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Archive for fevereiro, 2013

27
fev

Destaques entre os finalistas do Sony World Photography Awards

Idealizado pela World Photography Organisation, a Sony World Photography Awards é uma competição anual que celebra fotógrafos amadores e profissionais do mundo inteiro. Recentemente, ela anunciou sua lista de finalistas – e pelo grande número de concorrentes, eles já podem, sim, serem considerados vencedores. Com cerca de 120 mil inscrições de fotógrafos de mais de 170 países, as fotos são avaliadas e julgadas em seis diferentes categorias, o que inclui Professional, Open e Student Focus. O anúncio dos grandes vitoriosos será feito em março e abril. Confira as imagens que destacamos entre as pré-selecionadas:

A imagem de um cão da raça Greyhound na reta final de uma corrida foi feita por Rob Van Thienen, na Bélgica. O fotógrafo conta que teve que correr para salvar sua vida após fazer o clique. Foto: Rob Van Thienen.

Retrato assinado pelo iraniano Ali Asadi. Foto: Ali Asadi.

"Bem-vindo ao mundo da aranha". Assim o fotógrafo Krasimir Matarov, da Bulgária, define seu clique. Foto: Krasimir Matarov.

Intitulada "Tradition", a imagem acima foi feita por Reza Nezamdust no Irã. Foto: Reza Nezamdust.

Petar Salbol, da Croácia, flagrou duas borboletas em cima de uma planta, a espera da luz do sol. Foto: Petar Salbol.

Quem sofre de demência, bem como os familiares e amigos dos que possuem a doença, são afetados em níveis pessoais, emocionais, financeiros e sociais. A imagem do italiano Fausto Podavini retrata um pedaço da melancólica rotina de Mirella, 71 anos, que dedica seus últimos anos de vida a cuidar do marido enfermo. Foto: Fausto Podavini.

Um retorno às paisagens da infância. É essa a proposta de imagem do romeno Hadju Tamas, feita em um trem de Bucareste a Baia Mare em uma manhã de nevoeiro. Foto: Hadju Tamas.

Foto assinada pelo russo Ilya Pitalev feita durante a celebração do 100º aniversário do fundador da Coreia do Norte, Kim II Sung, em Pyongyang. Foto: Ilya Pitalev.

"Eu estava passeando por Jaipur quando percebi uma nuvem de pássaros no ar e instintivamente disparei o obturador. A alma de Alfred Hitchcock mora lá, eu acho", descreveu o fotógrafo polonês Maciej Makowski. Foto: Maciej Makowski.

25
fev

Graciela Iturbide: Fotografia como pretexto para conhecer

Retrato de Graciela Iturbide.

“A fotografia é um pretexto para conhecer o mundo, os países e as culturas de outros lugares. Não há um objetivo político atrás das imagens que produzo”
Graciela Iturbide

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Uma das mais importantes fotógrafas das América Latina, a mexicana Graciela Iturbide é responsável por imagens em preto e branco repletas de uma delicadeza macabro, suaves e intensas em um só tempo. Natural da Cidade do México, tem seu país como fonte primordial de inspiração. Sua documentação artística e antropológica de vilarejos mexicanos explora a força da cultura pré-colombiana e a figura da morte, materializada na popular festa dos mortos. Além da onipresença de sua terra, Iturbide tem em seu portfólio fotografias de diversas outras localidades, em especial Índia e Estados Unidos.

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Nascida em 1942, começou a estudar cinema na Universidad Nacional Autónama de México aos 27 anos com o objetivo de se tornar diretora. Rumou para a fotografia de retratos ao trabalhar com o modernista Manuel Álvarez Bravo, seu professor. Como sua assistente, embarcou em diversas jornadas fotográficas pelo México, além de viajar por toda a América Latina, em especial Cuba e Panamá.

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Em 1978, foi comissionada pelo Ethnographic Archive of the National Indigenous Institute of Mexico para fotografar a população indígena mexicana. Clicou o estilo de vida dos Seri Indians, um grupo de pescadores nômades que vivem no deserto de Sonora, na fronteira com o Arizona. Um ano depois, foi convidada pelo artista Francisco Toledo para fotografar o povoado de Juchitán, parte da cultura Zapotec, nativa de Oxaca no Sul do México. Sua série começou em 1979 e foi concluída em 1988, resultando na publicação do livro Juchitán de las Mujeres (1989).

