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Archive for novembro, 2012

14
nov

George Steinmetz: belezas aéreas e desertas

George Steinmetz posando para uma foto de passaporte em Tamanrasset, Algeria.

Membro do time de profissionais que contribui regularmente com a National Geographic, o fotógrafo George Steinmetz já publicou mais de 30 ensaios importantes na revista, além de 25 reportagens na GEO Magazine alemã. Mais conhecido por seu trabalho com fotografia de exploração, dedica-se hoje a descobrir alguns dos segredos que restam no mundo: desertos remotos, culturas obscuras e os mistérios da ciência e da tecnologia. Seu mais recente livro e exposição, Desert Air (2012), é uma pioneira e completa coleção de fotografias aéreas de “desertos extremos”, aqueles que recebem menos de quatro centímetros de precipitação anualmente. As imagens foram registradas ao longo de 15 anos e vão do Deserto de Gobi, na China, ao Saara, no norte da África. São algumas delas que ilustram este post.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

As fotografias da obra foram feitas através de um paraglider motorizado descrito por Steinmetz como uma “cadeira de jardim voadora”, a mais lenta e silenciosa aeronave do mundo. Com esse equipamento, o fotógrafo não apenas pode decolar e pousar sem uma permissão governamental, mas consegue que suas imagens tenham a profundidade de campo que caracteriza seu trabalho, celebrado tanto pelo realismo quanto pelo pictorialismo e a plasticidade.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

As fotografias são permeadas pela narração das aventuras que Steinmetz viveu ao fazê-las – do contrabando de sua aeronave experimental na Líbia até a prisão por espionagem no Irã. Formado em Geofísica pela Universidade de Stanford, começou sua carreira, e a sua coleção de boas histórias, atravessando a África de carona durante dois anos e meio, período no qual aprendeu a fotografar como autodidata. Em uma das paradas mais importantes da jornada, no Deserto do Saara, sonhou pela primeira vez em sobrevoar sua vasta e surreal paisagem. Vinte anos depois, retornou com seu próprio avião, registrando as imagens que para alguns críticos definem toda sua vida como fotógrafo e explorador.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

George já ganhou inúmeros prêmios e menções em seus 25 anos de carreira, incluindo dois primeiros lugares na categoria Ciência e Tecnologia do World Press Photo.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

Foto: George Steinmetz.

8
nov

Juliano Araujo, aluno da ESPM-Sul, expõe no Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre

Retrato de Juliano Araujo. Foto: Pedro Gigante.

É sempre bacana conferir as novidades sobre profissionais que passaram pelo Centro de Fotografia da ESPM-Sul e se realizaram em uma, ou algumas, das diversas áreas de atuação que a fotografia oferece. Quando se tratam de ex-monitores, então, a satisfação é imensa. Como Eduardo Biermann, vencedor de concurso mundial da Nike e pauta recente por aqui, Juliano Araujo é um desses jovens talentos que nos enchem de orgulho. Durante os dias 19, 20 e 21 de outubro, expôs seu trabalho na 11ª edição do Salon Art Shopping no Museu Carrousel du Louvre, em Paris, salão que tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de artistas contemporâneos do mundo inteiro. Como monitor, Juliano trabalhou durante quatro anos ao lado do professor coordenador Manuel da Costa, auxiliando no gerenciamento e na comunicação dos cursos do Centro e concluindo como bolsista os extensivos Fotografia Digital Avançada, Revelando a Luz, Impressão Fotográfica Artesanal do Século XX e Moda & Photoshop.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Natural de Caxias do Sul, Juliano é graduando em Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing pela ESPM-Sul e técnico em Administração pelo Centro Tecnológico da Universidade de Caxias do Sul. Ao adotar a fotografia como profissão, transformou em trabalho seu maior hobby, desenvolvendo paralelamente projetos autorais e comerciais. O convite para a exposição em questão surgiu através de Andreas Nicola Ravizzoni, responsável por contatar artistas do Sul do Brasil para eventos internacionais organizados pela AVA Galleria. Aprovado no edital, Juliano enviou suas imagens para Rio de Janeiro, Finlândia e, finalmente, Paris. Entre fotos, pinturas, esculturas e desenhos de artistas do mundo todo, o fotógrafo apresentou uma série de imagens do museu da Fundação Iberê Camargo realizadas no final de 2009, fruto justamente de uma aula do Curso Avançado de Fotografia Digital, mais especificamente do módulo “Fotografia de Arquitetura”, conduzido pelo professor Leopoldo Plentz. Durante o processo, Juliano conta que utilizou, também, informações das aulas de Preto e Branco ministradas por Leopoldo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Para valorizar as formas interiores e exteriores do prédio da Fundação, prestigiado projeto arquitetônico de Álvaro Siza, Juliano utilizou a técnica HDR, originalmente High Dynamic Range, que permite o registro de um intervalo de luminância maior do que o clique da câmera fotográfica. Para isso, diversas imagens foram captadas variando apenas a velocidade do obturador, contemplando informações tanto nas altas quanto nas baixas luzes e atingindo uma gama maior de detalhes tonais. “Além da situação pedir o uso dessa técnica, com o sol contra e o Iberê na sombra, ela possibilitou a criação de um material diferenciado, que valoriza a textura característica das obras de Siza”, explica. Depois de prontas, as imagens foram unidas através de softwares e, para chegar naquele resultado, Juliano conta que cada uma delas foi revelada no mínimo cinco vezes.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Fundação Iberê Camargo. Foto: Juliano Araujo.

