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Archive for março, 2013

28
mar

A influência da pintura nos retratos de Juan Esteves

Retrato de Juan Esteves.

Juan Esteves, um dos mais importantes fotógrafos e críticos da área no país, descreve-se como um “retratista compulsivo”: para ele, não se trata de um trabalho, mas uma troca. “A maioria dos meus retratos são de pessoas que admiro muito. Fotógrafos, escritores, músicos, cineastas, artistas plásticos, arquitetos, gente ligada a cultura”, conta. Sobre o tema, já publicou dois livros, Presença (2006) e 55 Portraits (2000), cujas imagens ilustram este post. Algumas delas serão publicadas, também, em Vida de Fotógrafo com perfis de 20 grandes fotógrafos internacionais.

Adolfo Bioy Casares, escritor, 1995. Foto: Juan Esteves.

Arnaldo Antunes, compositor e poeta, 1995. Foto: Juan Esteves.

Santista nascido em 1957, Esteves conta que sua inclinação pelo retrato começou cedo, em casa. Seus bisavós e avós vieram de Goián, um pequeno vilarejo de Pontevedra, na Galícia, acompanhados por um jovem pintor, Antonio Fernandéz Goméz, que morou durante anos na companhia do casal. Ao retornar ao seu país, deixou uma dezena de retratos espalhados pela casa. Sua fotografia tem forte influência dos mestres espanhóis Jusepe Ribera e Diego Velázques – é deste, por exemplo, o dramático uso de luz lateral tão comum em suas imagens.

Walter Hugo Khouri, cineasta, 1998. Foto: Juan Esteves.

Fernando Campana, designer, 1999. Foto: Juan Esteves.

Mais do que sublinhar sua veia retratista, a pintura teve forte crédito, também, na entrada da fotografia na vida de Esteves. Ainda adolescente, pela convivência com a avó artista plástica, começou a desenhar, pintar e experimentar diversas técnicas, sempre buscando a figura humana. “Participei de salões jovens, mas em um momento percebi que era incapaz de produzir o que queria. Notei que só conseguiria isso com a fotografia”, relembra. Hoje, está justamente fazendo o caminho reverso, voltando à arte, manipulando imagens. Suas primeiras bíblias foram Fotografia Básica de Michel Langford, e Vu par Moscou, de Henri Cartier-Bresson.

Aldemir Martins, pintor e gravador, 1999. Foto: Juan Esteves.

Hector Babenco, Cineasta, 1998. Foto: Juan Esteves.

Esteves conta que foi difícil conciliar o trabalho normal, os estudos e o crescente desejo de se tornar fotógrafo. Na época, início dos anos 1980, as opções se restringiam à imprensa ou publicidade, e ele optou pelo fotojornalismo. Começou cobrindo férias em sucursais de A Tribuna, jornal santista, enquanto formava com amigos a agência Contato. Depois de meses, foi contratado após um freela em A Tribuna e exatamente um ano depois partiu para a Folha de S. Paulo, onde trabalhou ate 1994.

Peter Greenaway, cineasta, 1998. Foto: Juan Esteves.

Haroldo de Campos, poeta, 1998. Foto: Juan Esteves.

Na Folha, além de fotógrafo, foi editor de fotografia e colunista nos cadernos de informática e cultura. Em seu extenso currículo constam obras nos acervos do Museu de Arte Moderna de São Paulo-MAM; Museu de Arte de São Paulo – MASP; Musée de L’Elysée, Lausanne, Suíça; Instituto Moreira Salles-IMS; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Brasileira-MAB-FAAP; Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural e Museu de Fotografia da Cidade de Curitiba; entre outros privados e públicos. Ao todo, já soma 24 exposições individuais e 84 coletivas. Em sua larga trajetória como articulista e crítico de fotografia já colaborou com as revistas Iris Foto, Revista Fotosite e, atualmente, escreve para a revista Fotografe Melhor.

22
mar

Vida e morte na obra de Dieter Appelt

Dieter Appelt no seu estúdio em Berlim, 1990.

Após a Segunda Guerra Mundial, Dieter Appelt retornou com sua família à fazenda em que viviam e, para sua surpresa, encontrou corpos de soldados em decomposição os esperando nos campos do terreno. Essa experiência, de acordo com a crítica, foi fundamental na construção das bases estéticas e emocionais de seu trabalho. Appelt, um dos mais importantes fotógrafos alemães, integra um segmento vanguardista do país cuja produção artística é marcada pela forte influência do período pós-Guerra. Nascido em 1935, mescla em suas obras, fotografia, filme e performance e, atualmente, ministra aulas sobre esses três pilares na Berlin Academy of Fine Arts.

