ainda que tenha trabalhado com imagens P&B no início de sua carreira. De 1959 a 1960, estudou fotografia e artes gráficas na Ecole des Arts et Métiers em Vevey, na Suíça. Seu primeiro ensaio de destaque, Naples’, Switzerland (1964), retratou italianos como protagonistas de um “mundo pequeno e teatral” – tudo com o declarado objetivo de capturar fotograficamente o espírito de uma nação.

 

 

 

Durante os anos 1960, foi comissionado pela Editions Recontre para documentar situações de conflito em países europeus e africanos, além de contribuir regularmente com a revista Vogue. A relação com a Magnum iniciou em 1964. No ano em que se tornou um membro pleno, 1968, documentara a agitação política e as manifestações de estudantes franceses em Paris.

 

 

 

Outra de suas mais aclamadas obras é Poland (1981), fruto de dois anos vivendo na Polônia com o objetivo de registrar um momento de virada na história do país. Barbey já recebeu diversos prêmios por seu trabalho, incluindo o Oversees Press Club Award, o University of Missouri Photojournalism Award e a Ordem Nacional de Mérito francesa. Em 1999, o Petit Palais (Musée des Beaux Arts) da cidade de Paris produziu uma grande exposição de suas fotografias feitas no Marrocos ao longo de 30 anos.

 

 

13
mar

O olhar fotojornalístico de Carl de Keyzer

Retrato de Carl de Keyzer. Foto: Filip Meutermans.

Nascido em janeiro de 1958 em Kortrijk, na Bélgica, Carl de Keyzer é um fotógrafo contemporâneo membro da agência Magnum – foi indicado pela primeira vez em 1990, tornando-se integrante pleno em 1994. Seu estilo independe de imagens isoladas: ao invés delas, prefere um acúmulo de fotografias que permita um diálogo com o texto. Este, por sua vez, costuma sair de seus próprios diários de viagem.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

De Keyzer começou sua carreira como fotógrafo freelancer em 1982, quando sua renda fixa provinha de um trabalho como instrutor de fotografia na Royal Academy of Fine Arts, em Ghent. Na mesma época, tornou-se cofundador e codiretor da XYZ-Photography Gallery. Desde que se consolidou como fotojornalista, investe em projetos longos, em grande escala, e temas gerais. Uma premissa básica da maior parte de seu trabalho é o colapso infra-estrutural de comunidades superpovoadas. Entre seus principais assuntos estão o declínio da União Soviética e a Índia. Alguns de seus diversos livros publicados são India (1987), Homo Sovieticus (1989), God, Inc. (1992), East of Eden (1996), EVROPA (2000), ZONA (2003), Trinity (2007), Congo (Belge) (2010) e Moments Before the Flood (2012).

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

Um ensaio de grande impacto, e que possui várias imagens contempladas nesta postagem, é Zona (2003), que retrata de forma íntima a rotina das prisões siberianas. Ainda que elas já estejam distantes dos Gulags de outrora, possuem mais de um milhão de presos, o que inclui jovens servindo por três anos por roubarem dois ramsters e uma mãe de cinco filhos condenada a quatro por esconder couves na bolsa. Com dois coronéis ao seu lado, um à esquerda e outro à direita, De Keyzer fotografou o que foi autorizado a ver – e nada mais. Vale citar que ao invés das imagens em preto e branco comuns em seu portfólio documental, optou por cores esmaecidas, tendo como resultado imagens com uma atmosfera de sonho.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

Com exibições regulares em galerias e museus europeus, é representado em diversas mostras permanentes, o que inclui o Museum of Contemporary Art de Ghent, a Fnac Collection de Paris e Centro de Arte de Salamanca. Entre seus diversos prêmios constam Les Rencontres d’Arles Book Award, Hasselblad Foundation International Award in Photography (1986), W. Eugene Smith Award (1990) e Prix de la Critique Kodak (1992). Atualmente, vive e leciona em Ghent.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

12
mar

O dia em que o Centro de Fotografia se tornou uma câmera escura

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Foi em clima de celebração e expectativa, acentuados por uma envolvente viagem pela história da fotografia, que teve início o Módulo de Formação do curso anual de fotografia da ESPM-Sul. Ministrada pelos professores Guilherme Lund e Leopoldo Plentz, a aula inaugural enfatizou que se trata da 5ª edição do curso, e que muito se aprimorou desde a primeira turma, em 2009. “Aprendemos na medida em que ensinamos”, sintetizou Lund, que conversou com os alunos sobre o conteúdo prático e teórico deste primeiro semestre de curso.

Foto: Guilherme Lund.

Mas, antes, para colocar todos em sintonia com a complexidade e as surpresas do assunto em questão, o estúdio do Centro foi transformado em uma câmera escura. “Vamos fazer de conta que somos o filme fotográfico ou, mais contemporaneamente, o sensor”, introduziu Plentz, antes de fazer com que toda a sala vivenciasse um fenômeno inédito para quase todos os presentes. Primeiro, todas as luzes foram apagadas. Depois, o professor mostrou um furinho feito em uma porta de metal localizada em uma das extremidades do estúdio. Na frente dele foi posicionado um painel com um anteparo translúcido e, como mágica, a paisagem localizada na rua em frente à parede em questão foi projetada. A imagem, de cabeça para baixo, lembrava perfeitamente aquelas feitas com câmeras pinhole, até porque a lógica de sua reprodução possui o mesmo princípio. A primeira vez que isso foi descoberto, Leopoldo conta, foi em cerca de 500 A.C. Ao lado do pequeno furo, que voltou a ser tapado, havia outro munido de um artefato que fez toda a diferença: uma lente. “Quando alguém teve essa brilhante ideia, um leque de possibilidades se abriu. A imagem ganhou mais cores e nitidez”, completou.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Após a experiência, Plentz deu início a parte teórica de sua aula de História da Fotografia – não sem antes apresentá-los a uma câmera de grande formato. Mesmo que a ideia seja, nas palavras do professor, uma grande pretensão – já que se trata de um tema que pede muito mais estudo –, os alunos puderam entender como a fotografia chegou ao seu estágio atual. Dos precursores Aristóteles, Alhazen e Da Vinci, passando por importantes descobertas técnicas e chegando até a contemporaneidade das câmeras digitais, Plentz mostrou que a estética da fotografia está muito atrelada ao desenvolvimento tecnológico.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

A dupla também falou bastante sobre o corpo docente, dando ênfase ao fato de que cada um dos professores traz a experiência vivida em sua área de atuação à sala de aula. “A ideia é que o grupo seja o mais plural possível para mostrar aos alunos as várias oportunidades que a fotografia oferece, o que inclui as possibilidades concretas do mercado”, explicou Lund. Plentz completou: “Às vezes até discordamos. A técnica é receita de bolo, mas existem questões subjetivas também”.

Se alguém se interessou de última hora, ainda dá tempo de se inscrever. A segunda turma, aliás, cujas aulas acontecem nas tardes de terças e quintas-feiras, começa essa semana. Para conferir mais informações, basta acessar nosso Catálogo Geral de Cursos.