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Aos poucos, foi substituindo a figura homem por seus rastros, abandonando a tradição retratista, e penetrou no mundo da paisagem, das pegadas e dos objetos. Em 2005, o banheiro da Casa Azul de Frida Kahlo foi reaberto pela primeira vez desde sua morte, há mais de meio século, e Graciela foi convidada a fotografá-lo, embarcando em uma viagem de descoberta da vida privada da artista. Suprimentos médicos, animais empalhados, espartilhos e uma garrafa de água quente foram alguns dos objetos que Iturbide registrou como “testemunhas” de muitos dos mais emblemáticos trabalhos da pintora mexicana, que tinha em seu banheiro um importante cenário e refúgio.

Para a curadora da retrospectiva em homenagem a fotógrafa sediada na Pinacoteca de São Paulo em 2011, Marta Dahó, Iturbide não é uma antropóloga nem uma documentarista: trata-se de uma “fotógrafa poética”, com a capacidade de colocar em imagens muitas “camadas”. “Às vezes, suas fotos são surrealistas, de uma vontade inconsciente, visceral”, expressa.

 

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

22
fev

Sandy Skoglund: instalações excêntricas e fotografias incríveis

Retrato de Sandy Skoglund. Foto: Steven M. Herppich/Cincinnati Enquirer.

Foi décadas antes do Photoshop ser inventado que a artista americana Sandy Skoglund começou a criar as imagens surrealistas que a tornaram conhecida. Para desenvolver essas fotografias, constroi instalações incrivelmente elaboradas, que levam meses até serem concluídas. Fotógrafa, cenógrafa, artesã e contadora de histórias, tem um trabalho marcado pelo uso original das cores, brilhantes, abundantes e, às vezes, contrastantes em um esquema monocromático. Chama a atenção, também, o uso que faz da repetição de um único objeto em assustadora quantidade. O set que deu origem ao quadro Raining Popcorn (2001), por exemplo, foi criado com móveis e modelos revestidos com pipoca.

Foto: Sandy Skoglund.

Foto: Sandy Skoglund.

Bacon, cacos de vidro e salgadinhos de milho também estão entre os elementos já utilizados por Skoglund em suas instalações. Nascida em Quincy, Massachussets, em 1946, estudou Arte e História da Arte na Smith College e mudou-se para Nova Iorque em 1972. Lá, começou seu trabalho conceitual, mergulhando em técnicas de repetição com fotocópias. Foi o desejo de documentar suas ideias que a levou a aprender fotografia de forma autodidata. Acabou apaixonando-se pela área e fundindo seu interesse pela técnica fotográfica com outras duas paixões: a cultura popular e as estratégias utilizadas nas imagens comerciais.

Foto: Sandy Skoglund.

Foto: Sandy Skoglund.

Os móveis e elementos utilizados nos cenários são cuidadosamente selecionados e coloridos, um processo que dura meses, e os atores são os últimos a serem incluídos nas cenas. A maneira como a fotógrafa aborda o elemento humano também ajuda a criar uma atmosfera de sonho, surreal. Utilizadas para a criação de apenas uma única foto, as instalações podem ficar disponíveis para o público posteriormente. Foi o caso de The Wedding (1994), exibida na Janet Borden Gallery no ano em que foi feita. Os atores foram substituídos por manequins, mas os pisos revestidos com geléia de laranja e as paredes pintadas com geléia de morango foram mantidos, dando ao espaço um aroma doce que aumentava a estranheza geral. A fotografia mostra o noivo tentando caminhar, mas preso pela marmelada viscosa, o que pode refletir a visão da artista sobre a doçura pegajosa dos romances – bem como a perturbadora onipresença da cor vermelha na imagem. As flores, aliás, foram feitas de folhados de queijo.

The Wedding. Foto: Sandy Skoglund.

Foto: Sandy Skoglund.

Skoglund trabalhou como professora de Arte a University of Halford e, hoje, ensina fotografia com ênfase em instalações multimídia na Rutgers University, em Nova Jersey.

Foto: Sandy Skoglund.

Foto: Sandy Skoglund.