"First Hanging". Foto: Dieter Appelt.

"Eye Tower". Foto: Dieter Appelt.

Appelt cresceu no lado oriental do país durante a Segunda Guerra e, na década de 1960, começou a estudar fotografia e pintura. A partir dos anos 1970, influenciou-se pelos rituais de Joseph Beuys, passando a executar performances e a documentar seu desempenho através da fotografia. De acordo com ele, suas imagens e instalações vem de seus sentimentos e experiências próprias, mas também de seu desejo de expressar a agonia, a natureza decisiva de termos de nascer e morrer. “Se você realmente quer expressar alguma coisa”, ele diz, “você deve ser radical”.

"Headrest ". Foto: Dieter Appelt.

"Skull Machine". Foto: Dieter Appelt.

Duração e decadência são temas persistentes em suas fotos. Appelt costuma utilizar longas horas de exposição em uma tentativa de registrar os efeitos da passagem do tempo. Ao criar fotografias que mostram o próprio corpo coberto de pó ou envolvido por tiras de pano, revela sua preocupação com temas como a morte, o renascimento, a meditação e a transcendência, indo além dos usos convencionais do meio para dar a princípios abstratos uma forma fotográfica.
No final dos anos 1970, Appelt construiu torres cúbicas de galhos de árvores em uma remota ilha italiana e fez autorretratos dentro delas. Pontuando essa série de apresentações está uma de suas imagens mais famosas, “Der fleck auf dem spiegel, den der atemhauch schafft” (A mancha no espelho, feita pela respiração), de 1977. O fotógrafo afirma que se utiliza como modelo em suas próprias obras já que não poderia trabalhar com outras pessoas: algumas experiências vêm de dentro. “Eu não poderia exigir isso, essa resposta, de ninguém. Você não pode verbalizar certos sentimentos porque eles simplesmente não podem ser descritos em palavras”.

"Membranobject". Foto: Dieter Appelt.

"From Memory's Trace". Foto: Dieter Appelt.

Suas fotografias são exibidas extensivamente na Europa desde a década de 1970, contando com grandes exposições no Staatliche Museen zu Berlin, além de mostras individuais no Guggenheim Museum, em Nova Iorque, e no Art Institute de Chicago. Parte de sua obra também foi adquirida por grandes coleções internacionais, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Museu Victoria & Albert, de Londres, Centre George Pompidou, Paris, e The San Francisco Museum of Modern Art, na Califórnia.

"The Mark on the Mirror Breathing Makes". Foto: Dieter Appelt.

"The Spring". Foto: Dieter Appelt.

20
mar

O último símbolo de um mundo pacífico, por Thomas Hoepker

Foto: Thomas Hoepker.

Todos os grandes fotógrafos têm em seu portfólio não apenas grandes imagens, mas grandes histórias. Uma característica comum em muitas delas é o fato de que, em boa parte das vezes, não é possível ter noção da dimensão de um clique extraordinário no momento em que ele é feito – o que era ainda mais comum em tempos de tecnologia analógica, sem a instantaneidade do sensor. A foto que ilustra este post, o mais famoso registro do integrante da Magnum Thomas Hoepker, sublinha de forma totalmente inusitada o mais importante acontecimento geopolítico da última década, a queda das Torres Gêmeas em 11 de setembro. Diferente de outras imagens icônicas, ficou três anos guardada, esquecida em uma caixa, até ser mostrada para o mundo. E como se não bastasse, contradiz a máxima de Robert Capa: “Se suas fotografias não são suficientemente boas, é porque você não estava suficientemente perto”.

Já falamos aqui, por exemplo, sobre o clássico registro de Nick Ut que acelerou o fim da Guerra do Vietnã. Após clicar a menina Kim Phuc correndo nua com o corpo coberto de Napalm, demorou para perceber o significado que aquela imagem logo atingiria. O registro de Thomas Hoepker, entretanto, causou um impacto diferente de político. Enquanto algumas imagens causam desconforto por emocionar, outras o causam por gerarem estranhamento, como a fotografia que motivou esta postagem.

Contatos de Thomas Hoepker.