Após a mostra no Louvre, a obra embarcou para uma nova exposição, dessa vez na Finlândia, onde permanecerá pelos próximos três meses. Juliano conta que já foi convidado para participar da 12ª edição do Salon Art Shopping, em junho do ano que vem. Ainda que pretenda continuar sua série de imagens da Fundação Iberê Camargo, o trabalho que será apresentado dessa vez, ainda em vias de produção, promete contemplar outro ponto turístico de Porto Alegre. Com a crescente demanda por imagens da Capital, o fotógrafo vê nos famigerados bancos de imagens poucas opções. Seu objetivo é criar uma série de fotografias da cidade com cunho autoral e, para isso, continuará utilizando a técnica HDR.

Fundação Iberê Camargo. Fotos: Juliano Araujo.

6
nov

Sobre formas e cores: Harry Gruyaert

Retrato de Harry Gruyaert. Foto: Monty May.

Por mais de 30 anos, o fotógrafo belga Harry Gruyaert registra as sutis vibrações cromáticas que saem de televisores orientais e ocidentais. Seu portfólio rico, também, em imagens originais de paisagens exóticas, da Bélgica ao Marrocos, da Índia ao Egito, tornou-o membro do time de fotógrafos da Magnum há quase três décadas. Formado na School for Photo and Cinema de Bruxelas em 1962, morou em Londres no final da década de 1960 e, ao perceber o poder da televisão no país, interessou-se por fazer um retrato da Inglaterra fotografando essas telas. Ainda que esses trabalhos sejam alguns dos que contém mais intensamente sua identidade, estão longe de serem os únicos em que sua assinatura está impressa.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Antes de optar em definitivo pela fotografia artística, Gruyaert trabalhou como freelancer nos ramos da moda e da publicidade, ao mesmo tempo em que exercia o cargo de diretor de fotografia na rede de televisão parisiense Flemish. Em 1969, realizou a primeira de diversas viagens ao Marrocos, e sua completa imersão nas cores e paisagens locais o renderam o Kodak Prize de 1976, além de culminarem na publicação de Morocco (1990). Longe de se render aos estereótipos do exoticismo, Gruyaert passou longos períodos, também, em cidades da Índia e do Egito. Suas imagens mostram esses países sob um ângulo peculiar, revelando cenários e atmosferas aparentemente impenetráveis. Sobre seu processo, avisa que nunca gosta de ler ou se informar sobre o destino em questão antes de viajar, opta por chegar sempre totalmente aberto e desavisado.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Outro de seus trabalhos que merece destaque é a cobertura dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. No mesmo ano, fotografou alguns dos primeiros voos do projeto espacial Apollo enquanto eram mostrados na televisão. Esse ensaio, que explorava com intensidade as cores da tela, ganhou o título de ‘TV Shots’ in Zoom e foi exibido na Delpire Gallery e na nova-iorquina Phillips de Pury & Co em 1974. O fotógrafo explica que, se ao nos depararmos com uma fotografia em preto e branco tentamos entender o que estava acontecendo entre as pessoas, com uma imagem colorida somos, antes, afetados pelos diferentes tons que expressam uma situação. “O objeto e sua cor são uma mesma coisa, o que, por sinal, é um dos princípios da teoria da percepção. Forma e cor são inseparáveis”, define.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Gruyaert entrou na Magnum Photos em 1981, mesmo ano em que Abbas integrou o time da agência. O fotógrafo conta que encontrou certa resistência do júri pelo fato de que muitas de suas imagens eram fotografias da televisão, com cores manipuladas. Ao falar sobre si, enfatiza sua opção pela liberdade da arte: ainda que goste de jornalismo e respeite a propaganda, critica a mediocridade de muitas das imagens publicadas em jornais e revistas, consideras, por ele, majoritariamente desinteressantes. “Arte em geral é sobre paixão, autoconhecimento”, define, “não se trata de demandas e clientes. Para mim, isso não é o suficiente, o que realmente importa, na arte e na fotografia, é a personalidade, a assinatura, o que se coloca de si”, expressa.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

No corpo recente de seu trabalho, Gruyaert abandonou o processo em Cibachrome para abraçar a impressão digital, considerada por ele mais indicada para revelar os tons ricos encontrados em seus filmes. Para ele, o recurso abre novas possibilidades para sua obra, tornando-a mais próxima de sua intenção original: dar as próprias cores meios de afirmar sua existência.