Na manhã de 11 de setembro de 2011, Hoepker foi alertado por um telefonema do escritório da Magnum e, como diversos outros moradores de Nova Iorque, assistiu à cobertura ao vivo da imprensa de seu apartamento, em Manhattan. Foi ainda atônito e anestesiado com tamanho horror que partiu de carro pelos bairros Queens e Brooklyn tirando fotografias da nuvem de fumaça que crescia no horizonte. “Depois, cheguei a um lugar no East River com boa visão da ponta de Manhattan”, conta, “onde um grupo de jovens estava sentado em meio às árvores. Instintivamente, tirei três fotos e segui meu caminho, esqueci aquela cena”. Mais tarde, ainda em estado de choque, fez mais algumas fotos, sem nunca chegar ao Ponto Zero, bloqueado pela polícia. Quando, no dia seguinte, viu as outras fotografias, tão chocantes e tocantes, achou que em comparação aos colegas havia trabalhado muito mal. “Selecionei algumas das imagens que tinha feito da ponte, mas coloquei na minha caixa B os diapositivos que mostravam as cinco pessoas com ar tranquilo. E lá eles ficaram por mais três anos”.

Foi em 2005, quando Hoepker começava a montar uma mostra retrospectiva, que Ulrich Pohlmann, curador do Foto-Museum de sua cidade natal, Munique, descobriu a imagem. “Ele desencavou o diapositivo colorido que hoje se tornou minha fotografia mais publicada e mais discutida”. Desde então, é comum comentaristas, escritores e blogueiros o perguntarem se os jovens na fotografia de fato sabiam o que estava acontecendo atrás deles e o por quê daquela aparente tranquilidade. Como mostram os outros diapositivos do arquivo, na primeira chapa eles de fato observavam o evento antes de darem as costas para a catástrofe. O fotógrafo lança, então, uma pergunta, que logo ele próprio responde: “Será então que a imagem conta uma mentira? Talvez seja enganosa, mas para muitos se tornou o símbolo último de um mundo pacífico repentinamente despedaçado pelo pavoroso ato terrorista que, naquele dia de sol, mudou o mundo”.

18
mar

“Fotografia é a única língua que pode ser entendida em qualquer lugar do mundo” Bruno Barbey

 

Nascido no Marrocos em 1941, Bruno Barbey é um fotógrafo prolífico, conhecido por se expressar através de seus livros, projetos autorais, documentais e jornalísticos. Radicado na França, passou a integrar a equipe de fotógrafos da Magnum em 1964, tornando-se um membro pleno em 1968. Sua carreira já soma mais de quatro décadas repletas de viagens pelos cinco continentes, o que inclui inúmeras zonas de conflitos. Ainda que não se considere um fotógrafo de guerra, cobriu tumultos militares e civis na Nigéria, Vietnã, Oriente Médio, Bangladesh, Camboja, Irlanda, Iraque e Kuait. As imagens neste post, entretanto, são exemplos de seu esforço em capturar características culturais de países como Índia, China, Filipinas, Nigéria e Marrocos, país de sua infância e tema de boa parte de seu portfólio.

 

 

 

Publicado nas principais revistas do mundo, Barbey é conhecido especialmente por seu livre e harmonioso uso de cores, ainda que tenha trabalhado com imagens P&B no início de sua carreira. De 1959 a 1960, estudou fotografia e artes gráficas na Ecole des Arts et Métiers em Vevey, na Suíça. Seu primeiro ensaio de destaque, Naples’, Switzerland (1964), retratou italianos como protagonistas de um “mundo pequeno e teatral” – tudo com o declarado objetivo de capturar fotograficamente o espírito de uma nação.

 

 

 

Durante os anos 1960, foi comissionado pela Editions Recontre para documentar situações de conflito em países europeus e africanos, além de contribuir regularmente com a revista Vogue. A relação com a Magnum iniciou em 1964. No ano em que se tornou um membro pleno, 1968, documentara a agitação política e as manifestações de estudantes franceses em Paris.

 

 

 

Outra de suas mais aclamadas obras é Poland (1981), fruto de dois anos vivendo na Polônia com o objetivo de registrar um momento de virada na história do país. Barbey já recebeu diversos prêmios por seu trabalho, incluindo o Oversees Press Club Award, o University of Missouri Photojournalism Award e a Ordem Nacional de Mérito francesa. Em 1999, o Petit Palais (Musée des Beaux Arts) da cidade de Paris produziu uma grande exposição de suas fotografias feitas no Marrocos ao longo de 30 anos.

 

 

13
mar

O olhar fotojornalístico de Carl de Keyzer

Retrato de Carl de Keyzer. Foto: Filip Meutermans.

Nascido em janeiro de 1958 em Kortrijk, na Bélgica, Carl de Keyzer é um fotógrafo contemporâneo membro da agência Magnum – foi indicado pela primeira vez em 1990, tornando-se integrante pleno em 1994. Seu estilo independe de imagens isoladas: ao invés delas, prefere um acúmulo de fotografias que permita um diálogo com o texto. Este, por sua vez, costuma sair de seus próprios diários de viagem.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

De Keyzer começou sua carreira como fotógrafo freelancer em 1982, quando sua renda fixa provinha de um trabalho como instrutor de fotografia na Royal Academy of Fine Arts, em Ghent. Na mesma época, tornou-se cofundador e codiretor da XYZ-Photography Gallery. Desde que se consolidou como fotojornalista, investe em projetos longos, em grande escala, e temas gerais. Uma premissa básica da maior parte de seu trabalho é o colapso infra-estrutural de comunidades superpovoadas. Entre seus principais assuntos estão o declínio da União Soviética e a Índia. Alguns de seus diversos livros publicados são India (1987), Homo Sovieticus (1989), God, Inc. (1992), East of Eden (1996), EVROPA (2000), ZONA (2003), Trinity (2007), Congo (Belge) (2010) e Moments Before the Flood (2012).

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

Um ensaio de grande impacto, e que possui várias imagens contempladas nesta postagem, é Zona (2003), que retrata de forma íntima a rotina das prisões siberianas. Ainda que elas já estejam distantes dos Gulags de outrora, possuem mais de um milhão de presos, o que inclui jovens servindo por três anos por roubarem dois ramsters e uma mãe de cinco filhos condenada a quatro por esconder couves na bolsa. Com dois coronéis ao seu lado, um à esquerda e outro à direita, De Keyzer fotografou o que foi autorizado a ver – e nada mais. Vale citar que ao invés das imagens em preto e branco comuns em seu portfólio documental, optou por cores esmaecidas, tendo como resultado imagens com uma atmosfera de sonho.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

Com exibições regulares em galerias e museus europeus, é representado em diversas mostras permanentes, o que inclui o Museum of Contemporary Art de Ghent, a Fnac Collection de Paris e Centro de Arte de Salamanca. Entre seus diversos prêmios constam Les Rencontres d’Arles Book Award, Hasselblad Foundation International Award in Photography (1986), W. Eugene Smith Award (1990) e Prix de la Critique Kodak (1992). Atualmente, vive e leciona em Ghent.

Foto: Carl de Keyzer.

Foto: Carl de Keyzer.

12
mar

O dia em que o Centro de Fotografia se tornou uma câmera escura

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Foi em clima de celebração e expectativa, acentuados por uma envolvente viagem pela história da fotografia, que teve início o Módulo de Formação do curso anual de fotografia da ESPM-Sul. Ministrada pelos professores Guilherme Lund e Leopoldo Plentz, a aula inaugural enfatizou que se trata da 5ª edição do curso, e que muito se aprimorou desde a primeira turma, em 2009. “Aprendemos na medida em que ensinamos”, sintetizou Lund, que conversou com os alunos sobre o conteúdo prático e teórico deste primeiro semestre de curso.

Foto: Guilherme Lund.

Mas, antes, para colocar todos em sintonia com a complexidade e as surpresas do assunto em questão, o estúdio do Centro foi transformado em uma câmera escura. “Vamos fazer de conta que somos o filme fotográfico ou, mais contemporaneamente, o sensor”, introduziu Plentz, antes de fazer com que toda a sala vivenciasse um fenômeno inédito para quase todos os presentes. Primeiro, todas as luzes foram apagadas. Depois, o professor mostrou um furinho feito em uma porta de metal localizada em uma das extremidades do estúdio. Na frente dele foi posicionado um painel com um anteparo translúcido e, como mágica, a paisagem localizada na rua em frente à parede em questão foi projetada. A imagem, de cabeça para baixo, lembrava perfeitamente aquelas feitas com câmeras pinhole, até porque a lógica de sua reprodução possui o mesmo princípio. A primeira vez que isso foi descoberto, Leopoldo conta, foi em cerca de 500 A.C. Ao lado do pequeno furo, que voltou a ser tapado, havia outro munido de um artefato que fez toda a diferença: uma lente. “Quando alguém teve essa brilhante ideia, um leque de possibilidades se abriu. A imagem ganhou mais cores e nitidez”, completou.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Após a experiência, Plentz deu início a parte teórica de sua aula de História da Fotografia – não sem antes apresentá-los a uma câmera de grande formato. Mesmo que a ideia seja, nas palavras do professor, uma grande pretensão – já que se trata de um tema que pede muito mais estudo –, os alunos puderam entender como a fotografia chegou ao seu estágio atual. Dos precursores Aristóteles, Alhazen e Da Vinci, passando por importantes descobertas técnicas e chegando até a contemporaneidade das câmeras digitais, Plentz mostrou que a estética da fotografia está muito atrelada ao desenvolvimento tecnológico.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

A dupla também falou bastante sobre o corpo docente, dando ênfase ao fato de que cada um dos professores traz a experiência vivida em sua área de atuação à sala de aula. “A ideia é que o grupo seja o mais plural possível para mostrar aos alunos as várias oportunidades que a fotografia oferece, o que inclui as possibilidades concretas do mercado”, explicou Lund. Plentz completou: “Às vezes até discordamos. A técnica é receita de bolo, mas existem questões subjetivas também”.

Se alguém se interessou de última hora, ainda dá tempo de se inscrever. A segunda turma, aliás, cujas aulas acontecem nas tardes de terças e quintas-feiras, começa essa semana. Para conferir mais informações, basta acessar nosso Catálogo Geral de Cursos.

8
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul – Parte 2

A fim de ajudar os que ainda possuíam dúvidas, conversamos aqui com ex-alunos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul sobre as surpresas que o curso reserva. O resultado foi tão bacana que decidimos falar com mais alguns dos fotógrafos formados, o que deu origem a este post. Aos que não sabem, as aulas do Módulo de Formação do Curso Anual de Fotografia tem início amanhã nas turmas de sábado. Para as turmas de terças e quintas-feiras, elas começam na semana que vem. Para conferir as informações completas acesse nosso Catálogo Geral de Cursos.

Foto: Silvia Giordani.

“O curso foi muito importante porque sistematizou aquilo que eu já sabia e acrescentou várias coisas novas: Estudar iluminação me possibilitou “moldar” o assunto com a luz; deixei de evitar fotografar pessoas, pois tive experiência com modelos; consegui enxergar melhor o trabalho de outros artistas, qualificando as orientações nas oficinas que vinha ministrando. Hoje tenho maior consciência do que eu preciso fazer para atingir determinado resultado. Na ESPM desenvolvi o projeto “Mise en Scène”, que foi selecionado para expor na Associação de Artes Plásticas Chico Lisboa em 2013.”
Silvia Giordani, formada em 2012

 

Foto: Katia Bomfiglio Espíndola.

“Na época em que fiz o curso, o fato da ESPM abrir um curso avançado mudou o patamar de ensino/formação na área. Para mim, ampliou minha relação com a fotografia. Primeiro por me fornecer ferramentas para compreender e usar com qualidade os recursos da fotografia digital. Em segundo lugar, porque me colocou em contato com vários excelentes fotógrafos, com experiência e conhecimento da realidade de vários mercados. As aulas também serviram para ampliar meu olhar, conhecendo o trabalho de uma série de fotógrafos que escreveram com a luz a história da fotografia e do mundo. Sempre recomendo a ESPM como referência top em fotografia. Outra coisa: tem um estúdio super bacana e ótimos equipamentos!”
Katia Bomfiglio Espíndola, formada na primeira turma

 

Foto: Beto Raskin.

“O curso não foi só importante num ponto de vista profissional, mas também pessoal, vindo a trazer alguns bons amigos. Me incentivou a desenvolver meus trabalhos autorais, fazendo com que eu possa olhar minhas idéias com um olhar mais critico e de forma que consiga encontrar a melhor forma de expressá-las em uma imagem. Por causa do curso, hoje eu possuo um controle maior sobre o trabalho. Antes eu possuía certa noção sobre como trabalhar e iluminar em um estúdio para chegar na imagem que gostaria, mas agora eu possuo o conhecimento para alcançar exatamente o resultado que procuro.”

Beto Raskin, formado em 2011

Foto: Fernanda Coelho.

“Não há dúvidas no quanto o curso foi importante para o meu aprendizado e no quanto mudou o antes e o depois não só na minha forma de pensar em fotografia como no processo todo de trabalho. Uma das coisas que considero mais marcantes e fundamentais para o meu aprendizado é a questão do gerenciamento de cor das imagens. Saber a importância de um bom monitor para trabalhar, do próprio ambiente em que tratamos as imagens, da calibragem deste monitor e também do perfil de cor de onde iremos imprimir nossas cópias Esse processo nos dá uma segurança maior na finalização e entrega do material. Isso significa não termos “surpresas” na hora de ver uma imagem impressa, totalmente esverdeada, avermelhada, saturada, por exemplo. Antes do curso isso nem fazia parte do meu cotidiano nem tão pouco sabia disso. Isso fez uma diferença enorme no resultado final do meu trabalho. Além disso, o legal deste curso é a visão geral de todo processo de fotografia, da prática da fotografia no dia a dia e até mesmo a história da fotografia, contada diferente do que em qualquer outro curso, com referências na pintura, na arte, nos grandes fotógrafos.”
Fernanda Coelho, formada em 2009

 

Foto: Elda Franco.

“Quando tu gostas de fotografia e te preocupas em melhorar as imagens que cria, ao estudar mais, aprender mais, não é só a percepção do que se produz que é alterada, é outro mundo que se desvenda aos teus olhos, mais rico, mais colorido, mais cheio de nuances, mais significativo… não por que ele tenha mudado, mas por que a tua maneira de vê-lo e de prestar atenção ao que te rodeia mudou, consequentemente, será de uma forma mais análitica e criteriosa que estenderás o teu olhar a qualquer imagem produzida, seja tua ou não. Recomendo a todos que amam a fotografia e tem a busca da qualidade como meta”
Elda Franco, formada em 2011

 

Foto: Marcelo Veit.

“Tenho certeza que a escolha pela ESPM para dar início à minha carreira profissional, hoje até mais do que à época, não poderia ter sido mais acertada. Vindo de uma área tão antagônica e formal (Administração), sem conhecer pessoas/profissionais do meio e com interesse relativamente recente pela Fotografia, tive a oportunidade de conviver por um dia inteiro toda semana com mestres e colegas que ensinaram antes de mais nada a ver, interpretar imagens, além é claro das minúcias técnicas envolvidas.”

Marcelo Veit, formado em 2011

6
mar

O Carnaval visceral de Claudio Edinger

Retrato de Claudio Edinger. Foto: Débora 70.

O carnaval oficial do Rio de Janeiro, aquele das escolas de samba, há muito se tornou uma festa para turistas – o que inclui os espectadores e foliões brasileiros, turistas de si mesmos. Essa festa, onde os que vão para avenida buscam ver e ser vistos, é o que faz com que o Brasil seja capa de jornais anualmente mundo afora, em fevereiro ou março, com registros coloridos de sua “maior festa do mundo”. Ainda que essas imagens, bem como essa festa, tenham inegável mérito e beleza, o carnaval brasileiro se encontra em sua essência mais verdadeira em um lugar diferente: nas ruas e nos anônimos. Ao menos é o que mostra Carnaval (1996), de Claudio Edinger, e um de seus textos introdutórios, assinado por Arnaldo Jabor. Para o jornalista e escritor carioca, descobrir nos desvãos das ruas a preciosa origem do carnaval é o grande mérito da obra de Edinger cujas imagens ilustram este post.

Foto: Claudio Edinger.

Foto: Claudio Edinger.

Se as imagens mais populares do carnaval brasileiro têm como principal característica a abundância de cores e brilhos, a obra de Edinger retrata o carnaval em preto e branco, saturado, monocromático e altamente expressivo. De câmera nas mãos, como se fantasiado de si mesmo, o fotógrafo registrou de perto os protagonistas das folias urbanas, definidos por Jabor como os excluídos da festa oficial. Desesperados, famintos de amor, estrelas fracassadas, famosos desconhecidos… são eles que exercem sobre Edinger e sobre nós, os espectadores, o fascínio da loucura. Suas lentes enlaçam as três raças brasileiras e mostram porque o carnaval, em sua crueza quase assustadora, é uma das mais vigorosas e excitantes expressões da cultura popular.

Foto: Claudio Edinger.

Foto: Claudio Edinger.

“O livro de Edinger é o anti-Mapplethorpe. Contra o sexo como dor e morte. O sexo como vida e jogo.” Arnaldo Jabor

Foto: Claudio Edinger.

Foto: Claudio Edinger.

Radicado em Nova Iorque, onde viveu de 1976 a 1996, Edinger decidiu fotografar o carnaval enquanto tentava publicar outro livro, Madness, que trata formalmente a questão da loucura. Ao pesquisar sobre doenças mentais no Brasil, impactado pela Alzheimer que acometeu sua avó materna, chegou ao Juqueri, o maior asilo de doentes mentais na América Latina. A obra mostrou as péssimas condições e a superlotação do local, conduzindo ao seu fechamento, mas Claudio demorou sete anos para encontrar um editor com interesse em publicá-la. Nos intervalos, concentrou-se em clicar outro tipo de delírio, mais alegre, que contrastava com a agonia desesperada que havia acompanhado no trabalho anterior. De 1991 a 1995, documentou o carnaval em cinco diferentes regiões do país, Rio, Salvador, Recife/Olinda, São Paulo e Paraty. Como o antropólogo Roberto DaMatta destaca em um dos textos de abertura da obra, o carnaval do Brasil se distingue dos de outros países pelo fato de que não é localizado: o Rei Momo governa todo o território nacional. E Claudio aborda mais esse seu caráter geral do que seus aspectos regionais, pontos que conectam os centros urbanos impessoais aos núcleos populacionais mais distantes.

Foto: Claudio Edinger.

Foto: Claudio Edinger.

Nos flagrantes de Edinger, afirma DaMatta, revela-se o sentido mais profundo daquilo que nós, brasileiros, chamamos de “fantasia”, um resgate da igualdade e da liberdade individual em uma sociedade engessada. A festa popular é justamente a efêmera e intensa materialização desse sonho, uma subversão de toda a e qualquer organização. Mais do que fotos, são revelações: por trás de um pobre, um nobre; por trás de cada rico, um homem comum. Suburbanas se tornam estrelas de cinema da mesma forma que quem bem quiser assume uma nova personalidade. “O Brasil indica, com sua celebração carnavalesca, como ele detém o segredo do encantamento que permite ver a mesma rua, a mesma cidade, a mesma massa, os mesmos pobres, os mesmos governantes, as mesmas empregadas e os mesmos patrões de modo invertido”. Ainda para DaMatta, para ver o carnaval em sua totalidade, é preciso se colocar em uma certa perspectiva, apenas isso torna possível a compreensão de todos os seus paradoxos e contradições. E é aí que se encontram outros dos méritos da obra de Edinger: a capacidade do autor em “ver” e “inventar” o carnaval.

Carioca nascido em 1952, Claudio formou-se em Economia pela Universidade Mackenzie, mas nunca exerceu a profissão. Os vinte anos que passou nos Estados Unidos foram dedicados à fotografia, documental e artística, e ao trabalho como autônomo para periódicos brasileiros e norte-americanos como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Time, Newsweek, Life, Rolling Stone. Em 1977 teve aulas com o fotógrafo Philippe Halsman.

Foto: Claudio Edinger.

Foto: Claudio Edinger.

5
mar

Aula aberta gratuita do Curso Anual de Fotografia nesta quarta-feira

Banca de certificação dos trabalhos de conclusão do Módulo Avançado. Foto: Camilo Santa Helena.

Como os leitores assíduos do blog já sabem, o Módulo de Formação de nosso Curso Anual de Fotografia tem início daqui a pouco, nos dias 9 (para a turma de sábado) e 12 de março (para a turma das terças e quintas-feiras). Pensando nos indecisos e nos já inscritos que ainda têm dúvidas sobre o conteúdo programático e a estrutura oferecida, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul organizou uma aula aberta gratuita ministrada pelo professor e fotógrafo Guilherme Lund. Ela será realizada amanhã, dia 6, às 19h no Estúdio de Fotografia da ESPM-Sul (Rua Guilherme Schell, 268 / 2º subsolo).

Foto: Juliano Araújo.

Lund conta que o objetivo do encontro é explicar detalhadamente aos interessados a estrutura curricular do curso. O grupo também será apresentado às instalações que a ESPM-Sul oferece para os alunos do Centro, conhecendo o estúdio e o laboratório com computadores. Além disso, informações presentes no Catálogo Geral de Cursos serão esmiuçadas e imagens feitas por fotógrafos formados pelo Centro serão projetadas no telão. “Trata-se de uma aula de demonstração”, explica Lund, “de uma oportunidade de auxiliar aqueles que ainda têm dúvidas”.

Aula aberta com professor Guilherme Lund
Quando: 6 de março, 19h
Onde: Centro de Fotografia da ESPM-Sul
Rua Guilherme Schell, 268 / 2º subsolo
Inscrições pelo fone:  3218.1400

1
mar

Fotógrafos formados pelo Centro falam sobre o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul

O Curso Anual de Fotografia é o grande protagonista de nosso Catálogo Geral de Cursos. Com dois módulos, o de Formação e o Avançado, apresenta anualmente ao mercado uma leva de novos fotógrafos. As inscrições para o Módulo de Formação, que tem início em março, nos dias 9 (para a turma de sábado) e 12 (para a turma das terças e quintas-feiras), ainda estão abertas. E para saber o que esperar do curso e ter uma ideia de como todo o aprendizado que ele promete se materializa após a conclusão, nada melhor do que conversar com quem já passou por ele, com todas as suas aulas teóricas, técnicas e práticas. Assim, convidamos alguns dos alunos formados pelo Centro desde a primeira turma a dividirem com os “calouros” suas impressões.

Foto: Eliane Heuser.

“Comparando: uma pedra bruta a uma pedra lapidada. O valor está lá, mas só é perceptível após a lapidação. Adquiri uma base de conhecimento que está me permitindo transitar no meio de fotógrafos, me considerando também uma. Enfim, libertou em mim um prazer ainda maior em fotografar, pelos resultados que obtenho. O que antes era uma atividade a qual me dedicava em horas vagas, agora faz parte do meu dia a dia.”

Eliane Heuser, formada em 2012.

 

Foto: Milene Gensas.

“Fazer o curso foi um divisor de águas para mim. Escolhi este curso pois queria algo que me desse conhecimento suficiente para seguir a carreira de fotógrafa e hoje me sinto apta. Se antes do curso eu fazia tudo por “feeling”, agora sei o que estou fazendo e qual o caminho a seguir para atingir meus objetivos.”

 Milene Gensas, formada em 2012.

 

Foto: Tomas Brugger.

“O curso ampliou meus horizontes no que se refere à diversidade da fotografia. São infinitas as possibilidades de criação. Isso acabou virando uma paixão, um vício.”

Tomas Brugger, formado em 2012.

 

Foto: Roberta Borges.

“O curso me diferenciou de outros fotógrafos pelo aprendizado que adquiri. As aulas me deram o controle completo da fotografia, da captação à impressão. Antes do curso, eu não tinha todo este controle.”

 Roberta Borges, formada em 2007.

 

Fotos: Carlos Heuser.

“Para crescer na fotografia, é necessário contato com fotógrafos experientes, não só para entender como atuam, mas também para receber suas críticas e sugestões. Eu vejo que mudei muito minha forma de fotografar exatamente por esta experiência. O melhor do curso foi a visão que ele oferece do que é a fotografia hoje, obtida nas classes com fotógrafos renomados cobrindo as diversas áreas do ramo.”

 Carlos Heuser, formado em 2009.

 

Foto: Fabio Mariot.

“Posso dividir minha carreira em antes e depois do curso. Eu tinha todas as dificuldades possíveis, e algumas eu nem sabia que tinha. O curso me deu um caminho. Hoje, quando erro, sei porque errei. E quando acerto, também sei. Um coisa muito positiva é o currículo: abrange a parte técnica, de linguagem, de mercado e ainda tem o conteúdo prático. Por conjunturas da vida profissional e pessoal, nunca mergulhava na fotografia com tudo. Fazer o curso foi uma forma de dar uma virada nisso e finalmente abraçar a minha grande paixão profissional.”

Fabio Mariot, formado em 2010.

 

Foto: Fernando Andrade.

“Minha rede de contatos cresceu bastante por causa do curso, que me tornou um fotografo com um know-how bem maior. Honestamente, antes do curso, haviam coisas que eu tinha ideia que existiam, mas que depois do curso se tornaram rotina. Esse aprendizado mostra para quem me contrata o motivo pelo qual pagam o valor que eu cobro: conhecimento de causa.”

 Fernando Andrade, formado em 2007.